(pt) Protesto estudantil contra a comercialização da educação na Ucrânia

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Sexta-Feira, 22 de Outubro de 2010 - 10:51:05 CEST


Em 12 de outubro, cerca de 20.000 estudantes ucranianos saíram às ruas para
protestar contra a decisão do governo de permitir às universidades públicas de
introduzir novas taxas. Os protestos foram realizados em quinze cidades, do Oeste ao
Leste do país. As maiores manifestações se deram em Kiev, Lviv, Carcóvia, Uzhhorod e
Simferopol. Rivne, Ivano-Frankivsk, Zhitomir, Kamyanets-Podolsk, Sumy, Khmelnitsky,
Kirovograd, Lugansk, Lutsk e Sevastopol também protestaram.
Os organizadores dos protestos foram o sindicato estudantil independente "Ação
Direta" ("Priama Diya" em ucraniano) e a "Fundação de Iniciativas Regionais". O
"Ação Direta", um sindicato de esquerda que luta pela educação libertária, tem
estado ativo na defesa dos direitos e interesses estudantis contra a pressão das
administrações universitárias, reformas neoliberais e serviços especiais do Estado.

Há um ano, o "Ação Direta" foi essencial na organização dos protestos quando o
passado governo de Timoshenko tentou aprovar um decreto similar referente a taxas
adicionais para estudantes. Então, manifestações estudantis massivas preveniram a
adoção do controverso decreto. Agora, no final de agosto, o novo governo de Azarov
aprovou o Decreto 796 que permite à administração das universidades instalar taxas
para aulas perdidas; taxas para o uso das livrarias, postos de primeiros-socorros,
ginásios de esporte e internet; para dissertações etc. As autoridades estão a ponto
de aumentar as taxas para moradia e reduzir o número de estudantes bolsistas, embora
a Constituição Ucraniana garanta formalmente uma educação superior gratuita.

Contrariamente às acusações da extrema-direta ucraniana de que algumas pessoas no
governo são anti-ucranianas, os ativistas estudantis independentes enfatizam que o
problema não está nas personalidades mas no sistema em si. Eles vêem a introdução de
novas taxas como parte da ofensiva do capitalismo neoliberal contra os direitos
sociais das pessoas, em particular a juventude. Eles estão fazendo chamados para
resistir a tais medidas e querem estender sua luta.

Em Kiev, 2.000 estudantes participaram na marcha em direção aos prédios do Conselho
de Ministros e da Administração da Presidência exigindo uma educação gratuita para
todos. Entre seus lemas estavam: "Liberdade, Igualdade, Solidariedade Estudantil!",
"O conhecimento não está à venda!", "As universidades não são mercados!", "Abaixo os
ministros, abaixo os capitalistas!", "Uma solução - Revolução!" "Rebelde, amor, não
desista de seus direitos". Podia-se ler nas faixas: "Solidariedade Estudantil",
"Abaixo as barreiras sociais!", "Não entre em pânico! Junte-se a nós!", "Lembre-se
de 1968", "Não está à venda", e em estilo orwelliano "Guerra é Paz, Liberdade é
Escravidão, Ignorância é Força... Conhecimento é Mercadoria?". Próximo à residência
governamental, os ativistas manifestaram suas exigências de cancelar todo o decreto,
não somente suas posições mais ofensivas. Eles também leram a saudação de
solidariedade do famoso autor ucraniano Serhiy Zhadan, e destacaram a solidariedade
internacional do "Global Wave of Action for Education" e o apoio do "International
Student Movement". Uma grande quantidade do jornal "Ação Direta" e folhetos
invocando a luta e a auto-organização estudantil foram distribuídos.

A manifestação em Lviv foi talvez a maior. Reuniu, segundo várias estimativas, de
5.000 a 7.000 pessoas. Unidos sob o lema "educação gratuita", os estudantes de Lviv
marcharam em direção ao prédio da administração regional, local onde realizaram o
piquete. O prédio foi atacado por pessoas desconhecidas que lançaram bombas de
fumaça, tomates e ovos. No entanto, no final o encontro terminou pacificamente.

Em Transcarpátia, na cidade de Uzhhorod, o protesto organizado pela "Fundação de
Iniciativas Regionais" contou com 600 ou até mesmo 1000 jovens, um número enorme
para a menor dos 24 centros regionais da Ucrânia. Sem dúvida esta foi a maior
manifestação que esta cidade presenciou nos últimos anos.

Simferopol, a capital da Criméia, foi a primeira cidade a protestar contra o
controverso decreto do governo, já que a administração da universidade local foi a
primeira a introduzir "serviços pagos" deste decreto (mais ainda, propôs inclusive
algumas "invenções" próprias como por exemplo as taxas para refazer os exames). No
dia 4 de outubro, 500 jovens convocados por marxistas radicais e anarquistas
marcharam pela cidade para manifestar sua rejeição à comercialização da educação.
Eles se reuniram apesar da ameaça feita pela direção da universidade de reprimir os
ativistas estudantis. Uma semana depois, o resto da Ucrânia se juntou aos estudantes
de Criméia, e estes saíram às ruas para uma nova manifestação, dessa vez um "flash
mob", para confirmar suas exigências.

Em Carcóvia, segunda maior cidade ucraniana, mais de 300 estudantes universitários
protestaram contra as novas taxas impostas. Apesar do tempo frio, algumas estudantes
tiraram suas roupas para mostrar que o aumento no custo da educação universitária
deixará os estudantes de baixa renda incapazes de continuarem seus estudos,
forçando-os a "vender sua própria roupa". Uma performance parecida foi realizada em
Rivne.

Enfrentando a raiva dos estudantes, o presidente Yanukovich anunciou que o decreto
do governo será suspenso. No entanto, foi revelado que isto é uma mentira para
acalmar os estudantes revolucionários. A campanha contra a comercialização da
educação não acabou. A luta continua!

Mais infos: http://direct-action.org.ua/

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=q8WuugpZEQE&feature=player_embedded

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana



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