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Sexta-Feira, 8 de Outubro de 2010 - 11:42:03 CEST


Em meados de 2009 Fortaleza foi escolhida para ser uma das 12 subsedes da Copa do
Mundo de 2014 no Brasil. O credenciamento da capital cearense deve-se ao esforço
conjunto do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal, que apresentaram à FIFA um
mega-plano contendo nada menos que 86 projetos, divididos em sete áreas de
investimento (estádios, turismo, transporte e mobilidade, saneamento e meio
ambiente, segurança, saúde, energia e telecomunicações), com um orçamento inicial de
quase R$ 9,3 bilhões, a maior parte de dinheiro público.
A exemplo do que aconteceu na Copa da África do Sul, nas Olimpíadas de Pequim e no
Pan-Americano do Rio, o Governo do Estado e a Prefeitura já ameaçam remover milhares
de famílias pobres de suas moradias para dar lugar a obras de infra-estrutura e de
embelezamento urbano, como parte do plano de preparação de Fortaleza para a Copa de
2014. Estima-se que pelo menos 20 mil famílias serão removidas somente em
decorrência do alargamento da Via Expressa e da implantação do Veículo Leve sobre
Trilhos (VLT), obras que têm como objetivo servir como principal corredor de
transporte da Copa, ligando a zona hoteleira da cidade diretamente às portas do
Estádio Castelão.

Apesar de tamanho impacto social, numa cidade que já possui um déficit habitacional
que ultrapassa as 100 mil unidades, nem o Governo do Estado nem a Prefeitura
apresentaram qualquer projeto de habitação para as milhares de famílias que ambos
pretendem remover, alegando não haver tempo ou recursos para tanto. Os projetos da
Via Expressa e do VLT já estão prontos, os orçamentos já estão definidos e o início
das obras está previsto para janeiro de 2011, sem que o "poder público" sequer tenha
se dado o trabalho de informar e discutir com os diretamente atingidos, apostando na
desinformação e desmobilização das comunidades.

A situação é muito preocupante visto o robusto histórico de violação de direitos que
envolvem processos de remoção de populações pobres em Fortaleza, que vão desde
violência física e psicológica por parte de agentes do Estado, de empresas e
capangas armados e encapuzados, despejos e demolições forçadas, prisões arbitrárias
e irregularidades nos processos de negociação e indenização.

As violações já começaram e uma luta ferrenha e desigual está se anunciando! Por
conta disso, as Comunidades do Trilho, que se estendem do viaduto da Antônio Sales
até o Mucuripe e a comunidade Aldacir Barbosa, localizada ao lado da Rodoviária na
Av. Borges de Melo, são exemplo de comunidades que há alguns meses já estão se
mobilizando e se organizando para resistir às remoções e garantir seu direito à
moradia digna e a uma cidade para todos e todas!

http://resistencialibertaria.org/



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