(pt) [Portugal] Crônica da manifestação antimilitarista em Lisboa co ntra a Otan

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Quarta-Feira, 24 de Novembro de 2010 - 13:48:06 CET


Neste sábado (20 de novembro), cerca de 30.000 manifestantes desceram a
Avenida da Liberdade, em Lisboa, debaixo de um dispositivo policial nunca
visto, com polícia de operações especiais postada na Rotunda do Marquês e
helicópteros sobrevoando a baixa lisboeta.
Milhares e milhares de bandeiras do Partido Comunista Português (PCP) numa
manifestação que ficou marcada pela divisão clara entre movimentos
autoritários e movimentos não autoritários em Portugal. O fato da
organização desta manifestação ter mostrado um sectarismo absoluto tendo,
inclusive, em comunicado público, considerado a PAGAN (Plataforma
Anti-Guerra, Anti-Nato), portuguesa, e todas as organizações
internacionais antimilitaristas e pacifistas personas não gratas nesta
manifestação, revela até que ponto o nacionalismo reacionário desta
esquerda chegou. A polícia cumpriu o papel que um estado cada vez mais
militarizado e policial lhe reservou.
Iniciado o desfile, na rabeira da manifestação, dezenas de ativistas
antimilitaristas da PAGAN e internacionais desfilaram com todo o aparato
bélico nas suas costas e à sua frente a ignomínia de "gorilas" a impedir a
sua aproximação, fascistatização de autoritários, numa Europa onde isto já
é raro, todo este preconceito contra o antimilitarismo.
Centenas de anti-autoritários quiseram juntar-se à manifestação, a seguir
à PAGAN. A polícia imediatamente estabeleceu uma barreira para impedi-los
de avançar. Ouviram-se gritos de "Vergonha!", centenas de apitos, gritos
da multidão, ativistas da PAGAN parados recusando-se a avançar enquanto as
pessoas retidas não se juntassem à manifestação... gritos de indignação
pela fascistatização da polícia... não mostrando medo e resistindo
conseguiram que a polícia se afastasse e que a manifestação seguisse o seu
rumo. Dezenas de faixas anti-Otan, anti-guerra, bandeiras anarquistas,
tambores, slogans como "Otan terrorista", "A paixão pela liberdade é mais
forte que a autoridade!"
"Ativistas presos, liberdade já!", palhaços antimilitaristas em
performances junto da polícia, a solidariedade anti-autoritária no final
da manifestação que se prolongou no Rossio, no Largo Camões e em Monsanto,
onde os ativistas continuam presos, em protesto e exigindo a libertação
dos ativistas presos esta manhã durante a ação direta não violenta de
bloqueio em Cabo Ruivo, à entrada da Cúpula da Otan.
A linha clara entre um nacionalismo balofo e decadente de uma esquerda,
anquilosada e fascistóide, e um antimilitarismo internacionalista pujante
é, sem dúvida, uma das conseqüências da preparação e realização das atuais
Ações anti-Otan, em Portugal.
Mais infos:
› http://antinatoportugal.wordpress.com/
Galeria de fotos:
› http://www.flickr.com/photos/amazv/sets/72157625445808850/show
Emília Cerqueira



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