(pt) [Mídia alternativa] Quinta greve geral na Grécia: apel o à luta conjunta com outros povos da Europa

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Sexta-Feira, 28 de Maio de 2010 - 11:37:27 CEST


As medidas que envolvem cortes e congelamento de salários, aumento da idade da
reforma, corte do auxílio aos desempregados, entre outras medidas repressivas, ainda
não foram colocadas em prática, o que mostra a preocupação do governo em que as
manifestações, que já param mais da metade do país, não se tornem ainda maiores e
mais radicalizadas. Na greve geral de 5 de Maio, 2,5 milhões de trabalhadores
pararam e mais de 100 mil pessoas estiveram presentes na manifestação que ocorreu em
Atenas, à frente do Parlamento, enquanto os deputados votavam as medidas que
acabaram por ser aprovadas (o que provocou uma revolta ainda maior). No final do
dia, após diversos confrontos com a polícia, mais de 70 manifestantes ficaram
feridos e três pessoas morreramdevido a um incêndio causado pela deflagração de um
cocktail molotov. A imprensa julgou a acção dos manifestantes, acusando-os de
"irresponsáveis" e "vândalos" e apontando-os como culpados.

A quinta greve geral da Grécia, a 20 de Maio, contou com 2,5 milhões de
trabalhadores, tendo conseguido fechar escolas, hospitais, meios de transporte,
bancos e comércio. Mais uma vez os transportes funcionaram somente para transportar
os manifestantes para a manifestação central em Atenas. Não participaram desta vez
os jornalistas que em comunicado afirmaram a necessidade de cobrir a greve e mostrar
ao mundo o que estava a acontecer, ao invés de deixar a versão dos factos nas mãos
da imprensa dos outros países. Não aderiram também os controladores do tráfego, mas
os efeitos fizeram-se sentir na mesma já que os trabalhadores da alfândega aderiram
à greve em massa o que prejudicou mais de 50 voos. Além disso, os trabalhadores
públicos responsáveis pelos pontos turísticos também entraram em greve, o que
resultou no fecho dos locais. Ficou visível que, apesar de alguns sectores não
aderirem, foram afectados pela força da paralisação. A greve contou com a
participação dos dois maiores sindicatos do país, o dos funcionários públicos,
sector mais atingido pelas medidas, Adedy e a Confederação dos Trabalhadores (Gsee),
do sector privado. Além das paralisações, vários edifícios do governo foram
invadidos, entre eles os do Ministério do Trabalho, onde uma faixa exigindo o fim
das medidas foi pendurada. Os trabalhadores que ocuparam o ministério organizaram-se
em dois grupos, um deles responsável por barrar a entrada dos funcionários na frente
do Ministério.

A greve teve mais uma vez como efeito a queda das bolsas de inúmeros países. Na Ásia
a queda desta quinta-feira foi a maior em 18 meses, e durante esta semana, apesar do
anúncio do pacote de "auxílio" da Europa à Grécia, o euro caiu para o seu menor
nível em 18 meses. No mês de Fevereiro, o desemprego na Grécia chegou aos 12,1%,
acima dos 11,3% do mês anterior e muito acima dos 9,1% do mesmo mês de há um ano
atrás. Segundo dados oficiais, o número de pessoas empregadas actualmente é de 4,4
milhões, contra os 5 milhões registados em 2009. Perante esta situação, uma nova
reivindicação surgiu: para além da não aplicação dos planos de austeridade, exigem
igualmente medidas de auxílio aos desempregados. Um dos dirigentes da PAME,
principal sindicato ligado ao Partido Comunista no país, afirmou que a organização
não se iria juntar aos manifestantes pois não sabia o que queriam fazer à frente do
Parlamento. Apesar disto, a imprensa grega TO BHMA disse no seu jornal online que
milhares de integrantes do PAME participaram na ocupação do Ministério do Trabalho e
que membros do PAME ocuparam a entrada de uma loja de supermercados aberta durante a
greve. Os manifestantes ligados ao PAME ignoraram a direcção do sindicato, não só
participando na manifestação, como garantindo que outros sectores entrassem em
greve.

Foi denunciado pela imprensa grega Enet.gr e Kathimerini que logo no início das
manifestações, policias escoltaram diversos jovens e mais de 36 foram presos,
simplesmente por os considerarem suspeitos. Além de presas "por prevenção", pessoas
de todas as idades foram abordadas pela polícia e revistadas. 1.500 pessoas foram
identificadas como alegadas responsáveis pela greve, e caso algum "incidente"
ocorresse, os registados seriam presos. Muitos manifestantes foram obrigados a
apresentar documentação. Para além da prova de força dada pelo povo grego, ficou
igualmente claro que os trágicos acontecimentos de 5 de Maio indicam que o caminho a
percorrer pelo movimento antagonista deve ser o de trabalhar na base, a nível de
bairro, com vista à criação de estruturas que neguem a autoridade do estado e do
capital ao nível diário. O surgimento de "Associações de moradores contra o FMI"
constitui, deste ponto de vista, um sinal sem dúvida sinal positivo.

A repressão contra os anarquistas tem sido brutal nestes últimos dias.Em Exarcheia,
a polícia bloqueou dois espaços sociais (Centro Social Nosotros e a sede do Arquivo
anarquista), a fim de impedir as pessoas de se juntarem à manifestação. O cerco
manteve-se por largas horas. As autoridades policiais terão igualmente detido
pessoas por toda a cidade. Um grupo de estudantes da Escola Politécnica foi preso à
saída, na rua Tritis Septemvriou. A última greve geral na Grécia veio reforçar mais
uma vez o interesse numa luta conjunta com os trabalhadores da restante Europa,
também confrontados com o anúncio de inúmeros cortes nos benefícios sociais, aumento
da carga fiscal e ameaça de restrição, a curto prazo, dos direitos laborais.

Editorial do Indymedia ( numa perspectiva anarquista)
http://www.pt.indymedia.org/conteudo/editorial/1468




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