(pt) [Argentina] "Nem Deus, Nem Patrão, Nem Marido"

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Quinta-Feira, 20 de Maio de 2010 - 10:13:36 CEST


[A história de 4 operárias que lançaram um jornal anarcofeminista. Esta é a base do
filme "Nem Deus, Nem Patrão, Nem Marido", de Laura Mañá, que estréia na Argentina em
24 de junho de 2010.]
Sinopse
Quando a polícia rosarina ameaça de morte Virgínia Bolten como represália a seu
discurso anarquista, esta se emigra para Buenos Aires. Uma vez ali, busca refúgio na
casa de Rogelio, um homem de espírito generoso e solidário que foi amigo de seu pai.
Virgínia logo estabelece com Matilde, uma mulher também anarquista que leva a cabo
sua militância em uma fábrica de fiação, propriedade de Genaro Volpone.
Este encontro se produz quando na fiação estoura um conflito pela demissão de uma
das operárias. É nessa ocasião, a presença de Virgínia é decisiva para levar adiante
o protesto. Ainda que as medidas de força não alcancem seus objetivos, como
conseqüência da mesma se constitui um grupo que, junto a Virgínia, tentará tornar
realidade um velho projeto desta: a edição de um periódico anarquista em que a voz
da mulher ressoe com uma firmeza e contundência inédita para a época.

Depois de se salvar de vários revés, o periódico La Voz de la Mujer ganha as ruas,
convertendo-se no primeiro na América Latina que englobou as idéias
comunistas-anarquistas e feministas.

A fortaleza da personalidade de Bolten transcendeu os limites da cidade: ela
encabeçou a primeira comemoração e marcha pelo 1º de Maio, em 1890.

Ficha artística

Maria Alche, Alejandra Darin, Ulises Dumont, Daniel Fanego, Ana Fernandez, Agatha
Fresco, Joaquin Furriel, Esther Goris, Jorge Marrale, Laura Novoa, Eugenia Tobal.

Ficha técnica

Dirigida por Laura Maña; Roteiro: Graciela Maglie e Esther Goris; Diretor de
produção: Facundo Ramilo; Fotografia: Oscar Perez; Som: Jorge Stavropulos; Música
original: Mauro Lázzaro; Edição: Frank Gutiérrez; Vestuário: Graciela Gaján;
Produtor executivo: Alejandra Brandan (Arg), Maria Jose Poblador (Esp); Produção
Geral: Fernando Sokolowicz, Maria Jose Poblador, Claudio Corbelli.

Uma produção de San Luis Cine, Cinema Uno e Luna Films em co-produção com FELEI
Cooperativa Ltda., Fundación C&M e Aleph Media com apoio de INCAA, ICAA e
Generalitat de Catalunha. Distribuição: Primer Plano Film Group S.A.

A respeito de Virginia Bolten

Era filha de um vendedor ambulante alemão. Trabalhou em uma fábrica de sapatos e
logo na empresa açucareira Refinaria Argentina de Rosário. Casou-se com um
anarquista uruguaio de sobrenome Márquez, ativista no grêmio de sapateiros.

Em 1° de Maio de 1890, encabeçou a primeira manifestação pelo 1° de Maio em
comemoração aos Mártires de Chicago, levantando uma bandeira negra em letras
vermelhas com os escritos: "1° de Maio, Fraternidade Universal". Logo depois de
pronunciar um discurso revolucionário e difundir propaganda anarquista aos
trabalhadores em frente da Refinaria Argentina, é detida sob a acusação de atentar
contra a ordem social. Foi a primeira mulher oradora em uma concentração operária.

Durante 1896/1897 editou o primeiro periódico anarcofeminista La Voz de la Mujer,
cujo lema era "Nem Deus, nem patrão, nem marido". Neste periódico se divulgam os
ideais do comunismo libertários, as injustiças contra os trabalhadores e em especial
contra as mulheres. Também colaborou nas páginas do jornal La Protesta.

Participou como oradora em atos anarquistas em cidades como San Nicolás de los
Arroyos, Campana, Tandil y Mendoza. Em novembro de 1900 foi presa junto a Teresa
Marchisio e outros quatro anarquistas por organizar uma contramarcha em repúdio à
procissão católica da Virgen de la Roca, em Rosário. Também organizou a "Casa del
Pueblo" junto a outros anarquistas, realizando eventos políticos-culturais, debates,
discussões, leitura de poesia e teatro para os operários. Em 20 de outubro de 1901
foi presa por distribuir propaganda anarquista nas portas da Refinaria Argentina
durante um conflito em que morreu pela repressão policial o operário Cosme
Budislavich. Em 1902 participou de uma manifestação em Montevidéu no 1° de Maio, e
como oradora denunciou a Lei de Residência Argentina e a repressão ao movimento
operário. Este ano participou também de um ato do Sindicato Portuário no teatro San
Martín. Em 1904 voltou a Buenos Aires e formou parte do Comitê de Greve Feminino
organizado pela Federação Operária Argentina, mobilizando aos trabalhadores do
Mercado de Frutos de Buenos Aires. Essas febris atividades causaram em Virginia
Bolten problemas de saúde; seus companheiros do grupo de teatro Germinal iniciaram
uma coleta em seu benefício. Em 1905 foi novamente presa e seu companheiro Márquez
foi deportado ao Uruguai, aplicando-se a Lei de Residência.

Em 1907, participou na greve de inquilinos como parte do "Centro Feminino
Anarquista", razão pela qual se aplicou a Lei de Residência e foi expulsa para o
Uruguai, sendo Montevidéu seu lugar de radicação definitiva. Sua casa se converteu
em uma base de operações dos anarquistas deportados da Argentina. No Uruguai se
reuniu com sua família, composta por Márquez e seus filhos pequenos. Em 1909
colaborou com o periódico anarcofeminista dirigido por Juana Rouco Buela, La Nueva
Senda (1909-1910). Em Montevidéu organizou protestos pela brutal repressão ao 1° de
Maio de 1909 em Buenos Aires, onde as forças policiais de Ramón Falcón assassinaram
cerca de uma dezena de operários. Também participou da campanha a favor do pedagogo
Francisco Ferrer y Guardia, fusilado en Montjuich em 1911. Neste ano trabalhou na
Associação Feminina - Emancipación, organizando as mulheres anticlericais, a
operadoras telefônicas (em sua maioria mulheres) e ativa contra as sufragistas
femininas.

Formou parte do grupo que apoiou o anarco-battlismo junto a Francisco Berri, Adrian
Zamboni y Orsini Bertan (anarquistas que apoiavam ao regime do presidente reformista
Battle y Ordóñez, que laicizou o estado e a repartição pública, além de nacionalizar
empresas de capitais estrangeiros). Durante este processo, o anarquismo perdeu apoio
popular e ganhou preponderância o Partido Socialista do Uruguai. Durante 1913 o
periódico do partido, chamado El Socialista, atacou fortemente a Bolten e seu grupo,
acusando-las de trair ao movimento operário.

Nos últimos anos de sua vida integrou o Centro Internacional de Estudos Sociais, uma
associação  libertária de Montevidéu durante 1923. Segundo se crê, continuou vivendo
no bairro de Manga, em Montevidéu até sua morte, ao redor de 1960.

Virginia Bolten foi apelidada a "Louise Michel rosarina".

Fonte: http://es.wikipedia.org/wiki/Virginia_Bolten

Sobre a diretora

Laura Maña, nasceu em Barcelona, Catalunha, Espanha, em 12 de janeiro de 1968. É
atriz e diretora de cinema.

Biofilmografia

Como Diretora: La vida empieza hoy - A vida começa hoje (2008); Ni Dios, ni patrón
ni marido - Nem Deus, nem patrão, nem marido (2007); Morir en San Hilario - Morrer
em San Hilário (2005); Palabras encadenadas - Palavras acorrentadas (2003); Sexo por
compasión - Sexo por compaixão (2000); Paraules (1997).

Como Atriz: Romasanta (2004); Trece campanadas - Treze Badaladas; Nowhere;
Libertarias (1996); Pizza Arrabbiata (1995); La Teta y la luna - A teta e a lua
(1994); Lolita al desnudo - Lolita descoberta (1991).

agência de notícias anarquistas-ana

Um cão sonolento
esticou as patas
e soltou um vento

Eugénia Tabosa



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