(pt) [Cuba] Gritos libertários no 1º de Maio em Havana

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Terça-Feira, 18 de Maio de 2010 - 17:18:19 CEST


Coletivos da Rede Protagonista Observatório Crítico, junto a outros grupos
solidários, desfilaram neste sábado, 1º de Maio, na Praça da Revolução, apesar dos
frustrados intuitos da burocracia estatal para impedir que semelhante coisa
acontecesse. Este tipo de manifestação, para nós, tem o honroso precedente de outras
similares, como aquela parcialmente bloqueada em 2008, em que havia slogans
ecologistas e socialistas autogestionários na manifestação pelo 1º de Maio daquele
ano. Nos anos seguintes reeditou-se aquela iniciativa.
O nosso grupo, composto por umas 25 pessoas, inseriu-se de maneira discreta no meio
do bloco dos vizinhos do Cerro. A rumba que formamos foi acolhida com alegria pelos
que nos rodeavam e assim avançamos junto à multidão que assistia ao desfile.

Mais adiante, quando empunhamos os cartazes que havíamos preparado, muitos se
aproximaram e perguntavam quem éramos, o que significavam os cartazes.

Entre os curiosos estavam simples camponeses interessados e outros cujos olhares
desconfiados e de modo autoritário revelavam facilmente quem eram... A vários
entregamos um comunicado que dizia o seguinte:

"A Rede Protagonista OBSERVATÓRIO CRÍTICO é constituída por projetos socioculturais
que a partir de uma rede de coletivos autogestionários contribuem para o
desenvolvimento de conteúdos libertadores e populares latentes na sociedade cubana.
Investigadores, críticos, professores, artistas, promotores culturais, ativistas
comunitários, comunicadores, integrantes de movimentos emergentes e ativistas de
projetos socioculturais compartilham um espaço de diversidade, diálogo e
protagonismo solidário para analisar e articular vivências, práticas e saberes
liberadores nos atuais cenários de Cuba e do planeta, assim reivindicando
alternativas culturais liberadoras que enfrentem as alienações capitalistas,
autoritárias e coloniais."

"Nossos slogans para este 1º de Maio são: Lucha tu yuca, taíno / Socialismo es
democracia. Pal latón la burrocracia / Socialismo de verdad. Paz, amor y libertad /
@"

Na realidade, a nota não era muito rigorosa, pois existiam várias pessoas que se
juntaram à nossa marcha e que pertencem a grupos diversos, com modo de agir e
perspectivas afins, embora próprias. Para, além disso, por questões de recursos e
tempo, a faixa "Socialismo de verdade. Paz, amor e liberdade" não foi feito. Já o
temos previsto para outros desfiles.

As faixas foram sendo erguidas à medida que encontrávamos "policiais mais idôneos",
de maneira que quando alcançamos o início da Praça da Revolução, as faixas já podiam
ser vistas por grande número de pessoas que nos contornavam. Durante boa parte do
trajeto estiveram voltadas para o povo (verdadeiro interlocutor do Observatório
Crítico) que vinha justamente atrás e enchia as laterais.

Depois de passada a meta final, quando os coletivos de trabalhadores já iam se
dispersando, o nosso grupo reencontrou-se num parque ao lado da Praça e intensificou
a sua rumba (que na realidade passava de rumba a conga... de conga a samba... e
assim, numa mistura delirante, passando por quanto gênero respondera ao repique dos
tambores e baquetas).

Ali, com as faixas estendidas sobre a grama, foram se reunindo pessoas que,
esquecendo o esgotamento da marcha, responderam espontaneamente ao chamado da música
e da alegria. Jovens estudantes de desporto, do ensino secundário básico, dos
tecnológicos, etc... dançaram e cantaram ao ritmo que levavam especialmente dois
membros do Observatório Crítico, que se revelaram a todos como grandes
percussionistas e a quem premiamos com fortes aplausos.

Levar uma mensagem autêntica, que conseguisse pôr-nos a comunicar verdadeiramente
com quem vive a mesma vida simples e dura que nós, que levasse uma proposta positiva
e que transcendesse o formal passeio até a Praça, eram alguns dos principais
objetivos do Observatório Critico. E sentimo-nos satisfeitos de termos conseguido.

Uma semana antes, numa das reuniões regulares de vídeo-debate do Observatório,
membros da Cátedra Haydée Santamaría abordaram os antecedentes libertários do1º de
Maio e foram recordados aqueles trabalhadores que hoje são símbolo de resistência
ativa a nível mundial. Cabe aqui frisar que justamente a nossa marcha também tinha
essa intenção, homenagear esses anarquistas.

Obrigado a todos e a todas que participaram e aos que estavam conosco em espírito (e
agonia), e que não puderam chegar. Obrigado aos que desejam fazer, aos que nos dirão
que não é suficiente assim como aos que sem querer tentam deter-nos. Em algum espaço
do futuro estaremos todos juntos.

Isabel Diaz Torres

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana

A chuva tardia
deixou perfumes de terra
nas ruas molhadas.

Humberto del Maestro



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