(pt) [Portugal] Começa na sexta a terceira edição da Feira do Livro Anarquista de Lisboa

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Terça-Feira, 18 de Maio de 2010 - 17:14:53 CEST


[Livros, jornais, revistas, folhetos, camisetas, vídeos, CDs, exposições, conversas,
som acústico, comes e bebes, entretenimento... Isso e muito mais é o que promete a
3ª Feira do Livro Anarquista de Lisboa, que ocorre a partir da próxima sexta-feira e
vai até domingo. Confira abaixo a programação.]
[Sexta-feira (21), das 16h às 23h]
17h30: Apresentação do filme "Bombs, blood and Capital" (75m) seguido de conversa
sobre as lutas na Itália nos anos 70.
Um olhar geral e análise crítica sobre o movimento na Itália que irrompeu após as
bombas na Piazza Fontana e o assassinato às mãos da polícia do companheiro Pinelli,
em Milão, em Dezembro de 1969.

A repressão estatal daqueles anos ficou conhecida como estratégia de tensão,
destinada a acalmar e despedaçar o ímpeto do movimento de trabalhadores, cuja
resistência se expressava numa onda de greves selvagens que muitas vezes se
transformavam em motins incontroláveis e imprevisíveis.

À parte de toda a recuperação que se fazia por sindicatos e partidos de esquerda,
existiam outros grupos com uma total recusa do Estado e da democracia, que escolhiam
formas de luta mais radicais, que incluíam críticas ao cotidiano e uma prática de
luta armada.

20h: Jantarada.

21h30: Passagem do filme "Squat Wars" com a presença do autor, seguido de debate
sobre os movimentos de ocupação e o anarquismo.

"Squat Wars é um pequeno documentário sobre o movimento okupa em Praga. O filme foca
a história das duas okupações mais conhecidas na República Checa, a Landroka
(despejada em 2000), a Milada (despejada no último Verão) e a Zenklovka, que
antecedeu esta última. A história é desenhada através de entrevistas com antigos
habitantes e material de arquivo (fotos e vídeos)." Duração: 27 minutos. Linguagem:
Checo, com legendas em Inglês.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=fzbvWOD_nZQ

A passagem do filme servirá de mote para um debate sobre a forma como os movimentos
de ocupação estão relacionados com o anarquismo e de como esses movimentos poderão
ser relevantes enquanto tática para a obtenção de espaços para atividades
anarquistas nos dias de hoje.

[Sábado (22), das 14h às 23h]

15h: Apresentação do Grupo Surrealista de Madri e do livro "Qué hay de nuevo, viejo?
Textos e declaraciones del Movimiento Surrealista dos Estados Unidos (1967-1999)"
pelo Grupo Surrealista de Madri e pelo Grupo Editorial Pepitas de Calabaza, seguido
de uma apresentação da atividade surrealista até aos dias de hoje.

A partir da apresentação do livro "¿Qué hay de nuevo, viejo? Textos y declaraciones
del Movimiento Surrealista de los Estados Unidos (1967-1999)" do Grupo Surrealista
de Madri editado na Espanha pelo Grupo Editorial Pepitas de Calabaza, e da
apresentação da revista Salamandra editada pelo Grupo Surrealista de Madri, irá
passar-se em revista aquela que tem sido a atividade surrealista dos anos 60 até aos
dias de hoje, sempre com uma atitude crítica e de incontestável rebeldia. A
apresentação estará a cargo do Grupo Editorial Pepitas de Calabaza e do Grupo
Surrealista de Madri.

17h: "Do erótico e o anarquista": Conversa-Colóquio.

Desfrutar do prazer aprendendo do passado: análise das contribuições
teórico-práticas a partir das posturas revolucionárias que foram influenciar as
diferentes vivências sexuais e eróticas.

Pretendemos criar o hábito de falar destas questões, acostumarmo-nos a fazê-lo e, se
for necessário, dedicar tempo e esforço a reuniões específicas que versem sobre o
erótico e o sexual. Definitivamente, trata-se de romper com temas tabus nos nossos
meios de convivência anárquica. Deste modo, pretendemos refletir sobre questões que
são freqüentemente tomadas como dado adquirido sem que tenham ficado completamente
claras.

Não procuramos a verdade, mas sim evitar o dogma e a injustiça. Pretendemos
questionar as normativas existentes para poder criar um caminho próprio. Em última
instância, o objetivo final será tentar promover uma atitude positiva em relação à
sexualidade e ao erotismo, não mediada pelo medo e sim por todo o potencial que
possuímos como animais sexuados, sensíveis e sensuais, que somos. Deixar de nos
percebermos, nós próprios, associados ao perigo e construirmo-nos como autênticas
fontes de prazer.

19h: Apresentação dos livros "El Educador Mercenario" e "La Escuela y la Bala",
seguido de debate com a presença do autor Pedro Garcia Olivo.

A partir da apresentação dos livros "El Educador Mercenario" e "La Escuela y la
Bala", esboçar-se-ão duas modalidades de transmissão de saber que radicalmente se
confrontam: de um lado, a escola de origem ocidental, instância de reprodução de uma
sociedade fraturada e de uma ordem política opressiva; do outro, a educação
comunitária indígena, forma socializadora e moralizadora que corresponde a uma
organização igualitária, "comunalista" desde o ponto de vista econômico e
visceralmente democrática no político. O "El Educador Mercenario" centra-se na forma
ocidental do Confinamento Educativo, enquanto que o "La Escuela y la Bala" aborda o
horizonte sócio-político e o conteúdo da educação "que se respira", sem
encerramento, sem professores, sem exames... A opressão social e política exige a
Escola para se sustentar, do mesmo modo que o igualitarismo indígena e as suas
práticas de democracia direta expressam-se em modalidades informais de educação
comunitária. Entre estas duas propostas trava-se hoje um confronto dramático, no
qual a Escola leva vantagem, pois acompanha indefectivelmente a globalização
capitalista e a universalização da democracia liberal.

20h30: Jantar Gang do Avental.

21h30: Concerto acústico TODO O NADA.

[Domingo (23), das 14h às 22h]

15h: Conversa "A Nato [Otan] nos tempos que correm e aquilo que temos a dizer".

Sobre A NATO nos tempos que correm e aquilo que temos a dizer. O que representa hoje
a tropa do Império Ocidental? Que relação estratégica a liga ao capitalismo global e
quais os conflitos latentes em cima da mesa? Que novos objetivos se propõe, que
ameaças faz pesar sobre nós?

Que exigências se colocam a uma presença libertária que não amplifique a
fundamentação midiática da escalada de morte?

17h: Conversa sobre "A Memória Anticapitalista: Grupos Autônomos e a luta
anticapitalista no Estado Espanhol nos anos 70 e 80.

"Nunca compreenderemos o passado se não somos capazes de sabotar todas as
mistificações do presente." (Miguel Amorós)

Considerando a autonomia, ou os grupos autônomos, como um tema importante para levar
a debate, a apresentação do livro "Por la Memoria Anticapitalista" pretende
recuperar, à margem do capital e da historiografia do poder, as bases originais
históricas de tais grupos, assim como o seu desenvolvimento e ação, reflexionando
também sobre as suas vantagens e limitações.

Tudo isto num contexto e tempo limitado. Tomando como ponto de partida a gênese e o
auge da autonomia operária do estado espanhol desde o ano de 1970 até 1976, este
livro tenta trazer à luz alguns dos grupos autônomos de ação antifranquistas e,
sobretudo, anticapitalistas que atuaram no estado espanhol e na França. Alguns
desses grupos são: MIL- GAC (Movimiento Iberico de Liberacion-Grupos autonomos de
Combate); GARI (Grupos de Accion Revolucionaria Internacionalista); GRUPOS AUTONOMOS
de Valencia; GRUPOS AUTONOMOS ANTICAPITALISTAS de Euskalerria/ ACCTION DIRECTE;
COPEL (Cordinadora de presos en lucha de Madri).

Concluindo, trata-se de um exercício de memória e reconstrução histórica que vai
desde os inícios dos anos 70 (começa as atividades do MIL) até 87 (caída do grupo
francês Action Directe). Uma história contada pelos seus verdadeiros protagonistas.

19h: Conversa sobre A. Bonano, C. Stratigopolos e não só


Alfredo Bonanno e Christos Statigopoulos são dois anarquistas presos na Grécia
acusados de um assalto a um banco. Primeiramente detidos na prisão de Amfissa, foram
posteriormente transferidos para a prisão de Korydallos, em Atenas.

Esta conversa pretende não só dar a conhecer a situação atual dos companheiros,
principalmente a de A. Bonanno, cuja permanência na prisão é um ato de vingança
clara do estado sobre um inimigo declarado e que está a provocar um perigoso
agravamento do estado de saúde do companheiro; mas também a de outros companheiros
aprisionados pelo estado grego e não só...

21h: Comezaina

+ Exposições de cartazes.

+ Bancas de livros e materiais.

Local: BOESG- Biblioteca dos Operários ou Biblioteca e Observatório dos Estragos da
Sociedade Globalizada. R. das Janelas Verdes, 13-1ºesq. - Santos, Lisboa. Entrada
franca. Este ano os cães não poderão entrar.

Mais infos: feiradolivroanarquista.blogspot.com

Contato: feiradolivroanarquista  gmail.com

agência de notícias anarquistas-ana

Bananeiras
na beira da cerca.
Cachos de sol.

Tânia Diniz



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