(pt) [Reino Unido] Restaurante Rebelde de Bristol tem entrada mais cobiçada da cidade

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Segunda-Feira, 15 de Março de 2010 - 19:45:04 CET


Clientes estão fazendo filas para experimentar um jantar perfeito em um
squat com cadeiras emprestadas onde pagam o quanto desejam pagar.
Passando entre cortinas escarlates você chega a uma sala de jantar
iluminada suavemente com velas e decorada com fotografias em preto e
branco. Uma equipe muito atenciosa aguarda para servir deliciosos pratos
sul-americanos para uma jovem e agradável clientela.
Mas este não é um restaurante comum. É um “restaurante rebelde” dirigido
por um coletivo anarquista que na noite passada abriu suas portas em um
prédio ocupado em Bristol e continuará a dar as boas vindas às pessoas até
sábado, antes de desaparecer no espaço.
A idéia é desafiar o modelo convencional de restaurante de cobrar o tanto
quanto possível pelo mínimo, podendo se safar impunemente e com a equipe
recebendo um salário próximo ao nada.
Aqui o coletivo – chefs profissionais e amadores, garçons e barmans – se
reuniu para brevemente administrar o melhor restaurante possível pelo amor
de fazê-lo, pedindo e emprestando tudo, da cutelaria, potes e panelas às
cadeiras e mesas. Esta é uma experiência sem fins lucrativos – no final de
cada refeição o cliente paga o quanto ele acha que vale a refeição, nada
mais, e o dinheiro é reinvestido no projeto.
E isto está funcionando. O restaurante é um dos lugares mais cobiçados em
Bristol. A notícia se espalhou, e ficou lotado antes mesmo de o grupo
enviar seus folhetos de propaganda.
O coletivo pediu ao Guardian para não revelar o local ou o nome do
restaurante – não porque estavam preocupados com as autoridades, mas
porque temiam que pudesse ser inundado por supostos clientes.
“Eu fiquei surpresa com a reação das pessoas”, disse Lady Hop, membro da
equipe da sala de jantar . “Parece que isto realmente pegou a imaginação
das pessoas. A idéia é de trabalhar coletivamente e ver o que você pode
criar em quatro noites”.
O restaurante rebelde está escondido atrás de uma porta brilhante em um
velho prédio de tijolos vermelhos. Bata forte e um “porteiro” benevolente
em uma jaqueta de aviador com um “anticapitalista” escrito nas costas irá
abrir a porta.
Um maitre (o que provavelmente não é o termo que um coletivo anarquista
usaria) cumprimenta os hóspedes e os apresenta à sala de estar, onde – e
este é provavelmente o maior choque – é permitido que as pessoas fumem.
Após um lance de escada decorada com peças de arte moderna está a sala de
jantar. Os fios elétricos discretamente enrolados ao redor dos balaustres
é uma grande dica de que este não é um restaurante convencional.
No andar superior uma equipe de cozinheiros-chefes colombianos está
cozinhando sopas, guisado de peixe e “bandeja paisa” em uma cozinha
temporária. Não há nenhuma figura alá Gordon Ramsay encarregada aqui. O
maitre explica a estrutura. “Cozinhas e serviços industriais são
estruturas muito hierárquicas. A imagem clássica é a do cozinheiro-chefe
vociferando ordens”.
“Organizamo-nos horizontalmente, não há nenhum líder entre nós. Uma
interpretação errada sobre o anarquismo é de que não há líderes. Acho que
isso tem mais a ver com cada um tomando uma liderança em alguma coisa que
está sendo feita. Este é um sonho compartilhado de muitas pessoas”.
Cada noite é um chef diferente e um novo cardápio é criado do zero.
Na sala de jantar, alguns dos convidados foram para fazer desta noite uma
noite especial. Um estava usando uma cartola, gravata borboleta branca e
fraque. Outro optou por um chapéu de feltro verde enfeitado com flores de
plástico de loja de segunda-mão.
Juan disse: “Isto dá a sensação de algo único. Há uma filosofia por trás
disto. Este projeto é feito pelo amor de fazê-lo. Quando você vai a
qualquer lugar com este tipo de aproximação você se sente mais aquecido,
há uma ligação. Todo mundo está dando o melhor de si”.
Shonette disse que esta é uma noite muito boa para ela porque receberá seu
salário no dia seguinte. “Acho que um monte de pessoas paga horrores nos
restaurantes. Você não deveria pagar 40 libras somente para curtir a
alimentação”.
De volta ao andar de baixo, Lady Hop disse que o grupo espera repetir a
experiência em algum outro lugar em breve. “Este é um teste, um
experimento. Veremos como sairá. Se for um sucesso poderemos repeti-lo em
alguns meses”.
“Cada prédio tem uma característica diferente, cada época do ano é
diferente, é legal não ser forçado a abrir todo o tempo”.
E ela saiu para encontrar e cumprimentar o próximo grupo de convidados
que, por ao menos uma noite, estarão distantes das cadeias de pizzarias e
“gastropubs”.
Fonte: The Guardian
Tradução > Marcelo Yokoi
agência de notícias anarquistas-ana


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