(pt) [Espanha] Fala Alfonso Alvarez , secretário-geral da CNT

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Terça-Feira, 21 de Dezembro de 2010 - 09:51:20 CET


O X Congresso da CNT foi finalizado. Entrevistamos o novo secretário-geral
Alfonso Alvarez-

Pergunta > Como você se aproximou das idéias anarquistas?

Resposta < Através do meu pai e seus amigos. Meu pai foi miliciano, com 20
anos. Ele esteve na guerra e então passou mais três anos num campo de
concentração, em Algeciras. Em seguida, ele voltou a trabalhar no campo,
em Fernan Nuñez. Nessa cidade, a implantação da CNT sempre foi forte e daí
vem a minha influência - de estar presente nas discussões que surgiam
entre os companheiros.

Pergunta > Qual é a sua trajetória na CNT?

Resposta < Sou filiado a CNT desde a primavera de 1977. Com 18 anos
testemunhei uma das últimas greves, como a greve da construção de Córdoba.
Lá eu me iniciei nas lutas operárias. Aos 23 anos comecei a trabalhar de
forma autônoma como motorista, e participei ativamente em algumas greves
de transportes. Também participei nas greves do campo em Pedrera e Fernan
Nuñez. Foi nesta cidade, neste sindicato onde eu militei até o ano de
1992, e logo o sindicato de Córdoba. Eu tenho 19 anos como motorista na
empresa de ônibus urbanos de Córdoba. Ali temos uma seção sindical com uma
atividade importante, mas tentamos sempre que se torne maior. Neste setor,
algumas das referências que temos é a dura luta que ocorreu na greve geral
da EMT, de Madri. O transporte é um setor especial, com muita
desorganização e muitos sindicatos pequenos. Esta é uma estratégia do
poder, que por ser assim, um setor-chave, pode paralisar o país e é,
portanto, conveniente que ele seja desorganizado. Aqui, em Córdoba, na
última greve de 29-S, conseguimos paralisá-lo e, como resultado, a greve
foi um sucesso, quebrando a estratégia do Comitê de Empresa que já tinha
acordado os serviços mínimos.

Pergunta > Em quantos congressos da CNT você foi?

Resposta < Eu estive no Congresso de Bilbao, Granada, Perlora e este de
Córdoba.

Pergunta > Qual é a sua opinião sobre este Congresso?

Resposta < Neste Congresso foi reproduzida as tensões internas na
Andaluzia, mas no geral acho que o Congresso tem sido muito bom e espero
que se corrijam essas divisões. Com os acordos que temos feito, temos
visto que não há espaço para o reformismo na CNT. Além disso, acho que
devemos voltar à CNT de 1910, aquela que tinha claro as linhas básicas de
independência econômica, a horizontalidade e o assembleísmo, a ação
direta, ter os meios de produção... sem que tivesse que se chamar como
anarquistas, porque eles já o eram na prática. Nesse sentido, não somos o
que dizemos, mas o que fazemos.

Pergunta > Como você vê a CNT neste momento?

Resposta < Eu a vejo num bom momento, onde há muitos sindicatos que têm
crescido, com um trabalho constante. No aspecto sindical, estamos fazendo
uma importante defesa dos trabalhadores, onde tentamos e estamos
conseguindo, em casos como no caso de Córdoba, que muitos trabalhadores
que vêm ao sindicato pelos seus problemas individuais de trabalho, não vem
consultar só às queixas específicas, mas para analisar a possibilidade de
criar conflitos. Para isso, temos de estar constantemente na rua e todos
os novos filiados que chegam para os sindicatos vão se formando. Nesse
sentido, muitos dos novos trabalhadores que entram vão ficando e começam a
militar, e assim tem sido sempre, em todas as épocas da CNT.

agência de notícias anarquistas-ana




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