(pt) [Grécia] Luta pela liberdade e contra o Estado terrorist a

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Quarta-Feira, 8 de Dezembro de 2010 - 04:31:34 CET


[Os acontecimentos de 6 dezembro de 2010 e o plano de repressão sem
precedentes na Grécia. Ações de solidariedade no exterior.]
Atenas A manifestação estudantil no período da manhã: Desde as primeiras
horas da manhã, em vários bairros atenienses, aconteceram concentrações e
manifestações espontâneas, com o objetivo de chegar até ao Propileo da
velha Universidade, no centro de Atenas (lugar do início da manifestação
dos alunos do ensino médio), anulando assim, de maneira ativa, a abstenção
de 3 horas de aulas que havia sido convocada, transformando-a em uma
abstenção total.
As concentrações foram realizadas no bairro de Peristeri (onde os
estudantes atacaram a delegacia do bairro e destruíram um carro de
polícia); no bairro de Nea Filadélfia, em Egaleo, cerca de 200 estudantes
ocuparam as ruas centrais do bairro e foram até a delegacia. Houve
confrontos corpo a corpo com a polícia, quando ela tentou deter alguns
alunos. No bairro de Koridalós houve muita tensão do lado de fora das
prisões, lá aconteceram três detenções. Em seguida, uma manifestação de
solidariedade foi para a delegacia, onde os estudantes atacaram os agentes
antidistúrbios MAT. Outra manifestação de cerca de 150 alunos se dirigiu
ao centro de Atenas a partir do bairro Psijikó, enquanto várias
manifestações marchavam ao mesmo tempo desde os subúrbios do norte de
Atenas. Outra manifestação de aproximadamente 200 estudantes chegou ao
Propileo desde os colégios dos bairros de Exarchia.
A manifestação começou com a participação de mais de 5.000 alunos,
contudo, mais pessoas foram se incorporando à manifestação, uma vez
iniciada. Os alunos desde o início mostraram suas intenções, atacando
bancos, câmaras de vigilância e lojas de luxo ao longo do caminho. Na rua
Stadíu, houve confrontos com os agentes antidistúrbios MAT, que resultou
na dispersão de muitas pessoas nas ruas próximas.
Em várias ocasiões, ataques organizados dos alunos foram capazes de
repelir a milicada. Os confrontos continuaram na Praça da Constituição
(onde fica o Parlamento grego), novamente com os ataques contra os agentes
antidistúrbios e contra o luxuoso hotel "Grand Bretagne". A polícia de
choque respondeu fazendo uso pesado de gás lacrimogêneo e granadas de
ruído e brilho.
A manifestação terminou no Propileo da velha Universidade, onde muitas
pessoas ficaram para participar novamente do protesto que aconteceria à
tarde. Vale ressaltar que os alunos não ficaram amedrontados nem com a
presença da policia nem com a histeria midiática de terror, pelo
contrário, enfrentaram a polícia, sendo os primeiros que indicaram o
caminho.
A manifestação vespertina estava programada para às 16h. O centro da
cidade estava bloqueado. Foi imposto um toque de recolher. A boca da
estação de metrô do Propileo lugar da concentração e do início da marcha -
estava fechada. Policiais de todos os tipos e da polícia secreta estavam
espalhados por toda parte. Helicópteros da polícia estavam sobrevoando
nossas cabeças. No entanto, o fluxo de pessoas era grande, inclusive de
grandes blocos de alunos. Um pouco antes das 16h alguns manifestantes
atacaram uns agentes secretos que tentaram infiltrar-se na manifestação.
Os confrontos com a polícia antidistúrbio continuavam. A polícia de
choque investia com tudo contra os manifestantes que estavam concentrados,
fazendo uso de produtos químicos, novamente violando o asilo do Propileo.
É óbvio que o plano da polícia era empurrar os manifestantes concentrados
para iniciar a marcha sem a participação da maioria das pessoas, que ainda
 não tinham chegado ao Propileo. O objetivo final do Estado era impedir
que os blocos se aproximassem, de forma coerente e unida, ao local do
assassinato de Alexis Grigoropoulos, em Exarchia, como se esperava uma
vez finalizada a manifestação. Na verdade, proibiram o início da marcha,
porque, talvez, pela primeira vez uma concentração é reprimida antes do
começo de uma marcha. É claro que as autoridades pretendem, através da
mídia controlada, transmitir a sociedade uma realidade virtual, muito
diferente do que vivemos nas ruas. Nestas táticas policiais provocativas
sem precedentes está refletido o medo dos governantes pela revolta social
generalizada.
Grandes grupos antidistúrbios se alinharam as duas laterais da
manifestação. Houve embates contínuos envolvendo o uso excessivo de
produtos químicos por parte da polícia, que pulverizaram os manifestantes
muito de perto. Os manifestantes seguem em frente, apesar dos esforços da
milicada em reprimi-los, e a marcha não se dissolve. A cabeça da marcha
chegou ao ponto de partida, o Propileo, onde se junta grande parte dos
manifestantes que chegaram após o início forçado da marcha.
[...]
Segue a investida dos esquadrões com granadas de efeito moral e com muito
gás lacrimogêneo. Então, não hesitam em espancar as pessoas - a maioria
estudantes. Enquanto a maior parte da marcha ruma ao Propeleo, fechando o
percurso, vários manifestantes, a maioria estudantes, são perseguidos pela
 polícia, eles entram na estação de metrô da Praça da Constituição, onde
por muito tempo azucrinam seus caçadores, gritando palavras de ordem
dentro da estação e com os esquadrões alinhados em frente deles. Apenas
os esquadrões saem da estação, os manifestantes os atacaram furiosamente,
desafiando a superioridade numérica e de armamentos dos capangas naquele
momento. Os slogans "Milicada, porcos, assassinos" e "Os policiais não
são os filhos dos trabalhadores, são os cães adestrados dos patrões" são
gritados pelos jovens manifestantes. Nada deste episódio foi transmitido
por qualquer meio de desinformação. [..]Tampouco isto saiu nos
noticiários televisivos, que só falava de "ferimentos num cidadão por
arruaceiros”.
Na área do Propileo os destroços foram limitados. A maioria das lojas,
bancos, etc., estavam com as portas fechadas. A polícia violou novamente o
asilo e começou a perseguir os manifestantes que ficaram lá. A maioria dos
manifestantes vai para o vizinho bairro de Exarchia, que é cercada por
policiais, secretas e os fascistas.
Outro grupo ocupa a Escola Politécnica, passando pelas grades da polícia e
dos paramilitares. Às 21h está programada uma concentração no local onde
na noite de 6 de dezembro de 2008, dois policiais mataram Alexis
Grigoropoulos, de 15 anos de idade. Desde às 19h já havia gente reunida no
local do assassinato. Por mais de três horas, a polícia atacou as pessoas
que se reuniram em Exarchia, invadindo locais, causando graves lesões,
provocando, ultrajando, apavorando, fazendo uso excessivo de bombas de gás
lacrimogêneo e invasões em massa, detenções e prisões preventivas.
Novamente, o plano da ditadura  fracassará. As pessoas, apesar das
substâncias químicas e do terrorismo, ficaram no ponto do assassinato,
gritando slogans e os nomes dos lutadores na luta social, mortos pelas
forças da repressão. Em seguida, é organizada uma marcha até a Escola
Politécnica ocupada. Os policiais investem contra a marcha e destroem uma
parte do monumento a Alexis. Há uma verdadeira luta para expulsar os
milicos do ponto do assassinato. Há batalhas de rua por mais de duas horas
em todo o bairro de Exarchia, sob uma espessa nuvem de produtos químicos e
gás lacrimogêneo. Até a madrugada de terça-feira, 7 de dezembro, os
ocupantes da Escola Politécnico ficaram sob o cerco sufocante da polícia e
dos fascistas. Houve aproximadamente 98 detenções preventivas e 44 prisões
pelos incidentes de hoje. Muitos foram feridos pelas atrocidades da
polícia.
O que aconteceu em Atenas, em 6 de dezembro de 2010 (invasões da Brigada
"Αnti"terrorista, prisões, as novas ordens em várias cidades da
Grécia) e, que deliberadamente foi precedida apenas alguns dias antes,
justifica plenamente a caracterização de guerra da selvagem ofensiva
desencadeada pela ditadura e seus agentes contra a sociedade. Uma guerra a
nível comunicativo, ideológico/classista e operacional-militar. A luta
contra a violência do poder, pela liberdade e a emancipação social, a
partir de agora deve ser coordenada e organizada em todos os níveis
mencionados.
Tessalónica
Da mesma forma que as medidas precedentes em Atenas, a polícia havia
declarado um toque de recolher no centro da cidade. Na marcha da manhã,
estudantes de mais de 60 escolas realizaram uma sentada no Ministério da
Macedônia e Tracia, e continuaram a marcha até o centro da cidade. Na
manifestação combativa à tarde, envolvendo mais de 3.000 pessoas, foi
atacado um posto policial em um ministério e uma equipe de jornalistas de
televisão; os manifestantes entraram em confronto com a polícia e
foram realizadas expropriações de dois supermercados. Os policiais
inexperientes e da polícia secreta tentaram violar o asilo da Universidade
e praticar algumas prisões, mas foram impedidos pelos estudantes.
Ioannina
Cerca de 2.000 pessoas participaram da marcha, que foi duramente reprimida
pela polícia, resultando na dispersão de muitas pessoas antes da marcha se
reagrupar. Houve confrontos e gritos contra o Estado e os milicos feitos
pela maioria dos participantes. Houve 45 detenções preventivas e 5
prisões.
Agrinio
Marcha com cerca de 200 alunos até a delegacia. Alguns estudantes antes da
marcha realizaram uma sentada, enquanto a outra parte da manifestação
atacou a polícia e os confrontos de rua surgiram. Antes mesmo do início da
marcha, houve uma investida violenta terrível da polícia e a marcha se
dispersou. Depois de muito gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral,
muitas brigas e detenções da polícia secreta contra estudantes, solidários
procedentes da ocupação da Prefeitura apareceram exigindo a libertação dos
detidos.
Volos
Marcha de 1.000 pessoas, que desde o começo do protesto recebeu um
montante incrível de produtos químicos dos policiais. As pessoas não se
dispersaram e continuaram combativas, mas os policiais também continuaram
pulverizando o protesto com gás lacrimogêneo. Houve batalhas de rua e
lutas corpo a corpo. Os 11 detidos foram libertados e houve feridos de
ambos os lados.
Heraklion
Grande participação na manifestação de Heraklion, e um bloco anarquista
numeroso. Durante o curso da marcha, vários bancos foram atacados, um
caixa eletrônico foi destruído, assim como vitrines e câmeras de
vigilância. Na manifestação da noite cerca de 500 pessoas participaram,
com grande presença da polícia.
Patras
Uma marcha combativa pela manhã feita pelo grupo "Alunos Desobedientes",
com a participação de 500 pessoas. Depois desta marcha, houve outra,
puxada pela “Associação de Estudantes”, com a participação de cerca de
4.000 pessoas. À tarde, foi organizada uma marcha combativa e espontânea
com aproximadamente 400 pessoas no centro da cidade.
Zante
De manhã, marcha com cerca de 250 alunos, um número impressionante para os
padrões da ilha, com ataques à delegacia, 4 detenções preventivas e uso de
violência pela polícia contra os jovens estudantes. Na parte da tarde,
rolou outra passeata, com enfrentamentos com pedras e coquetel molotov
fora da delegacia, com duas prisões.
Igoumenitsa
Marcha de 400 pessoas, entre estudantes, pais e professores.
Mytelene
Marcha de 500 pessoas. Combativa e longa, que passou por vários bairros da
cidade, e à beira-mar, onde foram quebrados todos os caixas eletrônicos e
a fachada de um banco antes do protesto terminar na praça principal.
Larissa
Marcha de 500 pessoas e confrontos com a polícia. Foi destruído um banco e
carros-patrulha. Houve 5 detenções preventivas.
Serres
Marcha espontânea de cerca de 100 alunos até a delegacia. Mais tarde,
tornou-se uma intervenção com megafone, distribuição de textos e folhetos
na praça principal com a presença da polícia.
Ptolomaída
Estudantes do ensino médio se reuniram à noite com velas fora da
delegacia, com a milicada em frente com os fuzis na mão.
Arta
Manifestação de estudantes no centro da cidade, que terminou com uma
sentada do lado fora da delegacia.
Komotini
Marcha combativa de 300 estudantes no centro da cidade e distribuição de
panfletos,até chegar a Faculdade de Direito, onde continua a ocupação dos
estudantes.
Xanthi
Combativa marcha de cerca de 500 jovens rebeldes. Inúmeros policiais e
ataques a veículos da polícia municipal.
Corfu
Pela manhã e tarde marcha até a delegacia com um grande número de
estudantes. Sentada do lado de fora da delegacia.
Chania
Marcha espontânea de cerca de 1.000 estudantes e professores até o
edifício do governo civil, com feridos e pelo menos 3 detidos e 8 presos,
incluindo estudantes de 13 anos. Na marcha da tarde houve mais duas
prisões.
Kefalonia
Marcha espontânea de mais de 150 pessoas até a delegacia. Foram gritados
slogans antifascistas e antirepressão e em solidariedade com os presos.
Manifestações estudantis com ataques simbólicos contra delegacias também
foram realizadas nas cidades de Nafplion, Kozani, Karditsa, Kavala, Drama,
Tripoli,Katerini, Edessa, Florina, Rézimno e Amaliada.
Ações de solidariedade no exterior
Suíça
Uma ação de solidariedade em Genebra, onde bombas de tinta vermelha
sujaram a fachada do consulado grego.
Reino Unido
Concentração de solidariedade e manifestação estudantil em Londres,
terminando em frente à embaixada da Grécia.
Chipre
Concentração e manifestação de solidariedade aconteceram no domingo, 5 de
dezembro,na Praça da Liberdade , em Nicósia. Em seguida houve uma exibição
de um documentário na Praça Faneromeni.
Estados Unidos
Protesto solidário em São Francisco, após a lesão de uma manifestante
estadunidense na manifestação contra o FMI, e transmissão de uma mensagem
de solidariedade para com todos aqueles que lutam contra a Junta grega.
Declaração de apoio e solidariedade de grupos RASH (Skinheads Comunistas e
Anarquistas) e Exército de Palhaços Insurgentes de Indiana.
Nova Zelândia
Declaração da Cruz Negra Anarquista (CNA) da cidade de Aotearoa pela grave
lesão da manifestante estadunidense, e em solidariedade com todas as
vítimas da repressão e com os prisioneiros políticos na Grécia.
Alemanha
Manifestação de solidariedade em Weimar, no mercado natalino da cidade,
com slogans, panfletos e fogos de artifício. Os policiais se aproximaram
da manifestação e fizeram 4 prisões.
França
Ação de contra-informação de um grupo da CNT sobre a situação na Grécia,
na cidade de La Roche Yon, no oeste do país.
México
Intervenção em Cancún, na manifestação contra a COP-16 (Convenção das
Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas).
Itália e Argentina
Murais de solidariedade nas paredes de Roma pelo grupo ''Partisans'',
assim como em Buenos Aires.
Também houve ações de solidariedade em 6 de dezembro em Marrocos,
Bulgária, Camboja e em outros países.
Dezembro foi apenas o começo, basta já com a tolerância!
A luta pela liberdade, constante, internacional e auto-organizada, não se
reprime!
Nossa fúria está se agigantando!
Solidariedade com os presos em 6 de dezembro!
Solidariedade com todos os presos políticos!
http://contrainfo.espiv.net/
agência de notícias anarquistas-ana




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