(pt) [Grécia] Calcídica: mobilizações contra as minas d e ouro

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Sexta-Feira, 3 de Dezembro de 2010 - 20:19:13 CET


"Nosso ouro são os bosques, os mares, as águas"
Em 26 de novembro a empresa OURO GREGO, em estreita cooperação com o
Ministério do Meio Ambiente, Energia e Mudanças Climáticas, apresentou o
Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do investimento previsto no norte da
província de Calcídica (norte da Grécia). Este investimento refere-se à
construção de novas minas de ouro de extração aberta, na área de mineração
de Scuriés (formação de uma cratera de mais de 700 metros de diâmetro e de
mais de 700 metros de profundidade) no subsolo, e a criação de fábricas e
de bacias de resíduos, em uma área arborizada de centenas de hectares,
frondosa e de rara beleza e riqueza natural. Ao mesmo tempo estão
ameaçadas áreas povoadas, visto que as pessoas na área (Virgen Grande,
Ierisos etc.) estão a poucos quilômetros de distância da "obra”.

Em 26 de outubro, no meio da campanha eleitoral, o Ministério do Meio
Ambiente, Energia e Mudanças Climáticas lançou um processo de deliberação
e pediu às autoridades municipais e regionais (!) anteriores às eleições
(!) para dar um parecer sobre o estudo do impacto ambiental da obra dentro
de um prazo de 35 dias, e se o fizessem, a sua opinião seria considerada
positiva!

A empresa, num ato de chantagem sem precedentes, ameaça que se o projeto
em Scuriés não avançar fechará as suas minas tradicionais ali existentes,
atirando para a rua os trabalhadores e as suas famílias. Assim, sem
qualquer vergonha, em 26 de novembro levou os trabalhadores a Poligiros,
para aplaudirem obrigatoriamente a cerimônia de inauguração do projeto,
enquanto o sindicato, que durante anos tem mantido silêncio sobre os
sucessivos acidentes nas galerias, convocou uma greve... Além disto, e
contando com a ansiedade dos jovens e dos desempregados na região, durante
os últimos dias a empresa tem feito centenas de telefonemas dizendo que se
alguém deseja trabalhar, poderia ir na sexta-feira a Poligiros (capital).

No entanto, a intenção de fraude e chantagem da empresa não tem tido
efeito. Os conselhos municipais do povo da Virgem e de Estágira-Acanto
condenaram o processo e abstiveram-se da alegada discussão, e em vez disso
vão recorrer aos tribunais. Em Ierissos, em 26 de novembro, foi organizada
uma reunião contra os planos do Ministério e da empresa, com uma
participação recorde. Na quinta-feira, 25 de novembro, foi organizada no
povoado da Virgem uma assembléia popular, em que centenas de cidadãos
decidiram responder dinamicamente e reunir-se no dia seguinte em
Poligiros.

Na sexta-feira, enquanto que a Secretaria Especial do Ministério do Meio
Ambiente, Energia e Mudanças Climáticas, a Sra. Karavassili, estava
apresentando juntamente com a empresa OURO GREGO o projeto de destruição
da nossa província, os moradores da Virgem Grande e dos povoados vizinhos
fizeram uma ocupação simbólica do edifício da Administração da Região e
realizaram uma marcha massiva pelas ruas de Poligiros, dando testemunho do
que decidiram há muitos anos: Este projeto é um desastre, não é
desenvolvimento e não vai ser feito! Com uma luta massiva e perseverante
vamos vencer!

O texto a seguir foi divulgado em Poligiros durante a ocupação e a marcha:

1. Condenamos o ato do Ministério do Meio Ambiente, Energia e Mudanças
Climáticas de avançar com o processo de deliberação e orientação sobre a
Avaliação de Impacto Ambiental das Minas de Cassandra da empresa OURO
GREGO S.A. porque:

• Nomeou porta-voz da deliberação a própria empresa.

• Apresentou o Estudo de Impacto Ambiental num período pré-eleitoral (como
sabemos, na Grécia, a maioria das violações constitucionais ou outras são
feitas durante os períodos eleitorais).

• Obrigou os conselhos municipais, que já não estão em funcionamento, a
assessorar durante 35 dias um estudo de quatro mil páginas e 100 mapas,
caso contrário a deliberação seria considerada a favor!

 • Convida os cidadãos a participar numa discussão que não é feita sequer
no local relativo ao Estudo de Impacto Ambiental, mas na capital da
província e num dia de semana, assim os cidadãos não puderam assistir a
ela e expressar as suas objeções.

• Faz do "vender a qualquer preço para o primeiro que" lei do Estado.
Chamam a isso fast track (via rápida), para nós continua a ser uma venda
arbitrária de propriedade pública!

2. Declaramos que nos opomos ao Estudo de Impacto Ambiental, pois inclui
atividades de mineração em Scuriés, o que terá conseqüências devastadoras
para a nossa província.

• A destruição de centenas de hectares de floresta.

• Um grande impacto sobre o meio ambiente, a qualidade do ar, a quantidade
e qualidade da água, a qualidade das terras aráveis, o futuro das riquezas
florestais e marinhas, a rica fauna e flora da região.

• O impacto do investimento nas tradicionais, bem como nas novas formas de
desenvolvimento sustentável, irá destruir a região e vai durar pouco
tempo, se sabemos que o valor econômico do investimento será
incomparavelmente menor em comparação com outras possibilidades da nossa
terra.

Estamos lutando

• Pela conservação de um dos lugares mais bonitos da Grécia, queremos
entregá-lo aos  nossos filhos como nós os herdamos de nossos pais e avós!

• Por dar à nossa terra novas oportunidades! As minas não são a única
possibilidade.

Habitantes de Calcídica preocupados e em luta

http://respentza.blogspot.com/

Tradução > Liberdade à Solta

agência de notícias anarquistas-ana





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