(pt) [Portugal] Balanço das actividades desenvolvidas pela PAGAN*...

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Sexta-Feira, 3 de Dezembro de 2010 - 20:12:21 CET


Um enquadramento sumário---Tem havido uma fraca tradição anti-militarista
em Portugal devido a uma longa história de colonialismo e de intervenções
“civilizadoras” nas colónias e, pelo facto de estar na memória colectiva
que a queda do regime fascista em 25 de Abril de 1974 foi obra de
militares progressistas.--- No que se refere especificamente ao
anti-militarismo e ao repúdio da NATO, nos últimos anos e, para além da
actividade desencadeada pela PAGAN, desde finais de 2009 há apenas a
registar, a grande manifestação em Lisboa, de unidade contra a invasão
norte-americana e inglesa do Iraque. --- Existe na sociedade portuguesa
uma débil compreensão da ligação entre o militarismo, a democracia e os
factores económicos, uma vez que não é relevada, mesmo à esquerda, a
vigência de uma sociedade de controlo e a unidade planetária do
capitalismo de hoje, bem diferente dos tempos em que dominavam as
rivalidades inter-imperialistas. O capitalismo de hoje, pelas próprias
condições técnicas do trabalho, invade mesmo as nossas vidas e os
nossos afectos.
Essa débil compreensão resulta de estruturas económicas muito frágeis que
se irmanam com estruturas políticas numa impune e larvar corrupção, na
mediocridade imensa dos seus protagonistas e, à esquerda, num sectarismo
suicida, com um espírito hierárquico assente na obediência acrítica, pouco
propensa à aceitação de movimentos sociais independentes, criativos ou fora
da dependência de um Estado tentacular.
Daí resulta também a impossibilidade de ter sido criado, em Portugal, um
movimento de unidade – como proposto pela PAGAN desde o início – entre
todos os que se dizem anti-NATO, sejam nascidos em Portugal ou onde quer
que seja mas, conscientes de que a NATO é um problema mundial.
*Um leque muito positivo de realidades *
Pretende-se aqui, particularmente, elogiar:
   - A  determinação, a imaginação e a alegria de quantos participaram nas
   acções de desobediência civil, conscientes dos riscos da repressão
policial, latente num aparelho militarizado nunca visto, para agradar
aos senhores da guerra acantonados na FIL;
   - A coragem e os sacrifícios impostos a quantos foram presos no dia 20
   por manifestarem pacificamente o seu repúdio aos fazedores de guerra,
   reunidos ao mais alto nível por detrás de um imenso aparelho, cuja
dimensão mede a sua insegurança e a consciência das características
criminosas do seu conclave;
   - A coragem dos que estiveram na manifestação do dia 20, empurrados
pelos seus convocantes ou proprietários, para dentro de um dispositivo
   militarizado, ansiando por uma intervenção brutal da polícia, para
   satisfação dos seus estreitos objectivos político-partidários;
   - O movimento de solidariedade e apoio aos activistas presos, bem como
de repúdio contra a forma como foram tratados os manifestantes não
integráveis no redil dos donos da manifestação;
   - As vozes de protesto e as acções levadas a cabo pelo apoio jurídico da
   PAGAN, a propósito dos activistas e outras pessoas que foram impedidas
de entrar em Portugal, como fruto da arbitrariedade policial decretada
pelo
   governo, muito mais aberto à fuga de capitais mafiosos ou à entrada de
   drogas;
   - Os activistas da PAGAN em geral que, apesar das tentativas da sua
   criminalização levadas a cabo, numa estranha sintonia, pelo governo e
por quem assumiu como suas, funções policiais, se manteve unido,
provando a
   todos, os seus propósitos pacíficos mas, não passivos de protesto,
   enunciados logo no momento da sua criação, em 30/9/2009;
  - A solidariedade e o apoio prático de todos os activistas não
   portugueses que se deslocaram aqui, para participar nas acções de
   desobediência, oferecendo os seus corpos à repressão; a todos os que
foram sequestrados na manifestação pelo cordão policial; e ainda aos
que
   transmitiram o melhor dos seus conhecimentos e experiências na
   Contra-Cimeira;

Conclusões
   - A PAGAN é um movimento social, independente de forças políticas e sem
   financiamentos exteriores aos recursos dos seus membros. Funciona numa
base de democracia directa, de decisões por consenso e sem dirigentes,
aberto a quem subscrever os seus princípios, encontrando nesse
funcionamento o essencial da sua capacidade de realização.
   - A PAGAN vai assim continuar a sua actividade, independente de partidos
   e outros poderes, com a intenção de alertar e gerar movimento de
cidadãos contra a guerra e contra a NATO. E, consciente de que
apontando para o mais profundo do dispositivo militar das
multinacionais e do sistema financeiro,encontrará adversários,
resistências e fingidas distrações sobre o tema;
   - A PAGAN foi, inicialmente objecto do desinteresse dos meios políticos
e partidários; com o tempo essa atitude foi-se transformando num
deliberado e ruidoso silêncio até descambar em tentativas de
criminalização que, em vésperas da manifestação, envolveu também toda a
coligação internacional “No to War, No to NATO” que engloba 650
organizações e os insuspeitáveis War Resistants International (WRI) e
Bomspotting;
   - Essa criminalização e, sobretudo o seu desmascaramento, atraiu a
   atenção dos media e tornou a PAGAN e as acções de desobediência dos seus
   companheiros de luta, os ganhadores da exposição mediática, em
detrimento dos que apenas cumpriam calendário contra a cimeira da NATO.
   - A PAGAN vai procurar alargar ainda mais a rede dos diversos
movimentos, colectivos e activistas alternativos, procurando nesse
contexto, contribuir para o fortalecimento dos anseios de todos para se
libertarem do capitalismo, do autoritarismo, da exploração, dos
preconceitos e do militarismo. Tudo isso, num ambiente de entreajuda,
de respeito pela diversidade, uma vez que só a solidariedade e o
diálogo das singularidades é que podem construir um mundo comum e
melhor;
   - A PAGAN vai reforçar o seu envolvimento na movimentação europeia
contra a guerra e a NATO, ajudando a criar um movimento ibérico,
desligado de taras nacionalistas e, como grata resposta ao carinhoso
apoio das organizações anti-militaristas do estado espanhol, durante
todo este processo;
   - A PAGAN tem a consciência de que avivou na memória dos portugueses a
   possibilidade e a conveniência do desenvolvimento de acções de
desobediência civil, ciente da sua legitimidade ética e cívica, sem que
se preste vassalagem ao Estado autoritário e repressor. E isso, a
despeito da patente existência de interesses corporativos mais
apostados na obediência cega e servil aos patrões, aos chefes, aos
controleiros;
 3/12/2010
Plataforma Anti-Guerra, Anti-NATO (PAGAN)*
[*uma plataforma anti-capitalista, anti-autoritária]


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