(pt) [Grécia] Estrutura Política do Festival Antiautoritário para a Democracia Direta

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Sexta-Feira, 6 de Agosto de 2010 - 08:22:37 CEST


Tessalônica, de 8 a 10 de setembro de 2010
A profunda crise incrustada na sociedade como um todo não é simplesmente uma crise
econômica. A crise econômica é somente a ponta, ou melhor, a parte visível do
iceberg. Em sua base se evidenciam questões concernentes à soma das instituições
políticas e sociais.
Os componentes tradicionais que são expressos pelo sistema de partidos políticos e
sindicatos controlados por estes partidos são incapazes de providenciar uma
perspectiva de escape. Não há nada mais para se negociar, uma negociação que era a
base da política tradicional e do antagonismo sindicalista na sociedade.
A frase "não há saliva" - uma expressão grega que significa "não há mais nada" -
usada recentemente pelo ministro do trabalho A. Loverdos, manifestou uma mensagem
para todas as direções: a quota de negociação, além de bloqueada, começou sua
contagem - regressiva negativa.

Afundaram-nos em um poço, e a saída não é quantitativa mas qualitativa.

A crise revelou todas as questões. De setembro em diante, a crise se tornará um
turbilhão que arruinará e atacará o sistema inteiro de dominação, e não somente num
sentido estrito de termos econômicos, a resistência financeira, mas todo o edifício
estrutural e ideológico que tem apoiado a concessão capitalista.

O que entra na sociedade de maneira violenta não é somente sua habilidade de
fornecer uma resposta, mas antes de tudo a lucidez da questão que tem que ser
colocada. Temos que redefinir nossa existência em todas as áreas da vida social que
participamos. No campo, na fábrica, nos serviços, na educação. As questões
fundamentais que estão sendo colocadas abalam, ao âmago, a sua própria existência
tradicional. Que, como e para quem? Três dimensões do salto qualitativo que
contribuem para a saída final da crise.

São estas as questões que irão nos orientar na Feira Internacional do Comércio Justo
de Tessalônica.

O argumento da organização social horizontal, na qual preside a democracia direta,
não está vindo somente para adicionar uma crítica a mais ao atual estado de coisas,
mas sim para aboli-lo.  Nunca antes o propósito da democracia direta teve tal
interesse, não somente dentro do movimento em si, mas também em relação às ações
sociais primárias. A estrutura democrática direta não é a "questão e solução", mas a
maneira na qual a questão se clarificará e a maneira através da qual se buscará a
solução. No decadente sistema político partidário da democracia parlamentar, a saída
democrática direta pode vir a ser o raciocínio radical moderno, contanto que se
perceba que a crise não é somente econômica ou política, mas alcança o núcleo
profundo do sistema em si.

O esforço de se formar o bloco pela Democracia Direta na feira internacional do
comércio justo em Tessalônica vem para sintetizar todas estas potencialidades
sociais, que percebem a falência do tradicional como uma abertura no horizonte da
liberdade com objetivos prováveis e diretos.

A separação da esfera pública do estado e do interesse privado, como uma nova matrix
de relações não mediadas e socialmente livres, dá à democracia direta a dinâmica
insurrecional que a ela corresponde. A democracia direta não é uma desculpa nem um
pretexto que se ajustará ao nível organizacional de uma vizinhança e permanecerá
atrás na cena política central da municipalidade e nas eleições gerais.

A proposta política da emancipação social não é uma antologia de idéias. Ela é a
realidade da Antiautoridade Social que é experienciada com a Democracia Direta nas
lutas locais e sociais e nos movimentos. É a exigência de espaços livres nas
vizinhanças, é a criação de assembléias públicas e procedimentos abertos e livres. É
a ocupação de espaços públicos abandonados pela rentabilidade (ou a falta disto), ou
espaços privados que são transformados em espaços sociais e livres. Estes espaços
podem ser transformados em centros de luta através de suas atividades multifárias,
para que cada ação se constitua numa outra relação ao presente e ainda como outra
proposta à sociedade.

Democracia Direta à produção agricultural é a horizontalização das relações entre
produtores e consumidores que se estenderá do campo ao empacotamento e distribuição.
Que cultivo e de que forma, para quem e para quais necessidades são as questões
diretas que buscam uma resposta na organização democrática-direta da cadeia de
alimentos.

Esta cadeia inclui e une o trabalho com a sociedade. Da agricultura e do controle
social na fábrica, a maneira e o produto da produção para que o trabalho e a
produção respondam às necessidades sociais e não à acumulação de lucros.

Uma cadeia diretamente ligada com a organização da sociedade que mesmo embora pareça
ser caótica, em sua extensão ela pode ser materializada através de alvos perceptivos
e operacionalmente realizáveis que tem a ver com uma vizinhança, ou com a rede de
vizinhanças que lida com a municipalidade, ou a rede de assembléias públicas que
lida com a cidade.

Mais infos: http://www.resistance2003.gr/

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana



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