(pt) [Canadá] Reportagem sobre a Feira de Livros Anarquista d e Victoria

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Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2009 - 15:41:16 CEST


Este último final de semana [12 e 13 de setembro] marcou o começo da 4ª
Anual Feira de Livros Anarquista de Victoria na Columbia Britânica,
Canadá. Para aqueles de vocês que não conhecem esta cidade, Victoria antes
de tudo é um local turístico que pode ser descrito como nada menos que
“pitoresco” – e não no bom sentido. De qualquer forma, o/as radicais
locais de Victoria estão conseguindo provar que há mais para a cidade do
que os mais maravilhosos jardins do mundo e as expedições diárias para ver
baleias.
A feira de livros reuniu uma variedade interessante de distribuidoras,
coletivos e organizações, cada uma com seus projetos e missões diferentes.
Sendo minha primeira viagem ao norte da fronteira, a feira de livros me
providenciou um espaço para conectar e aprender sobre as diferentes lutas
que alguns indivíduos e comunidades na Columbia Britânica estão encarando.
Logo de cara, foi muito bom ver a Declaração de Solidariedade Indígena do
coletivo de organização da feira de livros:
“O coletivo da Feira de Livros apóia a luta dos povos indígenas por toda a
América do Norte para assegurar sua autonomia cultural e soberania de seu
território. Victoria está localizada sobre os territórios tradicionais dos
povos Lekwungen e Songhees, que têm resistido ao seqüestro de grande parte
de suas terras realizado à força, assim como têm resistido aos repetidos
atentados de destruir suas culturas através de múltiplas forças de
colonização. A elasticidade e a resistência destas e outras comunidades
que fazem conexões ancestrais com estas regiões, perante a injustiça, nos
desafia a apoiar todos os povos indígenas na contínua luta contra o
colonialismo, o capitalismo e o genocídio cultural.”
Como nos anos anteriores, foram realizados vários eventos durante a semana
precedente à feira de livros, incluindo a Feira Faça Você Mesmo que,
felizmente, pude participar de boa parte. Entre a miríade de oficinas
realizadas na Feira Faça Você Mesmo (arte guerrilha, primeiros socorros
etc.), a autora Cindy Milstein abriu uma discussão intitulada “Educando
para a Liberdade”, onde falou sobre seu trabalho no Instituto para Estudos
Anarquistas. No dia seguinte, Cindy também deu uma palestra na feira de
livros intitulada “Princípios Anarquistas e Políticas Pré-figurativas”,
que cobriu boa parte do tema abordado em seu iminente livro, “Anarquismo e
suas Aspirações”, em breve disponível na AK Press. Após o primeiro dia de
atividades, a maioria das pessoas se dirigiu para um show de
hip-hop/palavra falada que contou com o Testament, um rapper anarquista,
que também ajuda a administrar o Infoshop Empowerment em London, Ontário.
Infelizmente, não pude participar de nenhuma oficina realizada durante a
feira de livro porque tive que tomar conta de uma mesa da AK, mas a
programação foi sólida, com apresentações como: Anarquia Queer-Gênero,
Resistência Indígena ao Ecocídio, Transformação através das Artes
Marciais, e muito mais. Tive uma oportunidade de andar pelo salão da feira
de livros, onde estavam os livreiros locais, o Infoshop Camas e a
Gravadora Black Raven, entre outros.   Josh Macphee, autor do livro
“Realizando o Impossível”, estava também presente na feira de livros com
uma mesa do Just Seeds, um coletivo de arte radical. Posicionada a um
ângulo de 90 graus da mesa da AK estava um novo grupo chamado Women’s
Publication Network, um projeto do UVSS Women’s Center, que estavam
distribuindo zines grátis. Encontrei alguns zines incríveis nesta mesa,
incluindo uma coleção de escritos das (em sua maioria canadenses) jovens
mulheres de cor e um zine criticando o retrato dos Povos das Primeiras
Nações no cinema canadense. Na frente da mesa da AK estava o Victoria
Street Newz, um jornal ativista/independente distribuído pelas pessoas de
baixa - ou nenhuma - renda por toda a cidade. Há informações de contato
atuais para todos estes grupos em seus respectivos sítios de internet,
então, por favor, entre com contato com eles para descobrir uma maneira de
apoiar algum ou todos estes projetos.
No outro lado da sala, Gord Hill, autor do livro “500 Anos de Resistência
Indígena”, estava com uma mesa da Warrior Publications, e também divulgava
a campanha Não às Olimpíadas de 2010 sobre Terra Nativa Roubada. Para
aquele/as de vocês que nunca ouviu falar sobre a campanha Não 2010, eu
o/as aconselho visitar o sítio de internet www.no2010.com, para descobrir
porque um grupo tão diverso se reuniu para resistir ao impacto devastador
que as Olimpíadas de Inverno de 2010 em Vancouver certamente irão causar
às comunidades indígenas locais, às mulheres, e ao povo pobre. Cabeça
erguida – se você estiver em algum lugar próximo à costa oeste durante o
mês de novembro, fique atento com as atualizações sobre a “Turnê de
Palestras Não 2010” que está percorrendo litoral a baixo.
Gostaria de ter dado a você uma melhor explanação sobre a tamanha
experiência de aprendizado que a Feira de Livros Anarquista de Vitória foi
para mim, mas acho que esta é uma daquelas coisas que somente você estando
lá para saber. Sorte tua, ano que vem tem outra.
http://www.victoriaanarchistbookfair.ca/
Tradução > Marcelo Yokoi
agência de notícias anarquistas-ana


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