(pt) Ensaio de Bakinin editado por Imaginário / Faísca

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Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2009 - 21:06:15 CEST


A CIÊNCIA E A QUESTÃO VITAL DA REVOLUÇÃO
Mikhail Bakunin * R$ 18,00 * 96 páginas * Imaginário / Faísca
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No presente ensaio, de 1870, Bakunin dirige-se à juventude russa na
tentativa de colaborar para a organização revolucionária na Rússia
czarista, denunciando os “socialistas retóricos”, segundo sua própria
denominação. O próprio Bakunin explica o contexto em que se insere seu
artigo:

“Após os decembristas, o liberalismo heróico da nobreza instruída
degenerou em liberalismo livresco, em doutrinarismo mais ou menos douto.
Desde logo, sua impotência, evidentemente, só cresceu: o verbo tornou-se
ato de coragem; o espírito discursista, inteligência; a palavra vazia,
eloqüência; e as leituras, ação. A causa real foi esquecida; bem mais,
puseram-se a desprezá-la; e do alto de uma satisfação metafísica de si,
consideraram todas as idéias revolucionárias, todas as tentativas
corajosas de protestação pública como fanfarronadas pueris. Falo com
conhecimento de causa, pois, nos anos 30, entusiamado pelo hegelianismo,
eu próprio incorri nesse erro.”

E, desta maneira, diferencia sua proposta de socialismo revolucionário de
um certo “revolucionarismo verbal”, que se caracterizaria muito mais pela
eloqüência e a violência do discurso, do que pelas ações de fato levadas a
cabo na prática. Refletindo sobre a ciência e o pensamento, Bakunin
insiste na coerência entre teoria e prática, pregando um socialismo
classista que exige, necessariamente, uma postura ética diante da
realidade a ser transformada. Enfatiza Bakunin neste seu texto:

“Nem a ciência nem o pensamento têm existência à parte, no abstrato; eles
só encontram sua expressão no indivíduo; todo homem ativo é um ser
indivisível que não pode simultaneamente buscar uma verdade rigorosa em
teoria e morder os frutos da mentira na prática. Em todo socialista,
inclusive o mais sincero, que pertence — não por seu nascimento (o que
ainda não significaria nada, pois quantas mudanças podem produzir-se nele
depois de seu nascimento!), mas por sua condição real — a alguma classe de
privilegiados que seja, isto é, às classes exploradoras, descobrireis
infalivelmente essa contradição entre o pensamento e a vida; essa
contradição decerto o paralisará, o reduzirá mais ou menos à impotência, e
ele não poderá tornar-se um socialista verdadeiramente sincero e ativo
senão rompendo resolutamente todos os seus laços com o mundo dos
privilegiados e dos exploradores, e renunciando a todas as vantagens que
esse mundo confere.”

O livro conta ainda com um ótimo prefácio de Alexandre Samis.


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