(pt) [Suíça] Chamado internacional à luta contra a OMC em Genebra

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Sábado, 24 de Outubro de 2009 - 09:43:13 CEST


No final deste ano, entre 30 de novembro e 2 de dezembro, em Genebra,
acontecerá a sétima reunião da Conferência Ministerial da Organização
Mundial do Comércio (OMC). Dez anos depois de Seattle, o berço do
movimento anti-globalização, esta será a oportunidade para os poderosos
reiniciarem as negociações sobre a Rodada de Doha, para recolher e
remendar os pedaços do capitalismo já enfraquecido pelo abalo financeiro
de outubro de 2008. O objetivo é sempre o mesmo, promover o livre
comércio, incrementar a circulação de mercadorias sem restrições, com
todas as suas conseqüências criminosas que conhecemos: a deslocalização,
exclusão dos indivíduos e comunidades pouco rentáveis, transformadas em
objetos descartáveis, o enriquecimento dos mais ricos, mais poluição,
destruição em massa de matérias-primas não renováveis e da natureza.
Nesta ocasião, tudo o que mexe e se diz ativista por todo o mundo irá
convergir para Genebra para realizar o tradicional percurso de
lamentações. O protesto folclórico vai tentar reunir-se e produzir os seus
tradicionais discursos. Após dez anos de altermundialização o panorama é
desolador, e reduz-se a quatro palavras: a paralisia é total.
No entanto, nestes últimos dez anos, eclodiu um sem fim de motivos para a
revolta, mas a desolação ativista é seguida por uma pobreza intelectual.


Olhemos os fatos de frente: o "alternativismo" não soube e não pode
enfrentar a pobreza. Não existe alternativa dentro do capitalismo, só na
sua destruição se encontra uma perspectiva. Os altermundialistas, porque
pretendem "gerir as crises", mantendo os critérios de gestão dos
causadores do desastre, não se opõem, falemos claro, à governança global.


Uma Organização Mundial do Comércio com "rosto humano" não lhes
levantariam  problemas. Eles agem como  força de "domesticação" e
"controle" no seio da sociedade atual. Os sindicatos tradicionais
participam deste "apaziguamento social", os políticos são o aval
democrático do sistema, a oposição “saudável”.


Os sindicatos, os partidos de esquerda e as ONGs constituem aquilo a que
se chama "uma parceria social" com o Estado, seus interlocutores. As
prestações sociais e outros subsídios que os ricos estão dispostos a
conceder fazem parte das medidas de pacificação social, que têm destruído
qualquer forma de contestação. Estamos bem  "protegidos" de forma que a
nossa vidinha seja bem anestesiada. A "esquerda" transformou-se em
co-gestora da crise e, de fato, é uma espécie de contra-revolução
permanente, contra qualquer possibilidade de emancipação!
Em contraste, um fantasma assombra a Europa: o autônomo. Uma coisa é
clara: depois de Gênova, Rostock e Estrasburgo, o altermundialismo se
esgotou e o movimento radical está em pleno crescimento. Não queremos
intervir de forma episódica e espetacular para levar a cabo uma
negociação. Em vez disso, somos parte da guerra contínua e generalizada
que o Estado e o Capital estão impondo contra os pobres, os explorados e a
natureza. Vivemos diariamente numa guerra, uma guerra difusa onde cada
indivíduo é um ator e uma vítima. Aceitar a pacificação levada a cabo
pelos co-gestores, pela esquerda, é aceitar a nossa impotência. Temos de
fazer uma ruptura com a ordem estabelecida: nenhum diálogo, nenhuma
reivindicação. Combater para não ser derrotado, não devemos fugir, mas
enfrentar o velho mundo, de frente, para não mais sofrer.
Apelamos à participação massiva na grande manifestação de 28 de novembro,
em Genebra. Tentemos deter a máquina da OMC. Um centro de convergência
será organizado para nos servir de apoio de 27 de novembro até 2 de
dezembro, assim como alojamento, centro médico, um centro de mídia
independente e apoio jurídico.
Superando o imediatismo, esta convergência deve esboçar uma nova
correlação de forças à escala internacional. No espírito de uma ampla
organização de grupos radicais na Europa e noutros locais, e para superar
a divisão entre teoria e prática, convidamos todos e todas a compartilhar
a sua experiência, redes e contatos no decorrer do fórum para a autonomia,
domingo, 29 de novembro.
P r o g r a m a ç ã o
> Sábado, 28 de novembro: Manifestação Internacional em Genebra, partida
da Place Neuve.
> Domingo, 29 de novembro: Discussões, projeções e fórum.
> Segunda-feira, 30 de novembro - 2 de dezembro: Dias de ação direta e
boicote. Temáticas: segunda-feira: Alimentar; terça-feira: Crise;
quarta-feira: Mudanças Climáticas.
Action Autonome
Mais infos: http://www.autonome.ch/
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana


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