(pt) Fundador da Escola Moderna foi executado há um século

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sábado, 24 de Outubro de 2009 - 09:37:01 CEST


Se muitos conhecem o filósofo Jonh Dewey ou o pedagogo brasileiro
Paulo Freire, a maioria desconhece que o inspirador destes
reputados pensadores foi o catalão autodidata Ferrer i Guàrdia
(1849-1909).

O criador da Escola Moderna, fundamentada em ideais libertários,
nasceu a 14 de janeiro de 1859, em Alella, na Catalunha. Na
adolescência começa a contestar o regime monárquico e o poder da
igreja sobre o Estado e os cidadãos. Através da sua ligação com
os republicanos, participa em tentativas para derrubar do poder
a monarquia e que visavam a instauração da república em Espanha.

Devido à sua atividade política e social, foi exilado em Paris,
em 1886, onde conheceu o ideal libertário preconizado pelos
anarquistas e identifica-se com Paul Robin, o teórico da
Pedagogia Integral e fundador do Orfanato de Cempuis na cidade
de Paris.

Em abril de 1901 Francisco Ferrer i Guàrdia recebe uma herança
de uma viúva francesa a quem dava aulas de castelhano em Paris.
Aos que tratavam de o convencer em utilizar o dinheiro para fins
eleitorais, como o líder republicano-socialista radical Alejandro
Lerroux responde: "Servirei melhor as minhas idéias fundando a
Escola Moderna do que fazendo política".

No seu livro La Escuela Moderna, Ferrer definia assim o objetivo
da Escola Moderna: "Extirpar do cérebro dos homens tudo o que os
divide, substituindo-os pela fraternidade e a solidariedade
indispensáveis para a liberdade e o bem-estar gerais para todos."

O ensino ministrado seguia as seguintes orientações: o aluno é
livre, livre inclusive de deixar a escola. O aluno goza de uma
ampla liberdade de movimentos: vai ou não ao quadro, consulta ou
não este ou aquele livro, entrega-se às suas fantasias quando
isso lhe agrada, e até pode sair da sala de aula quando tem
vontade de o fazer. Não havia exames, nem muito menos castigos
e recompensas.

Na realidade, a Escola Moderna foi um importante foco de educação
popular: constituída por ensino primário, foi a primeira escola
mista na Espanha (inédito na época em muitos países europeus),
de dia era para crianças e à noite para adultos; teve aulas de
francês, de inglês, alemão, taquigrafia e contabilidade; estava
apetrechada com um local onde se realizavam conferências,
vocacionado para os sindicatos e as coletividades operárias;
tinha ainda uma editora a fim de suprir a crônica falta de
material didático, e graças à qual foram editados manuais
escolares, livros para adultos, folhetos, informações e um
boletim.

Aos domingos funcionava como uma universidade popular acessível
a todos.

Além disso, Ferrer é defensor da educação física e da natação,
ao mesmo tempo que rejeita os jogos e as provas de competição
que servem para alimentar a vã glória dos seus participantes.
Estimula os trabalhos manuais para os rapazes, assim como a
jardinagem, a limpeza e os trabalhos domésticos, uma forma de
nivelar ambos os sexos na execução das mesmas tarefas.

O local escolhido para a instalação da primeira escola foi um
antigo convento da rua Bailén, na cidade de Barcelona, tendo
aberto as suas portas a 8 de outubro de 1901.

Não é de todo alheio à Escola Moderna e aos seus ideias o fato
de a Catalunha ter estado na vanguarda das lutas emancipadoras
nos últimos cem anos.

Em 1905 a Escola Moderna espalha-se por 147 espaços por toda a
Catalunha. Em 1908 contam-se mil alunos só na cidade de Barcelona,
e criam-se centros de ensino do mesmo gênero em Madri, Sevilha,
Málaga, Granada, Cádiz, Córdoba, Palma, Valência, assim como
noutros países (em São Paulo, Lausanne, Amsterdam e Lisboa).

Em junho de 1906, o governo espanhol fecha a escola-mãe, na rua
de Bailén, na seqüência do atentado bombista de Mateo Morral,
bibliotecário da Escola Moderna, contra a carruagem real no dia
da casamento de Alfonso XIII. Ferrer i Guàrdia é detido e
processado como instigador do atentado. Absolvido das acusações,
Ferrer sai da prisão em junho de 1907, mas a Escola-mãe em
Barcelona jamais reabrirá portas.

Ferrer promove a criação da revista L'École Renouvée com o
subtítulo "extensão internacional da Escola Moderna de Barcelona",
cujo primeiro número é editado em Bruxelas a 15 de abril de 1908
e onde explicitamente se defendia que o militarismo era um crime,
que a distribuição desigual dos rendimentos devia ser abolida,
que o sistema capitalista era prejudicial aos trabalhadores e
que a política dos governantes era injusta. Também defendia a
não-violência.

Ao fundar em 1908 a "Liga Internacional para a educação racional da
infância" conta com apoiantes de peso como Languevin, Bernard Shaw,
Berthelot e Gorki.

No ano seguinte, vários protestos eclodiram na Catalunha contra a guerra
da Espanha com Marrocos. Estes acontecimentos ficaram conhecidos como
Semana Trágica e foram marcados pela revolta da população de Barcelona
que queimou igrejas e conventos, obrigando as autoridades a abandonar a
cidade. No período da revolta, Ferrer encontrava-se de visita a um irmão
que morava em Barcelona. A repressão que se seguiu à Semana Trágica
prendeu e condenou dezenas de pessoas, entre elas Ferrer, preso no dia 1
de setembro. O Tribunal de Guerra reunido para os julgamentos aplicou
penas que variavam de prisão perpétua à execução. A favor de Ferrer
levantaram-se vozes em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Mas
para que a 'ordem' monárquica e eclesiástica se restabelecesse era
imperioso que Ferrer fosse julgado no Tribunal de Guerra, sem
testemunhas de defesa.

No dia 09 de outubro, o Conselho de Guerra abriu a sessão e ouviu as
contraditórias testemunhas que acusavam Ferrer. A acusação que pesava
sobre Ferrer de ser o líder intelectual da Semana Trágica baseava-se
unicamente numa denúncia formulada numa carta remetida por prelados de
Barcelona.

No mesmo dia foi dado o veredicto final: a pena de morte. A execução
ocorreu em 13 de outubro de 1909, na Fortaleza de Montjuich.

*Eventos sobre Francisco Ferrer i Guàrdia pelo mundo*

*Portugal *

Iniciativa Assembléia Libertária do Porto

Documentário + Debate

/Ferrer i Guàrdia, una vida per la llibertat /

Terça-feira, dia 13 de outubro, 22h - Livraria Gato Vadio (Rua do
Rosário, 281)

O documentário /Ferrer i Guardia, una vida per la llibertat/ narra a
vida do pedagogo e libertário Francisco Ferrer i Guàrdia e a construção
do seu projeto de ensino da Escola Moderna.

*Espanha*

Conferência em Madri sobre os Cem anos do assassinato de Ferrer i Guàrdia

Organizada pela FAI (Federação Anarquista Ibérica)

http://www.centenario-ferreriguardia.org/?Madrid-Conferencia-debate-Cien

Jornadas de educação libertária. Homenagem ao pedagodo Ferrer i Guàrdia
por ocasião dos 100 anos do seu fuzilamento.

Palma de Malhorca

http://www.centenario-ferreriguardia.org/?Palma-Ateneu-Llibertari-Estel

Valencia

Homenagem a Ferrer i Guàrdia, 13 de outubro.

http://www.centenario-ferreriguardia.org/?Homenatge-a-Ferrer-i-Guardia-13-d

Lleida

Segunda-feira, 12 de outubro, ato sobre Ferrer i Guàrdia no marco da
exposição "Pedagogias Libertárias".

http://www.centenario-ferreriguardia.org/?Lleida-lunes-12-de-octubre-acto

*Brasil*

"Seminário 100 anos sem Ferrer - A Pedagogia Libertária e a Escola
Moderna", dias 16 e 17 de outubro, no auditório da Faculdade de Educação
da UFBA, Salvador, Bahia.

http://ohomemrevoltado.blogspot.com/2009/10/seminario-ferrer-y-guardia-100-anos1\


4.html<http://ohomemrevoltado.blogspot.com/2009/10/seminario-ferrer-y-guardia-100-anos14.html>


*Mais infos sobre o autor e eventos sobre o centenário*

Fundação Ferrer Guardia

http://www.laic.org/cas/index.php

http://www.centenario-ferreriguardia.org/

*agência de notícias anarquistas-ana*

Eolo Yberê Libera

-- -----------------------------------------------------------------------
José J. Lunazzi
lunazzi  esperanto.cc
lunazzi  gmail.com


More information about the A-infos-pt mailing list