(pt) [EUA] Ação Ecológica: Reciclagem, Educação e Cooperação

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Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009 - 17:12:10 CEST


[Ação Ecológica é um trabalho anarquista que faz funcionar um centro de
reciclagem. Não é tanto o que fazemos, mas como fazemos. Acreditamos estar
criando culturas, modelos, estórias de um futuro melhor.]

Nossa História
O mais antigo e único centro de recursos ambientais sem fins lucrativos do
Texas foi fundado no Dia da Terra em 1970 por um coletivo voluntário em
Austin. Por quase quarenta anos, o trabalho do AE (Ação Ecológica) foi
quase sempre o mesmo – reciclagem e educação. Entretanto, com o tempo, a
estrutura se desenvolveu de um voluntariado para o que temos hoje – um
coletivo.
Em 2001, trabalhadores do Ação Ecológica quiseram voltar às suas raízes
como coletores. Eles entraram em greve em desafio à má administração,
baixos salários e a intromissão de um Conselho de Diretores sempre
ausente. Como resultado da paralisação, a equipe começou a criar um local
de trabalho onde todos os envolvidos podiam ter voz no ambiente de
trabalho e nos negócios.
Desde então, somamos a “cooperação” à nossas missões de reciclagem e
educação. Todos viemos de diferentes contextos. Porém, partilhamos de
inspirações parecidas – desenhadas por movimentos populares de todo o
mundo. Como a EA faz o trabalho em nossa fábrica, nos esforçamos em ter um
local de trabalho democrático e participativo, assim como tomar as
decisões de negócios de forma ética.
Ação Ecológica
O Ação Ecológica opera com uma central de recolhimento no centro da
cidade, quatro localidades satélites, e oferece reciclagem e serviços de
coleta com um orçamento anual de U$ 400.000,00. Coletamos recicláveis de
consumidores finais e industriais, que são processados e transportados a
diferentes lugares para serem “reciclados”. Com nossa pequena equipe, a
Ação Ecológica processa 10% da reciclagem de Austin. Aproximadamente 300
toneladas de “lixo” passa pelas nossas fábricas a cada mês – isso são 300
Hondas. E fazemos isso sem um – eca! – chefe.
Não fazemos isso sozinhos. Todos os dias entramos em contato com pessoas
de todas as partes da sociedade. Nossa sede no centro é próxima a um local
onde vivem muitos sem-teto e procuram por trabalho e serviços. A AE
coordena mais de 15.000 horas de trabalho comunitário judicial.
Consumidores e clientes comerciais descarregam recicláveis 24 horas por
dia, sete dias por semana. Tratamos todos com dignidade e respeito, não
importando o seu “status”, e em troca, recebemos o bem querer da
sociedade.
Quando interagimos com todas essas pessoas, falamos sobre as realidades da
reciclagem e sobre repensar a reciclagem. Muita do mercado doméstico de
reciclagem é mandado oceano afora. Outras vezes, a reciclagem é feita por
trabalhadores mal pagos e maltratados ou então, o lixo é reprocessado de
um modo prejudicial ambientalmente – não importa se aqui ou fora. Alguns
plásticos chamados “recicláveis” como aqueles que são quase todos
queimados internacionalmente e são anunciados como uma solução para o
“desperdício de energia”. Plásticos do milho – cotados como “alternativa
natural” – são produzidos pela Cargill, uma empresa química gigantesca, e
devem passar por outro processo industrial para verdadeiramente se
separarem.
A reciclagem, somente, não é uma solução completa. É praticamente um
desvio intensivo na vida de recursos e produtos a caminho do aterro. Um
trabalho efetivo de sustentabilidade ambiental deve incluir uma análise
crítica e honesta das limitações do capitalismo e do consumismo.
Nossa organização
“Quem é o chefe aqui?”, é uma pergunta constante dos recicladores.
“Ninguém” ou “todo mundo” é a resposta, dependendo do humor da equipe.
A AE é uma organização sem fins lucrativos, operada por um coletivo.
Nossos estatutos e políticas de pessoal refletem a cultura de trabalho que
estamos desenvolvendo. Eles são usados como guias ao invés de regras.
Queremos ser dignos de sermos respeitados por nós mesmo e pelo grupo,
através da escolha e não da coerção.
Nossa cultura organizacional é fortemente influenciada pelas idéias e
princípios anarquistas, como, por exemplo, democracia direta, ajuda mútua
e ação direta. Entretanto, você não tem que ser um anarquista para
trabalhar aqui. Não somos dogmáticos, mas usamos as idéias como fundações
para criar um ambiente de trabalho justo, saudável e sustentável, assim
como esperamos ser modelos para outras empresas.
A AE empenha-se em valorizar o trabalho de maneira leal e justa – através
de salários, benefícios e políticas trabalhistas; através de um emprego
dignificante e sustentável; e através da solidariedade com outros
movimentos. Ao nos desenvolvermos como um coletivo, buscamos um processo
de pagamento razoável e igualitário. Todos os membros do coletivo tem o
salário igual, razoável.
Somos todos responsáveis pelas nossas ações do dia-a-dia, assim como pelas
decisões de longo alcance que diretamente nos afeta. Isso ocorre porque,
nós, enquanto trabalhadores, temos um assento sério na mesa de tomada de
decisões. Usamos um processo modificado de consenso. Sempre tentamos
alcançar um acordo, e nossas decisões raramente vão a voto, permitindo que
todas nossas vozes sejam ouvidas, e que a participação em cada tópico
atinja cada indivíduo. Ambicionamos em fazer com que todos sejam ouvidos
na organização. Sentamos todas as manhãs para planejar o dia, e toda
semana para nos reunirmos em comitês. Todos nós fazemos o trabalho sujo e
pesado, o trabalho administrativo e as relações públicas.
Ainda, a AE está se afastando dos modelos tradicionais de organizações sem
fins lucrativos – normalmente muito dependentes das subvenções de
fundações e doações de membros. Ao invés disso, vendemos produtos e
serviços que acreditamos ter um calor econômico e social. Funcionamos sem
fim lucrativo ao fazer funcionar um negócio auto-pagável. Nós temos
colocado fortemente, e intencionalmente, a venda de nossos materiais como
a maioria da nossa receita. Se toda a boa vontade das fundações, do
governo ou de indivíduos secar amanhã, continuamos nos negócios porque
encontramos quem necessite de nós. Nossa autonomia de investimentos de
fora nos permite tomar decisões éticas e com princípios, dizendo como,
porque e para onde devemos conduzir nossos negócios. Podemos montar nossos
negócios e o local de trabalho como desejarmos. Estamos criando sistemas
econômicos funcionais que são autônomos e que operam de forma ética sob um
sistema capitalista e além.
Conclusão
Nós cometeremos erros ao longo do caminho. Entretanto, isso faz parte da
beleza do nosso trabalho. Não temos que ter todas as respostas. Podemos
questionar a nós mesmos, nossas comunidades e outras para adaptar e
construir sistemas mais saudáveis. Queremos exemplificar com a “propaganda
dos feitos” que o nosso trabalho pode ser uma parte das nossas vidas e das
nossas comunidades, e não separado. Nós não vamos ao trabalho e então
temos o resto das nossas vidas. Nem deixamos a nossa vida de lado para o
trabalho. Gerenciamos os negócios da maneira mais ética possível,
beneficiando muitas famílias, comunidades e outras organizações de base.
Queremos mostrar que podemos ter modelos econômicos justos, sustentáveis e
significativos, onde não tenhamos que desistir de nossos ideais. Ainda
sonhamos enquanto trabalhamos por mundos melhores amanhã e hoje. Como um
amigo nosso disse certa vez, “se você quer que as pessoas saiam do sistema
capitalista, crie algo melhor.”
Sonhando da selva de concreto,
Coletivo Ação Ecológica
John Clement, Eugene Crosby, Scott Crow, Susannah Cummins, Karly Jo Dixon,
Heather Mitchell, Joaquin Mariel, Brent Perdue
Tradução > Filipe Ferrari
agência de notícias anarquistas-ana




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