(pt) [Grécia] Ocupa Prapopulu

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sábado, 3 de Outubro de 2009 - 18:37:07 CEST


A Ocupa Prapopulu está localizada em um bairro de Atenas, que se chama
Jalandri. O edifício é uma casa de alta classe, que está rodeada por um
grande jardim. Esta propriedade privada estava abandonada há 34 anos,
quando, 2 anos atrás, um grupo de pessoas de diferentes idades e
referências políticas, decidiu transformá-la em um lugar de criatividade e
resistência.
A ocupa funciona como um espaço político e cultural, possui uma base de
ação política fora dela e não é usada como local de moradia. Está baseada
na anti-hierarquia, igualdade, autogestão, relações não comerciais e não
colaborativas com o Estado, partidos políticos e outros estruturas da
autoridade. A gestão se realiza exclusivamente através de uma assembléia
aberta onde cada interessado é livre para participar. As decisões são
tomadas coletivamente por consensos, respeitando as distintas visões
políticas. Há uma biblioteca, uma horta de cultivo natural onde
freqüentemente compartimos uma parte da colheita com os vizinhos e
animamos as pessoas a participarem. Além disso, há projeção de filmes
semanalmente, oficinas de bicis, aulas de castelhano, oficinas de teatro e
outras coisas mais. Instalamos também um gerador de vento que ao final não
funcionou e agora estamos experimentando com painéis solares, considerando
a autonomia de energia como um aspecto da luta. Nossas atividades variam
de obras de teatro para crianças, festas, concertos, até jornadas
informativas sobre as condições nas prisões, os Zapatistas, a rebeldia de
Oaxaca, espaços públicos e “desenvolvimento” e capitalismo “verde”. Em
todos nossos eventos não cobramos entrada, e todos os gastos são cobertos
com a contribuição voluntária em uma caixa de apoio econômico, com a
perspectiva de promover a solidariedade e evitar relações comerciais e
autoritárias.


Damos ênfase na ação local, em se relacionar bem com os vizinhos e em
interagir com a sociedade de uma maneira criativa. O espaço está
disponível para cada qual que queira usá-lo, sempre respeitando as
características da ocupa. Atuamos contra processos do município para
restringir os espaços públicos e exploração de espaços naturais. Temos
feito várias ações na praça central de nosso bairro, mandando muitas
mensagens de texto sob o som de música e de anúncios. Freqüentemente
tomamos parte em temas políticos centrais coordenados com outros grupos (a
maioria anarquistas e autônomos), para organizar manifestações e ações de
solidariedade a presos políticos, ocupas sob repressão estatal ou
para-estatal, sobre questões ambientais, contra as prisões, contra as
eleições e outras coisas mais.
Porém, o funcionamento atual da ocupa foi violentamente bloqueado. Depois
de um ano e meio de muitas atividades, ações e resistência, o Estado, sua
polícia, e seus melhores amigos: os grupos fascistas - realizaram uma
séria agressão a ocupa. Nacionalistas, para-estatais invadiram a ocupa na
noite de aniversário da independência grega, queimaram o teto de madeira e
a biblioteca e destruíram uma grande parte da casa. Encarando os fatos em
vista da destruição, fedendo ao odor de repressão, olhamo-nos um para o
outro e constatamos que a única coisa certa foi que não queimaram nada que
não pudesse ser restaurado. Falharam em tentar queimar todas as coisas
importantes que nos motivaram para seguir o que estamos fazendo, pois não
conseguiram atingir a solidariedade de todos os que participam na ocupa e
nossa determinação para seguir na luta.
Uma manifestação com 500 pessoas foi organizada em nosso bairro, que
gritou: “Estamos aqui, e a luta segue!” Desde este momento, temos dedicado
muito esforços e tempo para restaurar a casa, recebendo uma onda comovente
de solidariedade e apoio de ocupas, anarquistas, esquerdistas e vizinhos,
que foi expresso principalmente com a mão de obra e dinheiro para comprar
materiais. Pedir, ou aceitar dinheiro do município ou de outras
instituições autoritárias, foi negado desde o princípio. As atividades
semanais foram interrompidas para uma temporada onde nos centramos mais
nas obras e avançamos, mas agora começamos a organizar novas atividades.
Auto-organização tem sido sempre nosso caminho, caminhando em
solidariedade passo a passo até a liberdade e fixando-nos na libertação
social.
Sobre as ocupas e os espaços autônomos na Grécia
As primeiras ocupas (com características políticas) foram estabelecidas
aproxidamente há 25 anos, e foram influenciadas por movimentos similares
que surgiram em outros locais da Europa. Na maioria dos casos, a base
ideológica das ocupações na Grécia vem principalmente da teoria e das
práticas anarquistas e da autonomia, e menos da necessidade efetiva de
hospedaria como motivo fundamental para a ocupação. Não obstante,
ultimamente, em função do número crescente de imigrantes, muitos edifícios
vazios estão sendo reabilitados, mas isso é ainda um fenômeno que não
consegue ter muita visibilidade. Durante os últimos anos as ocupas e os
espaços autônomos têm se relacionado direta, ou indiretamente, com
processos revolucionários e lutas. Hoje em dia existem quase 20 ocupas bem
conhecidas em 10 cidades gregas e a maioria delas se localizam nas duas
maiores cidades do país: Atenas e Tessalônica.
Algumas destas são também de moradia, cobrindo a necessidade para o
alojamento das pessoas que estão envolvidas. Além disso, há vários locais
que funcionam como espaços libertários, mas que estão alugados e também há
muitos espaços ocupados dentro das universidades.
Todos estes espaços tratam de difundir na sociedade as idéias de
auto-organização, solidariedade, igualdade e resistência. São
independentes do Estado e partidos políticos, e por sua própria forma de
existência tratam de ser uma pequena mostra do mundo pelo qual estamos
lutando.
Não obstante, estes espaços têm sido muito pouco aceitos amplamente pela
sociedade local e isto faz com que se torne muito difícil conseguir o
apoio e a solidariedade de partes mais amplas da sociedade, mas faz parte,
nada se pode mudar de um dia pro outro.
No setor da repressão, a situação se torna cada vez mais difícil com a
promoção de novas leis repressivas com relação a ocupação de edifícios
públicos, com aplicação de medidas anti-terroristas, com o uso de forças
especiais da polícia e uma onda crescente de agressões por grupos
fascistas e para-estatais.
Ainda que muitas ocupas estejam localizadas em espaços de propriedade
universitária, e assim estejam protegidas da intervenção policial (graças
a Asylum), estão enfrentando os riscos da descaracterização do espaço
acadêmico mediante um processo de privatização para exploração comercial.
Alguns exemplos de ocupas que foram desalojadas recentemente são “Santa
Barbara” e a de “IKA” que foram demolidas e “Millerou” e “Germanikou” que
foi violentamente fechada em nome da reconstrução e desenvolvimento do
bairro.
Diante da ameaça de desocupação está agora a ocupa fábrica “Ifanet” em
Tessalônica, a maior que existe na Grécia. Recentes agressões feitas por
grupos fascistas, como a tentativa de provocar um incêndio na ocupa “Villa
Amalias” (que tem 19 anos de existência), o ataque com machados no espaço
libertário “Antipnia”, e muitas outras tentativas de atentar incêndios em
espaços políticos e sindicalistas têm conformado este estado de repressão:
criando ao mesmo tempo uma condição de medo e insegurança.
Nós estamos enfrentando uma situação que parece incomodar tão intensamente
os que estão por cima, eles que tratam de eliminar cada fonte de
diversidade e revolta contra suas instituições, assim a solidariedade é
nossa arma em nossa luta comum pela liberdade e a vida.
A terra é daquele que a cultiva... ...e a respeita!
As casa vazias são dos que as ocupam!
Da região norte de Atenas...
Pela libertação social,
Ocupa Prapopulu
http://protovouliaxalandriou.blogspot.com/
Tradução > Juvei
agência de notícias anarquistas-ana




More information about the A-infos-pt mailing list