(pt) [Português] FUNDAÇÃO DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA DE SÃO PAULO (FASP)

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Quinta-Feira, 26 de Novembro de 2009 - 18:36:50 CET


Foi fundada em 18 de novembro de 2009 a Federação Anarquista de São Paulo
(FASP)!
Funcionando como Pró-FASP desde o início de 2008, a organização foi
formalmente fundada em um evento ocorrido no último final de semana que
reuniu a militância da própria FASP, além de delegados da Federação
Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ).

No evento de fundação, foi lido um Manifesto de Fundação, apresentado um
vídeo, em que os militantes relataram a teoria e a prática deste um ano de
atividades, a leitura das declarações de solidariedade das organizações:
FARJ, Organização Resistência Libertária (ORL), Federação Anarquista
Uruguaia (FAU), Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e Rusga Libertária, além
de mensagens de individualidades.

Houve presença de militantes do Ativismo ABC e do Ay Carmela, espaço onde
foi realizado o evento de fundação.

Na seqüência, companheiros e companheiras intervieram falando sobre a
fundação, congratulando a recém fundada organização e seus militantes.
Houve no final uma confraternização com comes e bebes.

Enfim, fechamos este breve relato com a parte final do Manifesto da FASP,
que assim colocou:

“Entoamos as consignas de outras organizações para declarar fundada, neste
momento, a Federação Anarquista de São Paulo!

Ética, compromisso, liberdade!
Não tá morto quem peleia!
Arriba los que luchan!

Viva o anarquismo!
Viva a FASP!”

Veja mais em www.anarquismosp.org


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MANIFESTO DE FUNDAÇÃO DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA DE SÃO PAULO (FASP)
Companheiros e companheiras,

depois de pouco mais de um ano do chamado para a constituição de uma
organização anarquista especifista em São Paulo, nos reunimos hoje para
finalizar esta etapa da Pró-Federação Anarquista de São Paulo. Há exatos
20 meses, alguns companheiros, motivados pelas experiências do anarquismo
organizado no Brasil e identificando a necessidade de uma atuação
organizada dos anarquistas nos movimentos populares, decidiram iniciar as
discussões para formar uma organização específica anarquista. Estas
discussões culminaram no I Encontro Pró-FASP, realizado em julho de 2008,
e no II Encontro Pró-FASP, ocorrido em julho de 2009, que tiveram ampla
participação, mostrando o interesse pela proposta.

Neste período, constituímos um núcleo de militantes e um grupo de apoio
que se reuniram periodicamente e, em pouco tempo, se engajaram nos
trabalhos práticos, aproveitando o que já vinha sendo realizado por
militantes individualmente. Hoje, a Pró-FASP divide-se, para o trabalho
social, em duas frentes: uma camponesa e indígena, que realiza atividades
com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e com o movimento
indígena, e outra, comunitária, que realiza atividades com o Movimento
Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR). Internamente, temos
realizado relações com individualidades e outras organizações, além de
atividades de formação política. Após incansáveis horas de reuniões e
realizações de atividades, nos sentimos preparados para dar mais este
passo rumo à próxima etapa: a fundação de nossa organização.

A FASP coloca-se dentro de uma tradição que sempre foi majoritária no
campo libertário que é a do “anarquismo social” ou do “anarquismo de
massas”, responsável por impulsionar fenômenos de grande importância como
o sindicalismo revolucionário. No entanto, ainda que sustentemos a
necessidade do anarquismo desenvolver-se nos movimentos populares – o que
alguns chamaram “vetores sociais do anarquismo” – defendemos que para isso
é fundamental a organização específica anarquista, posição esta que nem
sempre foi majoritária. Esta posição foi defendida, historicamente, desde
o surgimento do anarquismo, por Bakunin (Aliança da Democracia
Socialista), Malatesta, e mesmo Kropotkin em determinados momentos,
passando pelos anarco-comunistas russos do Dielo Truda e pelos búlgaros da
Federação dos Anarco-Comunistas Búlgaros (FAKB). Na América Latina há
experiências importantes como a Junta do Partido Liberal Mexicano, a
Federação Anarquista Uruguaia e a Resistência Libertária, da Argentina.

No Brasil essa tradição de massas do anarquismo social se faz presente há
mais de 100 anos, e foi responsável pelas mobilizações sindicais que
tiveram muita relevância no início do século XX. Foi ela que organizou a
classe trabalhadora brasileira que ingressou na luta por conquistas como a
jornada de oito horas de trabalho. Nos inspiram acontecimentos como a
Greve de 1917, que contou com participação significativa dos anarquistas.
No campo da organização específica anarquista, houve grupos que tentaram
organizar a militância, mas sem grande sucesso, visto que naquele momento,
o anarquismo no Brasil, da mesma forma como em outros lugares do mundo,
estava hegemonizado pelas concepções sindicalistas, que não julgavam
importante a constituição de organizações anarquistas para o trabalho nos
sindicatos. São exemplos de organização deste tipo, o primeiro Partido
Comunista Brasileiro (1919), a Aliança Anarquista do Rio de Janeiro e
grupos de São Paulo que se constituíram em torno dos periódicos desta
época, que sustentavam os níveis diferenciados de atuação – da organização
anarquista e dos movimentos populares, o que outros chamam de “dualismo
organizacional”.

O anarquismo esteve em evidência e foi fundamental na luta de classes do
Brasil até a década de 1930 quando, por uma série de fatores externos e
internos, perdeu espaço nos sindicatos e não conseguiu encontrar novos
espaços de atuação em meio a outras lutas que se deram nas décadas
posteriores. Esta conjuntura resultou no surgimento de centros culturais,
ateneus libertários e grupos de anarquistas que, se por um lado
significavam o afastamento dos anarquistas do campo da luta de classes,
por outro tiveram a importância de manter acesa a chama do ideal
anarquista e permitir que ele sobrevivesse até os fins da ditadura
militar.

A abertura política dos anos 1980 foi importante para a reinauguração do
Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS-SP), um destes centros, fundado
ainda em 1933. A rearticulação do CCS-SP e a mobilização que ele conseguiu
para suas atividades teve significativa importância para o ressurgir do
anarquismo em São Paulo, no momento pós-ditadura. As palestras e debates
sobre diversos temas motivaram ampla participação e uma tentativa de
atividade sindical desenvolveu-se, visando reavivar a Confederação
Operária Brasileira. Aqui prestamos a devida homenagem ao CCS-SP, que foi
fundamental, nos anos 1990 e início dos 2000, para a formação dos
militantes que iniciaram a proposta da FASP. Nosso contato com seus
militantes mais velhos como Jaime Cubero (in memoriam), Antônio Martinez
(in memoriam) e José Carlos Morel foram muito importantes para nossa
formação. Junto com eles, também nos fizeram conhecer e nos aprofundar no
ideal anarquista, as publicações da editora Novos Tempos / Imaginário
feitas por Plínio A. Coêlho.

O desenvolvimento do anarquismo nos anos 1990 e início dos 2000 nos
ensinou muito. Tivemos contatos com experiências como a Federação
Anarquista Gaúcha, a Federação Anarquista do Rio de Janeiro e outras
iniciativas que derivaram do processo da Construção Anarquista Brasileira
aqui em São Paulo. Ao mesmo tempo, nestes anos, alguns de nós realizaram
militância nos movimentos populares, fundamentalmente nas mobilizações
comunitárias na periferia, em movimentos de sem-terra, sem-teto, entre
outros. Além disso, participamos do “movimento de resistência global” e de
diversas manifestações e enfrentamentos de rua, ocupações e outras formas
de ação direta.

Este acúmulo entre o que houve de positivo e de negativo destas
experiências, ainda que seja modesto, nos fez estar certos de algumas
coisas:

* Os movimentos populares que organizam, por suas necessidades, as classes
exploradas que sofrem os efeitos da luta de classes nos parecem os únicos
meios para operar uma transformação revolucionária da sociedade visando à
construção do socialismo.

* Assim, nossos esforços devem buscar construir e participar destes
movimentos.

* Neste processo de construção e participação, estar nos movimentos
individualmente e desorganizados não é suficiente. É fundamental que
estejamos lá com um projeto programático e com a devida organização.

* Devemos nos preocupar com a relação entre a organização anarquista e os
movimentos populares para não incorrermos em conhecidos equívocos: nem
estar atrás dos movimentos, “a reboque” deles, nem à frente, querendo
exercer função de partido de vanguarda.

* Para isso, não é suficiente a auto-identificação como anarquista, mas a
identificação com um projeto determinado. Precisamos de um modelo de
organização que dê conta dos objetivos que nos propomos a atingir.

* Estas premissas apontam para a necessidade de criarmos uma organização
específica anarquista que, com unidades no campo da teoria e da prática,
poderá agrupar militantes responsáveis, que trabalhem com estratégia,
dando a devida coesão ao nosso trabalho.

Portanto, é isso o que pretendemos realizar hoje aqui. Humildemente,
plantar mais uma semente do anarquismo em nosso solo latino e trabalhar
com determinação para que ela germine e dê frutos promissores. Aproveitar
as lições aprendidas no passado para trabalhar na construção do futuro. E,
por meio do exemplo, conseguir novos e renovados militantes para nossa
causa.

Esta data escolhida para nossa fundação alude a um momento-chave na
história do anarquismo no Brasil. Em 18 de novembro de 1918 os anarquistas
realizaram uma insurreição no Rio de Janeiro com o objetivo de criar o
primeiro soviete no país. Apesar de frustrada, a experiência nos inspira
por representar um momento histórico do anarquismo no seio do movimento
popular, com muita combatividade na luta pela revolução social.

Finalmente, entoamos as consignas de outras organizações para declarar
fundada, neste momento, a Federação Anarquista de São Paulo!

Ética, compromisso, liberdade!
Não tá morto quem peleia!
Arriba los que luchan!

Viva o anarquismo!
Viva a FASP!

Federação Anarquista de São Paulo (FASP)
18 de novembro de 2009
www.anarquismosp.org


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Declaração de Solidariedade da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)
Saudação à Federação Anarquista de São Paulo

Nesse 18 de novembro, a Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) não
apenas se recorda dos 91 anos da Insurreição Anarquista de 1918, ou dos 8
anos de fundação da Biblioteca Social Fábio Luz. Nesse dia 18 de novembro
de 2009, a FARJ comemora com alegria a fundação da Federação Anarquista de
São Paulo (FASP).

A data escolhida não poderia ser mais simbólica para representar (e por
que não dizer selar) essa união histórica entre os anarquistas do Rio e de
São Paulo, que atravessou todo o século passado. Vivemos, nessas muitas
décadas, tempos de luta, resistência, vitórias e derrotas. Mas estivemos
juntos e solidários enfrentando a repressão da Primeira República e da
ditadura do Estado Novo. No ressurgir do pós-guerra, “juntamos os cacos” e
resistimos aos tempos de hegemonia stalinista ao redor dos nossos jornais
Ação Direta e A Plebe. Nova ditadura vem, e Ideal, Jaime, Martins e outros
companheiros mantiveram a chama acessa através do Projeção. Nos anos 80, a
refundação do velho CCS-SP inspirou os companheiros cariocas a fundar o
Círculo de Estudos Libertários (CEL), que serviu nos anos 90 para o
ressurgimento do Anarquismo Social no Rio de Janeiro.

A FASP e a FARJ irmãs, unidas de várias formas, trilhando caminhos comuns,
são a renovação de uma longa história, que continuará a ser construída
desde já.

Longa vida à FASP!
Viva o 18 de novembro!
Viva a Federação Anarquista de São Paulo e do Rio de Janeiro!
Ética, Compromisso, Liberdade!

FARJ
Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2009


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Declaração de Solidariedade da Organização Resistência Libertária (ORL)
Carta de Saudação à Federação Anarquista de São Paulo

Companheiros e companheiras da Federação Anarquista de São Paulo,

É com muita estima que escrevemos neste momento. Saudamos a todas e todos
pela criação da Federação Anarquista de São Paulo, importante iniciativa
de luta buscada já há algum tempo e agora concretizada.

Para nós, além de uma importância para a luta no âmbito local, a fundação
da FASP possui uma importância em nível nacional, pois amplia o leque de
atuação e de articulações entre os que estão imbricados não somente por
uma ideologia comum, mas por um modelo específico de atuação dos
anarquistas junto aos movimentos sociais e por um real compromisso
militante com todos os explorados.

O estado de São Paulo tem um longo histórico de lutas, que sabemos
remontar ao final do século XIX. Ao longo do último século foram muitas as
iniciativas libertárias neste estado visando à formação de uma cultura
militante e de um espírito de luta e rebeldia por meio da propaganda, da
educação, de greves e mobilizações múltiplas, por meio de organizações
anarquistas, de associações e sindicatos revolucionários.

Toda essa história nos lega uma tradição importante no campo das lutas
sociais neste país e é nosso dever dar continuidade a essa tradição,
fazendo com que a ideologia anarquista permaneça no seio das classes
populares e a serviço da Revolução Social. Para nós, vossa federação
representa esse anseio de retomada do anarquismo organizado e social no
estado de São Paulo.

A FASP surge num momento importante na conjuntura do anarquismo
brasileiro. Estamos em claro momento de avanço do anarquismo especifista
no país. O surgimento de novas organizações, dentre as quais a nossa
Organização, aliado ao importante trabalho das que já existem, vem
colaborando para o fortalecimento do anarquismo social em âmbito nacional.

Temos a confiança de que vossa Federação será uma referência importante na
luta anarquista em São Paulo, aglutinando companheiras e companheiros
comprometidos com um projeto militante, ético e responsável, com claras
diferenças em relação ao espontaneísmo individualista presente em nosso
meio há tanto anos e à postura vanguardista característica de um recém
intitulado “bakuninismo”.

Sabemos que existe um longo caminho pela frente e que a obra colossal a
qual nos dispomos exige esforços igualmente colossais. Saudamos a fundação
da FASP por que hoje ela significa mais um passo decidido dos que sabem
que o anarquismo é um caminho que se trilha ao lado dos de baixo e que é
lutando por uma grande causa que se pode dar provas da própria grandeza.

Viva a Federação Anarquista de São Paulo!
Pelo Anarquismo Organizado!
Viva a Revolução Social!

ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA
Fortaleza/CE - 17/11/2009


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Declaração de Solidariedade da Federação Anarquista Uruguaia (FAU)

Saúde!

Companheiros da Federação Anarquista de São Paulo.

Queremos, do Uruguai, enviar-lhes uma fraterna saudação por ocasião da
fundação da Federação Anarquista de São Paulo.

Sabemos do processo que levou a este bom dia. Bom dia, porque a América
conta com uma nova organização do anarquismo especifista, do anarquismo de
intenção revolucionária. Sabemos da necessidade de organizar aqueles que
perseguem a liberdade como ideal; aqueles que vivem a realidade dos pobres
e dos oprimidos deste mundo.

Somos homens e mulheres livres, antes de tudo, sem vanguardismos, sem
mandatos divinos. Somos ação e pensamento em nossa ideologia, sabemos das
dificuldades deste mundo enfermo, e antes de tudo e sobretudo, preferimos
nos organizar, colocando uma pedra no caminho desta macabra arquitetura de
poder: uma organização anarquista.

Nos alegramos e assumimos o vínculo e a solidariedade correspondentes. Mas
sabendo da pressão a que o anarquismo está submetido na América, diante da
flagrante perseguição política contra nossa ideologia no Brasil,
concretamente em Porto Alegre. A realidade à que está sendo submetida
nossa organização irmã, a FAG, é inaceitável. Tomamos como uma própria
ofensa esta violência e estamos convencidos que ela não pode passar em
branco.

O motivo das acusações a nossos companheiros de Porto Alegre é o mesmo,
mas já explícito, pelo qual se vem perseguindo o anarquismo durante a
história e em todos os tempos. Sabemos que criticar e lutar contra este
sistema infame significa o que esta situação nos mostra.

É por isso, e mais além do contexto específico, que saudamos a fundação da
FASP.

Queremos desejar-lhes as maiores vitórias, que se materializem os desejos,
isso que imaginamos como revolução, este novo mundo que levamos em nossos
corações.

Com grande alegria os saudamos.

Porque para os pobres do mudo todos os tempos são de luta.

Pela utopia, pela liberdade.

Arriba La FASP!

Arriba los que luchan!

Federação Anarquista Uruguaia


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Declaração de Solidariedade da Federação Anarquista Gaúcha (FAG)
Aos companheiros da FASP

É com muita satisfação que nós, anarquistas organizados na FAG, saudamos a
fundação da Federação Anarquista de São Paulo. O anarquismo durante muitos
anos esteve ausente da vida de nosso povo, e cabe a nós a tarefa de
apontar o anarquismo como uma alternativa e uma ferramenta de luta das
classes oprimidas de nosso país.

Enquanto FAG nos colocamos ao lado dos companheiros da FASP nessa tarefa,
cientes de que a transformação social em nosso continente só será
libertária se existirmos enquanto anarquistas organizados e inseridos
socialmente. Por isso a existência de uma organização anarquista com estas
intenções em um estado com uma população como a de São Paulo é fundamental
para construção de uma alternativa libertária de caráter nacional, que
respeite e entenda as especificidades regionais desse país.

Infelizmente não poderemos estar presentes nesse momento tão importante
para os companheiros, mas queremos que saibam que não mediremos esforços
para exercitar a solidariedade anarquista aos companheiros.

Vida longa a FASP!

Saúde e Anaquia

Desde o Sul do Brasil.

FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAÚCHA


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Declaração de Solidariedade da Rusga Libertária
Vida Longa à Federação Anarquista de São Paulo

A Rusga Libertária recebe com grande entusiasmo a notícia de que hoje
as/os companheiras e companheiros estão se reunindo para marcar a fundação
oficial da Federação Anarquista de São Paulo (FASP).

Infelizmente a distância e outros problemas do dia a dia, nos impedem de
compartilhar este importante momento.

O trabalho para se forjar uma organização anarquista é árduo, um caminho
espinhoso onde teremos mais dificuldades do que possamos imaginar. Exige,
antes de tudo, uma permanente análise da nossa sociedade (suas
transformações, inconstâncias, debilidades, fortalezas, etc.) assim como
um tenaz empenho para marcar nossa presença em todos os espaços onde o
povo esteja, de forma a estimular sua luta e organização, único caminho
possível para se forjar um povo forte. Sem um povo forte, capaz de se
organizar sem a intermediação de políticos profissionais, confiante em sua
força jamais teremos possibilidades de transformações profundas.

Este caminho, temos certeza, não se decreta, se constrói todos os dias,
com os muitos tropeços e avanços que iremos experimentando em nossa
caminhada. Nossa permanente análise sobre os caminhos traçados, com a
devida modéstia de saber identificar erros é portanto de fundamental
importância.

Estamos confiantes de que os companheiros que hoje fundam a FASP estão
dispostos a enfrentar estes desafios com a firmeza de nossas idéias e a
inspiração de nossa História. Hoje, se marca mais um passo na justiça
histórica que nós, anarquistas temos responsabilidade em realizar.
Trata-se da tarefa de recolocar o anarquismo presente nas lutas de
classes, resgatar seu legado histórico.

É portanto com muita felicidade que enviamos nossos votos de solidariedade
aos/as companheiros e companheiras que hoje fundam a FASP, escrevendo mais
uma importante página para o resgate do anarquismo em nossas terras.

Um solidário abraço,
Rusga Libertária/FAO – Cuiabá, 18 de Novembro de 2009


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Carta Aos Companheiros De Luta da Federação Anarquista de São Paulo
Salud a todos os companheiros e companheiras de luta e ideal. Após cerca
de um ano de militância, vontade e muita esperança, é com fé em nossa
prática que finalmente concretizamos uma organização anarquista
especifista em São Paulo. Chegou o momento de, definitivamente, sacarmos o
“pró”, sempre em frente de nossa nomenclatura durante todo nossa breve
trajetória, e constituirmo-nos como FASP. É um marco, um momento decisivo
e bonito. Apesar de bonito, acarreta um aumento importante de
responsabilidade, que precisamos estar cientes e sabermos manejar. A FASP
é uma organização que se pauta se preocupa em estar junto com seus irmãos
de luta, que se construiu apoiada em exemplos próximos e com parcimônia,
sempre mirando o trabalho de base, focado em realocar o anarquismo no
campo da esquerda ativa. Agora este horizonte se amplia e a relevância de
nossa atuação também.

Infelizmente não posso estar presente na fundação. Me entristece muito
pois estive ao lado de meus companheiros em praticamente toda essa
caminhada e, justo neste momento de festa, de firmar o trabalho e olhar
adiante com o peito cheio, não posso participar. Entretanto, em pouco
tempo estarei de volta a FASP, com gás renovado para fazer acontecer todo
nosso planejamento estratégico.
Deposito toda minha confiança nos companheiros da FASP que durante todos
estes meses trilharam um bonito caminho. Caminho este que trouxe todos até
aqui.

Que a FASP se mostre um pilar do anarquismo organizado no Brasil e
comparta com todos os companheiros os frutos deste trabalho.

Um grande abraço a todos. Um salve a Federação Anarquista de São Paulo.

Junior Bellé


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