(pt) [EUA] Escola Livre de Baltimore

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Quarta-Feira, 18 de Novembro de 2009 - 19:48:02 CET


[Já está de portas abertas a Escola Livre de Baltimore. Este é um novo
projeto libertário tocado por algumas pessoas envolvidas com a livraria
Red Emma's Coffeehouse de Mount Vernon, em Baltimore, juntamente com um
grupo de educadores radicais e voluntários. A seguir excertos de uma
matéria que saiu num jornal de Baltimore com alguns dos organizadores da
Escola Livre.]
 “Todo mundo tem alguma coisa para ensinar”, conta Kate Khatib, ativista
do coletivo Red Emma e co-organizadora do Projeto Escola Livre Red Emma,
última iniciativa da livraria de Mount Vernon, em Baltimore. “E a idéia
por trás disto é a de que será aberta para todas as pessoas participarem
e compartilharem o conhecimento que cada um tem, seja isto algo muito
extenso ou muito pequeno e rebuscado, uma verdadeira série de coisas.”
“Nós sempre estivemos muito interessados em desenvolver coisas
educacionais aqui”, acrescentou John Duda, outro ativista co-organizador
do coletivo Red Emma. “Esta foi uma das razões de abrirmos este espaço.
Nós queríamos fazer a nossa própria cafeteria, mas também ir mais longe,
apresentar mais pessoas às conversas sobre livros e idéias.”


A livraria e cafeteria do Red Emma vão completar cinco anos neste mês de
novembro, e no começo de 2007 o coletivo formou uma parceria com a Igreja
Metodista Unida de São João, localizada na Rua St. Paul em Charles
Village, para formar o Espaço 2640, um local de reunião multiuso
perfeitamente apropriado para a extensa programação cultural do Red Emma:
de performances musicais, leituras, feiras e festivais (a Feira de Livros
Radicais, a Festa Faça Você Mesmo) a conferências intelectuais estilo
acadêmico, tal como a passada conferência City From Below.


Todas estas atividades são grandemente inspiradas pelos ideais políticos
do coletivo que estão fora das normas usuais dos modelos comerciais de
pequenos negócios (os trabalhadores que são os donos do Red Emma, que é
coletivamente administrado), produtos varejistas (vendem uma porção de
livros de editoras pequenas e independentes, assim como periódicos que
cobrem ostensivamente a cultura e a política radical estadunidense e de
outros países), e itens de cardápio (a cafeteria serve cafés orgânicos a
um preço justo e comida vegana/vegetariana).


Uma idéia similar orienta o Projeto Escola Livre Red Emma. Quando o espaço
da tinturaria, vizinho ao Red Emma na Rua St. Paul, foi recentemente
desocupado, o coletivo pensou em adquiri-lo para transformá-lo numa sala
de aula. No começo de maio, Duda começou a circular e-mails e comunicados
para levantar dinheiro para cobrir as despesas da escola – aluguel,
basicamente. A meta era levantar aproximadamente 6.000 dólares para cobrir
as despesas do espaço por um ano através de doações nominais de
participantes interessados – “idealmente, se precisarmos juntar 500
dólares por mês, teríamos 100 pessoas pagando 5 dólares por mês – uma
quantia que não pesasse muito para as pessoas”, explicou Khatib oferecendo
um exemplo. Atualmente, Duda e Khatib informaram que cerca de 75 por cento
dos custos iniciais já foram levantados.
O modelo educacional da escola, assim como a livraria/cafeteria e o Espaço
2640, não reinventou a roda, pois meramente introduz uma alternativa ao
sistema educacional institucional. “Por certo há pessoas que abriram
escolas livres por um tempo realmente longo”, disse Duda. “As pessoas têm
feito isso em lugares ao redor de todo o país. A que sou mais familiar é a
de Santa Cruz, que tinha uma escola realmente excelente. Eles trabalham de
uma forma um pouco diferente, e claramente estamos olhando para estas
experiências para nos inspirar, mas também fazem parte da larga tradição
de educação libertária, [tal como] a Escola Moderna”.
As Escolas Modernas Norte-Americanas foram, no começo do século XX,
inspiradas pelas Escolas Modernas do anarquista espanhol Francesc Ferrer i
Guardia, cujas organizações planejavam ensinar aos estudantes
intermediários sobre ideais sociais progressistas. (Algumas informações
sobre Guardia, a primeira Escola Moderna de Nova Iorque, e seus
organizadores, podem ser encontradas na internet). Mais recentemente, a
idéia da “eskola livre” tem emergido como um modelo educacional livremente
estruturado, de orientação comunitária e organizado popularmente. O
exemplo de Santa Cruz que o Duda está citando – Eskola Livre Santa Cruz –
atualmente se vangloria de um currículo [primavera 2009] que inclui um
punhado de aulas que vão de oficinas de reparos de bicicleta a instrução
de linguagem, de oficinas sobre primeiros socorros a seminários
acadêmicos, tal como “A Nova Poesia Americana”.
São estes tipos de contribuições ecléticas que Duda e Kahatib gostariam de
ver em Baltimore. E muitas pessoas já estão entrando em contato com eles
com propostas de aulas, cursos... “Nós temos um monte de pessoas que
querem dar cursos de línguas”, disse Duda. “Então queremos ter aulas de
Espanhol, Árabe, Russo, Francês”.
“Mas também [Inglês como uma segunda língua]”, acrescentou Khatib. “É uma
real fileira de coisas. Idealmente e esperançosamente – veremos como vão
as coisas – mas idealmente isto seria uma mistura de troca de habilidades
muito práticas e pessoas ensinando variedades de coisas, mais históricas
ou mais teóricas.
De muitas formas, o Projeto Escola Livre é uma continuação mais
consistente dos diversos eventos e conferências patrocinados pelo Red Emma
durante todos estes anos. “Fizemos coisas no 2640, evento grandes –
debates, a Conferência City From Below – e uma grande parte destes eventos
girou em torno desta idéia educacional”, disse Duda. “E uma das coisas na
qual encontramos dificuldade em fazer é realizar coisas mais sustentadas.
Quando você tem todos estes espaços multiusos que estão sempre sendo
usados para toneladas e toneladas de coisas, é difícil dizer, Ok, iremos
ter uma aula e nos encontraremos todos os dias. É difícil fazer isso sem
ter que fechar o negócio (se utilizarmos o espaço da loja e do 2640), e é
necessário um espaço muito maior do que você precisaria para, vamos dizer,
10 pessoas falar sobre um livro."
Então quando o espaço ao lado ficou disponível, o coletivo decidiu ver se
podia dar o ponta pé inicial para realizar a idéia da Escola Livre. Se os
custos de início do primeiro ano forem levantados, o coletivo espera abrir
as portas para aulas no verão. Ter cursos ou ensinar um curso não é
contingente ao investimento financeiro na escola, embora os organizadores
esperem que o uso e o interesse na escola gerem tipos de apoio contínuos
na participação e doações modestas para sustentar o projeto. Assim como a
livraria e o Espaço 2640, a construção da comunidade é uma das metas da
Escola Livre tanto quanto oferecer bens e serviços.
“Esperamos que no final a gente tenha um mistura de pessoas de Baltimore,
mas também pessoas de fora da cidade”, conta Duda. “Uma das coisas que nós
estamos pensando é convidar pessoas de fora da cidade que já trabalhamos
no passado para vir e ficar um final de semana ou uma semana e dar
seminários extensos."
“O City From Below foi um final de semana incrível, mas também foi um
triunfo organizacional surpreendente porque reuniu tantas pessoas
diferentes que até mesmo não sabiam que compartilhavam todas essas idéias
ou todos estes desejos de mover as coisas adiante, pra frente”, adicionou
Khatib. “E penso que a Escola Livre é um resultado natural das coisas que
estamos fazendo desde o começo”.
Mais infos: http://freeschool.redemmas.org/
Tradução > Marcelo Yokoi
agência de notícias anarquistas-ana


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