(pt) Arcebispo espanhol denuncia anarquista por falar dos crimes da Igreja

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Sexta-Feira, 13 de Novembro de 2009 - 09:54:04 CET


[Na Espanha, o arcebispo de Toledo, cidade localizada a 60 km de Madri,
denunciou um militante anarquista da CNT e da FAI por uma conferência que
abordava os crimes cometidos pela Igreja Católica.]
A Igreja nunca tolerou a liberdade em geral, mas, notadamente, para ser
mais específico, nunca toleraram a liberdade de expressão. A
destruição de livros, a queima de hereges, a condenação da liberdade
de imprensa, têm sido marcos de sua história que ainda hoje se atrevem a
negar. E há mais coisa para falar sobre isso...

O fato de anunciar uma conferência sobre os crimes cometidos por esta
instituição ao longo da História foi o suficiente para que o arcebispo
de Toledo tenha denunciado ao tribunal o companheiro que figurava como
palestrante e, possivelmente, a CNT (Confederação Nacional dos
Trabalhadores) e a FAI (Federação Anarquista Ibérica) da localidade. A
mordaça desta vez vem como uma ação judicial que pede 30.000 euros
(quase 90 mil reais!) de fiança por uma "ofensa à discriminação de um
ideal em conjunto com um crime por zombar de sentimentos religiosos". Em
relação à discriminação não compreendemos muito bem, mas o resto
entendemos perfeitamente. Sim, você leu direitinho, eles pretendem fazer
uso do Código Penal para punir a paródia, o sarcasmo, o ridículo ou,
simplesmente, a divulgação dos ultrajes deste poder de fato,
responsável pelo mundo injusto em que vivemos.

Há pouco mais de um ano a CNT e a FAI de Toledo prepararam uma palestra
intitulada: "Fundamentos, atitudes e comportamentos de uma organização
criminosa: a Igreja Católica". Tendo discutido abertamente esse tema
outras vezes sem problemas, inclusive na mesma cidade. Nesta ocasião, se
esperava uma exposição histórica e uma análise da realidade atual com
uma bate-papo posterior. Evidentemente que não se convocava dita
atividade dentro de qualquer igreja ou nenhum cristão seria amordaçado
ou forçado a participar para ver se ele abria os olhos como um ato de
exorcismo. Porém, desta vez, intervieram os cães bem adestrados.

Um dia antes da conferência, o principal jornal local, El Día, publicou
uma matéria de página inteira com uma chamada na capa, “a atrocidade
(literalmente) em Toledo falará”. Mas o artigo questionou o conteúdo
da conferência? Não, não, por quê? A preocupação deste porta-voz
toledanos é de quem poderia utilizar legitimamente o patrimônio sindical
acumulado (edifício onde foi feita a palestra), quem havia dado a
permissão, como se podia evitar, e que pensavam os sindicatos e partidos.

Bem, o presidente provincial da UGT (União Geral dos Trabalhadores),
Ruben Martins, disse: "Nós não temos dado permissão, de fato fiquei
surpreso com esta notícia, porque eu não sei como eles conseguiram as
chaves. O de CO (Comissões Obreiras), Jesus Garcia Villaraco contou não
saber da notícia "mas não entendo como podem fazer propaganda de uma
conferência ou atividade sem que nós saibamos”. Em seguida deixam
escapar que CO levantou a possibilidade de mudar a fechadura, e que a Sub
Delegação do Governo e a Delegação desconheciam o problema e não
tinha autorizado. Que burla! Se devia pedir a permissão ao Governo para
falar. Anteriormente não houve nenhum problema com as dezenas de atos de
todo tipo e assunto naquele local. Nem chaves ou autorização, mas,
infelizmente, meu amigo! Se tratava da Igreja!

No dia marcado voltaram à carga. Manchetes eram estampadas que o "PSOE
(Partido Socialista Espanhol) e o PP (Partido Popular) diziam que a
palestra da CNT poderia ser um crime" e que a IU (Esquerda Unida)
"criticou a forma em que foi organizado”. E mais uma página inteira no
interior do jornal, que além de dizer que "o próprio título da
conferência poderia ser uma ofensa criminal", o porta-voz do PSOE
declarou que "o conteúdo e o título da conferência não corresponde o
sentimento de quase ninguém na cidade de Toledo”. O presidente do
Toledo Popular apresentou a sua recusa "a tais atos vergonhosos,
deplorável, inaceitável e quase criminoso" e que "em uma cidade como
Toledo, que tem a categoria de primaz da Espanha não pode ser produzido
tais atos". Essa bela pessoa, depois de ter feito "um apelo às
autoridades para que não admitam que se faça", fez uma previsão (sempre
segundo o jornal): "suponho que seguirão falando bobagens
 semelhantes ao título."

Todavia, se parecia que a coisa havia acabado por aí, pouco antes de
começar o ato duas pessoas se apresentam dizendo ser jornalistas do El
Día e que vinham gravar o evento. Claro, eles foram gentilmente
convidados para não estragarem o material de gravação com tais
“sandices”, mas eles insistiram, porque "vamos aos lugares gravar o
que gostamos." Depois de que colocaram uma bomba no vestiário do Teatro
Alfil, em Madri, [do comediante italiano] Leo Bassi, de que desalojaram
uma livraria vallisoletana por ameaça de bomba, durante a apresentação
de um livro crítico com os dogmas cristãos, de Fernando de Orbaneja, e
de que deram uma surra em Iñigo Ramirez de Haro, no Circulo de Belas
Artes, durante a apresentação da peça "Me cago en Dios", eles foram
informados de que não podiam gravar, mas poderiam ficar para ouvir a
conferência. De fato ficaram, mas após cinco minutos foram embora,
porque na escola de jornalismo não lhes deviam ter
 ensinado-lhes a fazer uma crônica de algo que foi dito e o que foi
anotado. No dia seguinte, sim, eles se encarregaram de escrever que "a
CNT veta El Día e nos proíbe de gravar e tirar fotos."

Se eles acreditam que as ameaças de ação judicial servirão para calar
a nossa voz estão redondamente equivocados. No ano do assassinato de
Francisco Ferrer, instigado pela Igreja, continuaremos listando os seus
crimes e os encargos que representam para qualquer aspiração de
liberdade. Continuaremos informando...

Antonio Ripoll

agência de notícias anarquistas-ana










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