(pt) Crônica do encontro com "Anarquistas Contra o Muro" em M adri

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Domingo, 1 de Novembro de 2009 - 10:57:22 CET


Desde Contrapoder e da Federação de Estudantes Libertários, avaliamos como
um êxito o ato político que organizamos na segunda-feira (26) passada, em
Madri, com o coletivo Anarquistas Contra o Muro¹.
Pelo menos 90 estudantes se interessaram e ficaram para escutar o
companheiro israelita do coletivo Anarquistas Contra o Muro e para
participar nas perguntas e discussão posterior.
A finalizar o ato, Contrapoder e a Federação de Estudantes Libertários
organizaram um jantar vegano solidário, que junto com a ajuda dos
presentes na conferência, ajudou economicamente a que luta deste coletivo
possa continuar, apesar das dificuldades econômicas que têm causado pelas
contínuas denúncias e problemas legais que lhes impõem o Estado de Israel.
A particular visão que pode dar um israelita sobre a luta Palestina,
sobretudo na zona da Cisjordânia atraiu um grande número de estudantes.
Efetivamente o companheiro do coletivo Anarquistas Contra o Muro,
ilustrando a sua explicação com alguns mapas e diferentes vídeos das suas
ações expôs a situação que se vive atualmente na Cisjordânia, onde um muro
que deveria proteger as fronteiras legais de Israel do território ocupado
da Cisjordânia serve na realidade para proteger as colônias ilegais que
radicais sionistas foram estabelecendo na zona. Em alguns locais o perfil
do muro rodeia por completo populações palestinas, dividindo e
inutilizando terras de cultivo e tornando impraticável a mobilidade da
população palestina no território. Tanto é assim que o muro divide
praticamente em dois toda a zona sul da Cisjordânia.
As ações do coletivo Anarquistas Contra o Muro consistem em boicotar a
construção deste muro sempre em coordenação com os comitês populares
locais das aldeias, que dirigem a resistência. Esta coordenação é
necessária não só para somar forças, como também para não encontrar
resistência nas aldeias locais, já que a maior parte das represálias pelas
suas ações recai nos habitantes da zona.
É muito importante a ajuda que podem oferecer estes coletivos israelitas à
luta do povo palestino, já que a sua condição de cidadãos de Israel os
protege de represálias muito mais duras, como as que sofrem os palestinos
durante estas mesmas reivindicações, pois carecem de qualquer tipo de
direito ou proteção perante o Estado de Israel, que atua com total
impunidade. Devido a isso os únicos mortos, cerca de vinte, durante as
ações do coletivo Anarquistas Contra o Muro foram palestinos, assassinados
com armas de "dispersão não letal" por parte dos guardas do muro.
As perguntas feitas no final do ato permitiram aprofundar mais algumas
questões, como o erro de se entender que todo o partidário da luta
palestina ou crítico para com o Estado de Israel é acusado por parte dos
setores pró-israelitas e sionistas de antisemita. A própria presença de um
cidadão israelita que crítica duramente o genocídio que está a levar a
cabo Israel neste conflito faz com que este argumento perca todo o seu
sentido. Finalmente os estudantes das esquerdas desta faculdade seguirão
apoiando a sua luta e a de todo o povo palestino, condenando o genocídio
que se está levando a cabo.
[1] Anarquistas Contra o Muro é um grupo de ação direta que nasceu em 2003
como respostas à construção do muro que Israel está levantando em terra
Palestina, na Cisjordânia ocupada. O grupo trabalha em cooperação com os
palestinos numa luta conjunta não-violenta contra a ocupação.
Desde a sua formação o grupo tem participado em centenas de manifestações
e ações diretas, contra o muro especificamente e contra a ocupação em
geral, por toda a Cisjordânia. Todo o trabalho do coletivo Anarquistas
Contra o Muro na Palestina é feito em coordenação com os comitês populares
locais das aldeias e é essencialmente impulsionado por palestinos.
Anarquistas Contra o Muro: www.awalls.org
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana




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