(pt) [Canadá] Entrevista com a Editora Gato Preto

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Sábado, 16 de Maio de 2009 - 14:31:20 CEST


[A seguir entrevista com um membro da Editora Gato Preto do Canadá
concedida à editora e distribuidora estadunidense AK Press
(www.akpress.org).]
Então, a Editora Gato Preto é uma gráfica e uma editora ao mesmo tempo?
Como a Gato Preto foi formada? Há quanto tempo vocês imprimem e publicam?


A Editora Gato Preto começou em 1972 quando eu comprei uma máquina de
impressão offset e uma máquina copiadora pela soma total de 650 dólares.
Mas somente após 1994 que este projeto tem ocupado meu tempo integral,
justamente quando eu e um punhado de amigo/as perdemos nossos empregos
mais ou menos na mesma época. Isto sempre tem sido um negócio marginal,
mas de alguma forma dá para sobreviver a crise contínua que rodeia
qualquer negócio pequeno. Nós somos, principalmente, uma gráfica
comercial, e a atividade de publicação está ocupando somente cerca de 5%
de nosso trabalho, mas está aumentando rapidamente.
Como a oficina de impressão é organizada? Vocês operam como um coletivo de
trabalhadore/as, ou tem alguma estrutura alternativa? Similarmente, o/as
impressore/as compartilham as tarefas de publicação e vice-versa?
Nossa oficina é organizada pelo Sindicato de Comunicações, Energia e
Papeleiros do Canadá (CEP), um dos sindicatos mais progressistas do
Canadá. Nossa oficina quase nunca tem mais do que 2 ou três
trabalhadore/as de uma vez e o sindicato tem permitido ao dono (eu) ser um
membro, em parte porque trabalho com minhas próprias mãos. Nossos
trabalhadores sempre têm sido muito ativos no sindicato local. Como somos
muito pequenos, todo mundo tem que se envolver em todas as fases de
produção, da revisão ao empacotamento. No caso da produção de livros,
podemos contar com a ajuda voluntária da comunidade anarquista em Alberta
para editar, produzir, distribuir etc.
Quais os canais de distribuição que vocês usam?
Nós temos tido dificuldades para encontrar distribuidores, em parte porque
nossa produção de livros se utiliza do modelo “impressão sob demanda”, que
não é conducente ao tipo de descontos que os atacadistas esperam. Isto nos
força a contar com feiras de livros anarquistas e nosso próprio sítio da
internet para levar nossas publicações às pessoas. Estamos agradecidos por
recentemente poder estabelecer boas relações com a AK Press e apreciamos
as dicas recebidas sobre a venda de nossos livros.
Você tem objetivos específicos como editor? Quem você vê como sua audiência?
Há duas tendências no bastante elástico coletivo que decide o que iremos
publicar. Uma tendência é estar procurando por trabalhos de uma natureza
introdutória que seja acessível a um largo conjunto de leitore/as. Minha
inclinação própria é de produzir livros que satisfazem padrões doutos (bem
documentados com índices e informações catalogadas). Tais livros
provavelmente não venderão bem, mas acabarão em bibliotecas, onde
finalmente terão um efeito sobre a historiografia. No caso dos
makhnovistas, por exemplo, não houve, na historiografia ocidental, em
geral, muitas melhoras além da linha soviética sobre o movimento enquanto
uma manifestação do banditismo. Estou muito orgulhoso do nosso mais
recente livro, "O Congresso Anarquista Internacional – Amsterdã (1907)" de
Maurizio Antonioli, que apresenta um padrão bastante alto de erudição.
Este livro é um produto de um coletivo editorial de Florença, que foi
muito ativo na década de 1970 produzindo valiosos estudos nos quais até
agora estavam somente disponíveis em italiano, e a edição inglesa foi
habilmente preparada por Nestor McNab.
Neste ponto, a Gato Preto tem lançado vários panfletos e trabalhos curtos,
mas recentemente vocês completaram dois projetos de livro muito únicos.
Com a publicação do 1º Volume das memórias de Nestor Makhno e o estudo de
V. Azarov sobre o serviço de inteligência Makhnovista, o/as leitore/as de
língua inglesa estão ricamente gratificados. Conte-nos um pouco sobre o
processo de tradução.
Na verdade foi alguém da AK Press que nos sugeriu, aproximadamente há dois
anos e meio, que a tradução das memórias de Makhno para o inglês seria um
bom projeto. Há tempos, desde 1979, a Editora Gato Preto tem imprimido o
“Minha Visita ao Kremlin” de Nestor Makhno, uma tradução de dois capítulos
que estão presentes no Volume 2 da sua memória. Este sempre foi um
panfleto popular, sendo reimpresso inúmeras vezes e até mesmo traduzido
(novamente) para outras línguas. Aqui nós temos a capacidade de traduzir
trabalhos em russo e ucraniano para o inglês, e quando demos uma olhada no
material disponível sobre o movimento makhnovista, ficou clara a escassa
disponibilidade de materiais atualizados para o/as leitore/as de língua
inglesa.
Quando o/as leitore/as podem esperar ver o Volume II e III das memórias de
Makhno? Que pé anda este esforço de vocês?
O Volume II está sendo composto agora. Terá 4 mapas, um índice, e mais de
um aparato editorial do que o Volume I. Esperamos também sacar uma nova
edição do Volume I com mais materiais explanatórios e um índice. O Volume
III está sendo traduzido por nós por um companheiro de Berlin.
Qual outro projeto que a Gato Preto está trabalhando atualmente ou que se
pode esperar para ver no futuro?
Obtemos os direitos de publicação do "Anarco-Sindicalismo no Século XX" de
Vadim Damier, um pequeno livro de aproximadamente 120 páginas que está
sendo traduzido diretamente do russo e deve ser lançado nesta primavera.
Em longo prazo, esperamos publicar mais estudos sobre o movimento
makhnovista. Outro projeto que está em elaboração é um clássico do
anarquista romeno Zamfir C. Arbure, que também está sendo agora traduzido
para o inglês.
Mais infos: www.blackcatpress.ca
Tradução > Marcelo Yokoi
agência de notícias anarquistas-ana


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