(pt) Manifestantes do Reino Unido protestam contra o mercado de carbono

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Segunda-Feira, 9 de Março de 2009 - 21:36:37 CET


[Depois de fecharem o aeroporto de Heathrow e a termoelétrica de
Kingsnorth, ambos no Reino Unido, o movimento "Climate Camp" se prepara
para incomodar a principal bolsa de créditos de carbono da Europa, a Bolsa
Européia do Clima.]
Ambientalistas do Climate Camp
O grupo ambientalista "Climate Camp", que trabalha em defesa de ações
contra as mudanças climáticas, promete fechar a Bolsa Européia do Clima
(ECX) no dia 1º de abril, um dia antes da reunião do G20 em Londres, para
alertar sobre a ineficácia do mercado de carbono em resolver o problema
ambiental. "Tragam suas barracas, sacos de dormir, turbinas eólicas,
televisões portáteis, planos de ação e idéias e vamos imaginar um outro
mundo", anuncia o site criado para mobilizar participantes.
Para o movimento, os mercados de carbono foram desenhados com a intenção
de atrasar as difíceis decisões que precisam ser tomadas para encarar as
mudanças climáticas. "Eles estão abrindo um caminho para as indústrias
poluentes pagarem para se isentar da responsabilidade de agir com relação
as mudanças climáticas", afirma uma das integrantes do Climate Camp,
Deborah Lansing.
Ela ressalta que a crença na onipotência dos mercados teve um final
espetacular em 2008 e que o grupo não deseja ver esta mesma lógica falha
do mercado aplicada às mudanças climáticas. "Pessoas, comunidades e
governos devem lidar com o problema de reduzir as emissões diretamente ao
invés de criar novos mercados esotéricos que não irão funcionar", defende.
Segundo Deborah, os esquemas de compensações como o Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL) estão tendo um grande impacto negativo nas
comunidades do hemisfério sul. "Incineradores estão sendo construído em
áreas residenciais, comunidades estão sendo expulsas para dar lugar a
represas
Tudo para justificar a continuação da poluição no Hemisfério
Norte".
Soluções
Ao invés de usar o mercado, que para o grupo não irá resolver o problema
climático, Deborah afirma que a solução para mitigar as mudanças
climáticas terá que passar pela tentativa de largar os combustíveis
fósseis. "O mercado de carbono está fazendo justamente o oposto – está
permitindo mais extrações e o consumo de carvão, petróleo e gás."
Países que se negam a assumir compromissos a menos que todo mundo se
comprometa em fazer algo levaram as negociações internacionais a um beco
sem saída. "Talvez agora seja o momento para algum unilateralismo positivo
e alguns países que queiram ir além do que os Estados Unidos e a China
estão fazendo!", sugere Deborah.
A ativista afirma que as discussões internacionais têm sido corrompidas
pelo lobby de vários grupos corporativos como a Associação Internacional
de Comércio de Emissões que buscam aumentar a extensão e a flexibilidade
dos mecanismos de mercado. "Atualmente, as COPs parecem mais com um
comércio de carbono justo do que um Fórum internacional de Mudanças do
Clima."
Ações em 1º de Abril
Como em outros acampamentos climáticos, o grupo planeja fazer no dia 1º de
abril um trabalho de educação popular sobre este assunto e apresentar
exemplos de tecnologias sustentáveis de baixas emissões de carbono.
"Estamos construindo um movimento social no Reino Unido (e ao redor do
mundo – o acampamento climático neste ano também será realizado na França,
Dinamarca, EUA e outros países) de pessoas que querem e podem agir para
resolver as mudanças climáticas", diz Deborah.
Nas ações no Heathrow e em Kingsnorth, o Climate Camp conseguiu mobilizar
um grande número de pessoas de todo país para se engajarem na luta contra
o projeto de ampliar o aeroporto e manter em funcionamento a usina movida
a carvão. "Nós chamamos tanto a atenção da opinião pública que estas
questões se tornaram uma "batata quente" nas mãos dos políticos. Nós
motivamos pessoas e comunidades a se engajar diretamente em uma ação
massiva para prevenir que estes desastres ecológicos acontecessem",
conclui Deborah.
Fonte: Ecoa
agência de notícias anarquistas-ana





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