(pt) [Grécia] Acampamento Sem Fronteiras na Ilha de Lesbos

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Domingo, 26 de Julho de 2009 - 12:22:15 CEST


[Vamos nos encontrar na Ilha de Lesbos, de 25 a 31 de agosto. Nosso ponto
de partida não é negociável: liberdade de movimento para todos e todas,
para além de quaisquer fronteiras. Negamos a separação fictícia entre os
oprimidos, entre pessoas com documentos e sem documentos. No mundo dos
patrões somos todos estrangeiros! E é por isso e muito mais que
gostaríamos de convidá-lo para se juntar a nós, para partilhar conosco a
experiência do que está acontecendo nas fronteiras, para discutir os
problemas, para coordenar as nossas ações, a luta!]

Contra os contemporâneos Lager (campos de detenção) e as ideologias
nacionalistas, organizamos nossa resposta e nossa resistência para um
mundo sem fronteiras, pátrias e documentos.

Vivemos em um mundo de violência, injustiça e exploração. Faz séculos,
estados nacionais e patrões exploram a Terra e seus habitantes para se
enriquecerem e perpetuarem sua dominação, provocando morte, desastre e
isolamento. Evidentemente que esta situação geraria várias guerras –
preventivas ou não – fome, desastres ambientais e o saque dos recursos
naturais, onde milhões de pessoas haveriam de padecer.

Os imigrantes e refugiados são as vítimas das políticas internacionais e
nacionais que se apóiam num capitalismo desenfreado. Assim, há fortes
motivos para que assuntos como a migração e as fronteiras sejam pontos
centrais de discussão e ação para as pessoas que lutam pela destruição
desse sistema.

No Mar

Em Lesbos, nas fronteiras orientais da “Fortaleza-Europa”, milhares de
imigrantes e refugiados – mulheres, homens e crianças – são empurrados a
cruzar a fronteira marítima que os separa de uma vida digna. Seu primeiro
contato com o “sonho europeu” é com a polícia naval grega e as “seguras”
operações de prevenção que implicam em matanças, naufrágios de
embarcações, torturas, roubos e humilhações: são os “sejam bem-vindos” do
estado grego.

Participa das operações de repressão, durante os últimos dois anos com
barcos e aviões, o Frontex (Agência Européia para a Gestão da Cooperação
Operativa nas Fronteiras Exteriores). Na verdade, o Frontex é um órgão de
repressão paramilitar independente que foi montado dentro do marco da
União Européia para adestrar as autoridades locais, coordenar e
homogeneizar o controle das fronteiras. Com seu controle das fronteiras,
aumenta a militarização de toda a sociedade.

Chegando

Uma vez em terra, os imigrantes e refugiados são amontoados nos chamados
“Centros de Recepção” que, modernizados ou não, surgem por todo o país.
Seguindo a lógica dos Lager – os campos de concentração nazistas – nos faz
lembrar que o controle da população pode também funcionar mais além dos
limites da legitimidade civil. Em caso de emergência nacional,
excepcionalmente, este controle pode se estender inclusive aos próprios
cidadãos europeus.

Essas prisões foram construídas para regular os fluxos da imigração até a
Europa e castigar os imigrantes por seu único “crime”: a falta de
documentos. Na prisão local de Paganí e em condições miseráveis, os
imigrantes e refugiados são separados entre úteis e inúteis, e alguns são
imediatamente deportados. Aprendem a obedecer e são manipulados para que
aceitem uma categoria de inferioridade, coisa que serve ao aparato
capitalista para manter a atual situação de moderna escravidão.

Trabalhando

Depois de tudo isso, o paraíso trabalhista que os patrões criaram está lá
e os esperam. Os esperam porque são imprescindíveis e caem como chuva de
ouro na economia capitalista global. Mas somente sob algumas
circunstâncias bastante concretas: sem documentos, sem direitos, servindo
como trabalhadores baratos para os pequenos e grandes patrões, precários,
“negros”, com salários baixos ou não pagos, enfrentando o racismo
institucionalizado e a socialmente escancarada xenofobia. Toda esta
hostilidade contra os estrangeiros, que se está semeando e que já está
aqui, somente pode ser modificada pela solidariedade dos trabalhadores
“locais”, e o desenvolvimento de lutas em comum com os imigrantes.

Neste contexto, seguindo o Acampamento Sem Fronteiras de Calais no norte
da França (23 a 29 junho) e a tradição de 10 anos dos Acampamentos Sem
Fronteiras por todo o mundo, vamos nos encontrar em Lesbos do dia 25 até o
dia 31 de agosto. Nosso ponto de partida não é negociável: liberdade de
movimento para todos e todas, para além de quaisquer fronteiras. Negamos a
separação fictícia entre os oprimidos, entre pessoas com documentos e sem
documentos. Contra os contemporâneos Lager (campos de detenção) e as
ideologias nacionalistas, organizamos nossas respostas e nossas
resistências para um mundo sem fronteiras, pátrias e documentos.

Em dezembro último, moradores locais e imigrantes se reuniram todos juntos
nas ruas, contra tudo que nos rouba a vida. Desenvolvemos vínculos
existentes e cultivamos novos, adquirindo, entre outras coisas, uma grande
verdade: no mundo dos patrões somos todos estrangeiros!

Programa preliminar para o Acampamento Sem Fronteiras

A seguir o programa preliminar do Acampamento Sem Fronteiras, como
decidido no encontro preparatório internacional em Atenas, Grécia.

Terça-feira, 25 de agosto: Chegada, construção do acampamento, primeira
plenária ao anoitecer.

Quarta-feira, 26 de agosto: Trocas, discussões e oficinas relacionadas ao
regime de fronteira e imigração europeu, parcialmente em Mitilini.

Quinta-feira, 27 de agosto: Dia de visita. O acampamento irá visitar
vários lugares e vilarejos em Lesbos (Molyvos, Plomari, Agiassos,
Kalloni).

Sexta-feira, 28 de agosto: Dia de Ação, centro de detenção Pagani.

Sábado, 29 de agosto: Dia de Ação, guardas da fronteira e Frontex.

Domingo, 30 de agosto: Discussões sobre trabalho imigrante e condições de
trabalho.

Segunda-feira, 31 de agosto: Fim do acampamento.

Haverá abundância de tempo para ações espontâneas, ou outras atividades
não organizadas pelo grupo preparatório do acampamento. A programação é
uma estrutura e um convite para se envolver. Como você pode imaginar,
haverá também festas, shows, exibição de filmes etc., dentro e ao redor do
acampamento.

Informações atualizadas: http://lesvos09.antira.info/ ou
http://www.noborder.org

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana


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