(pt) [Brasil] filmes anarquistas franceses na "III jornada brasileira de cinema silencioso"

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Domingo, 26 de Julho de 2009 - 12:21:12 CEST


de 7 a 16 de agosto será realizada em são paulo, capital, a "III jornada
brasileira de cinema silencioso", a programação completa já está no ar,
aqui: www.cinemateca.org.br
abaixo resuminho dos filmes libertários que serão exibidos no evento... na
parada também acontecerá três conferências sobre cinema silencioso e
anarquismo na frança, e lançamento de um livro abordando o anarquismo e o
cinema francês, tudo a cargo da historiadora francesa isabelle marinone...
moésio R.
A COMUNA
La Commune
França, 1914, 35mm, preto e branco, 22min
cp: Cinéma du Peuple; d e r: Armand Guerra; e: Armand Guerra
Origem da cópia: Filme restaurado pela Cinemateca Francesa
A 28 de março de 1914, a cooperativa estreou seu trabalho mais notável: La
Commune! Du 18 mars au 28 mars 1871, realizado pelo espanhol Armand
Guerra, que atua como roteirista e ator. O nome verdadeiro de Guerra era
José Estivalis Calvo, nascido em Valência (Espanha), a 4 de janeiro de
1886. Inicialmente, La Commune deveria ter duas partes; com a aproximação
da guerra, apenas a primeira parte foi realizada. O filme trata de vários
episódios, notadamente a revolução do 88º batalhão, a execução dos
generais Thomas e Lecomte, a fuga de Adolphe Thiers em Versalhes e a
proclamação da Comuna de Paris. As longas sequências que se passam no
escritório de Thiers (Armand Guerra) se opõem às dinâmicas sequências
exteriores, rodadas em cenários naturais. Se os cenários em telas pintadas
são de boa fatura, os exteriores contribuem com uma leveza que falta às
cenas de estúdio. Guerra filmou os exteriores no Pré Saint-Gervais, com
meia centena de figurantes. Os planos apresentam restos das antigas
fortificações de Paris. É possível que a encenação dos planos de interior
– estáticos frente ao dinamismo dos planos em exterior – tenha sido
voluntária, opondo, com isso, uma representação das autoridades rígidas e
hieráticas à força da mobilização popular das ruas. A conclusão do filme é
a sequência melhor realizada. Guerra encerra o filme com alguns segundos
documentais que mostram os sobreviventes da Comuna reunidos à volta de seu
estandarte, entre eles Zéphyrin Camelinat, Jean Allemane e Nathalie Lemel.
O último plano mostra uma bandeirola, diante do muro dos confederados, com
a inscrição “Viva a Comuna!”. Essa “reconstituição” possui várias
vantagens. Primeiro, recordar ou ensinar ao público operário um episódio
de sua história; depois, graças às descrições, explicar como deve se
organizar para a luta. O dever de memória é acompanhado pela necessidade
de compreender, e acaba por arrastar o espectador à aplicação concreta dos
combates descritos na tela.
AS MISÉRIAS DA AGULHA
Les misères de l’aigulle
França, 1914, 35mm, preto e branco, 13min
cp: Cinéma du Peuple; d: Raphäel Clamour; e: Jeanne Roques, Lina Clamour,
Gaget, Michelet, Armand Guerra
Origem da cópia: Filme restaurado pela Cinemateca Francesa
Raphäel Clamour, ator e diretor artístico da cooperativa, procurava uma
atriz para estrelar a primeira produção da Cinéma du Peuple, As misérias
da agulha. O papel de Louise, costureira e tecelã que, devido à morte de
seu marido, tenta suicidar-se, por razões econômicas, juntamente com seu
filho, deveria emocionar. Entre as atrizes dos elencos dos teatros
Châtelet e Odéon, Clamour reparou em uma jovem, Jeanne Roques, que mais
tarde se tornaria conhecida pelo nome de Musidora, e que, em As misérias
da agulha, faz sua primeira aparição no cinema. O tema deve ter agradado a
ela, pois era bastante próximo de suas preocupações familiares: Jeanne
Roques era filha de Marie Clémence, grande batalhadora da causa feminista.
Lina Clamour, do Moulin Rouge, Gaget e Michelet, do Châtelet, e Armand
Guerra, do Grande Teatro de Barcelona, também fizeram parte do elenco. É o
primeiro filme da história do cinema francês que valoriza os operários e
os convida a se organizar por si próprios.
O VELHO DOQUEIRO
Le Vieux docker
França, 1914, 35mm, preto e branco, 5min
cp: Cinéma du Peuple; d: Armand Guerra; r: Yves-Marie Bidamant, Charles
Marck; e: Armand Guerra
Origem da cópia: Filme em processo de restauração pela Cinemateca Francesa
Última produção da Cinéma du Peuple, Le Vieux docker descreve a vida
difícil de um velho operário que, depois de trinta anos de trabalho e de
leais serviços, é despedido. O filme representa um testemunho de
solidariedade para com o anarquista Jules Durand, secretário dos
trabalhadores do porto do Havre, preso a 15 de setembro de 1910, depois de
uma briga em que um homem foi morto. Ele foi condenado à pena capital, mas
como se revelou inocente, e a pena foi comutada para sete anos de
reclusão. Depois disso, ele perde a razão e, no início de 1926, com 46
anos, é internado num hospital psiquiátrico. Seu advogado, René Coty, foi
posteriormente presidente da República. O roteiro é de Yves-Marie
Bidamant, chefe de estação no Havre, e Charles Marck, doqueiro na mesma
cidade. Além de dirigir o filme, Armand Guerra interpretou o papel de
Durand.
ASSASSINATO DO MINISTRO PLEHVE (GRÃO DUQUE SERGE)
Assassinat du ministre Plehve (grand duc Serge)
França, 1904, 35mm, preto e branco, 1min16
cp: Pathé; d: Lucien Nonguet
Origem da cópia: Arquivos Franceses do Filme/CNC
Reconstituição, nos estúdios da Pathé em Montreuil, do assassinato do
ministro Plehve por um estudante chamado Sasanoff (ou Sasonoff) e que teve
lugar em São Petersburgo, a 29 de julho de 1904.
A TERRORISTA
La Terroriste
França, 1907, 35mm, tingido, 11min20
cp: Gaumont
Origem da cópia: Arquivos Franceses do Filme/CNC
Ficção. Reconstituição de um atentado cometido por uma anarquista russa.
Um grupo de anarquistas fomenta o projeto de atentado contra o czar
executado por uma mulher. O veículo em que se encontrava o czar explode. A
criminosa é detida e conduzida à prisão. A viúva do czar, acompanhada por
seus dois filhos, visita a anarquista que, arrependida, pede perdão.
Condoída, a imperatriz toma seu lugar na cela, e a anarquista escapa da
prisão vestindo o manto imperial. Ela chega ao local onde se reúne o grupo
anarquista, uma discussão irrompe e uma bomba explode.
MANIFESTAÇÕES EM SOLIDARIEDADE A SACCO E VANZETTI
Manifestations en faveur de Sacco et Vanzetti
França, 1921, 35mm, preto e branco, 6min
d: Le Saint
Origem da cópia: Archives de la Planète Albert Kahn
Tentativa de manifestação em frente à Embaixada americana.
MANIFESTAÇÕES EM SOLIDARIEDADE A SACCO E VANZETTI
Manifestations en faveur de Sacco et Vanzetti
França, 1927, 35mm, preto e branco, 9min
d: Sauvageot
Origem da cópia: Archives de la Planète Albert Kahn
Manifestação num dia de domingo, 21 de outubro de 1927. Filme dividido em
duas partes. A primeira se passa no bosque de Vincennes. A segunda, no
Prado Saint Gervais.


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