(pt) [Portugal , Almada]Jantares benefit para a família do Kuku, as sassinado barbaramente pela polícia

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Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009 - 13:22:06 CET


Dia 24 e 31 de Janeiro (sábado) irão realizar-se dois jantares benefit
para suportar os custos do funeral do Kuku, barbaramente assassiado pela
polícia no passado dia 4 de Janeiro. O jantar decorrerá pelas 20h no
Centro de Cultura Libertária e a contribuição será livre. Apareçam e
divulguem!!!
 
Mais um jovem negro e pobre assassinado pela polícia.
 
 A plataforma Gueto não pode deixar de denunciar mais uma execução
sumária, com pena de morte, dum jovem negro por parte da polícia, e um
julgamento injusto feito no tribunal dos media, que condenou o nosso irmão
e absolveu mais um assassino.
 
Uma perseguição policial do passado domingo, 4 de Janeiro às 21h, ditou a
morte de Kuku, com apenas 14 anos.
 
Segundo a versão "oficial" de fontes policiais os agentes identificaram o
carro furtado, onde seguiam 4 jovens, no bairro de Santa Filomena. Por não
terem respeitado a ordem para parar, a polícia iniciou uma perseguição que
só acabou no bairro da Quinta da Lage quando os jovens abandonaram o carro
e continuaram a fuga a pé. Depois de terem disparado tiros para o ar, a
polícia alega que Kuku, que foi o último a sair da viatura, apontou uma
arma de calibre 6.35 a um agente, tendo este, em legítima defesa,
disparado um tiro que o feriu mortalmente na cabeça. Outro irmão foi ainda
atingido com uma bala na perna.
 
Ainda na sua versão oficial a polícia declara que o agente não atirou para
a matar. Quem não quer matar não aponta uma arma à cabeça, portanto a
intenção do agente era matar ou teria apontado a outra parte do corpo.  
 
Na manhã seguinte os media iniciaram a sua propaganda, usando apenas as
fontes policiais, para sujar a imagem do jovem e legitimar a acção do
polícia, alegando que se tratava de um jovem referenciado por crimes
violentos.
 
Com esta propaganda os media conseguiram transmitir a ideia de se tratar
dum jovem violento que era uma ameaça para os agentes, e para a sociedade,
bem como glorificar a polícia por mais uma "missão cumprida": assassinar
um negro.
 
Como se não bastasse a idade de Kuku, 14 anos, para que este não pudesse
ser considerado um criminoso violento, o mesmo foi referenciado como tal
apenas por furtos, dos quais não resultou nenhuma condenação. Ainda que
tal tivesse acontecido, em nenhum dos casos houve uso de violência. Tendo
em conta aquilo os media têm propagandeado nos últimos meses como
"criminalidade violenta" só prova que esta usa e abusa de tais critérios
sem nenhum rigor para operar a sua propaganda racista e continuar a
fomentar o medo dos imigrantes seus descendentes na opinião publica.
 
Segundo os jovens envolvidos na fuga, o carro em que seguiam já tinha sido
furtado anteriormente, tendo estes, sabendo que estava abandonado,
aproveitado o facto para nele se dirigirem ao bairro de Santa Filomena
onde iam ver um jogo de futebol. Os mesmos disseram ainda que Kuku não
trazia nenhuma arma consigo.
 
Tal como os restantes ocupantes do carro, vários amigos que estiveram com
Kuku naquele dia, negam tê-lo visto com qualquer arma, e acrescentam ainda
que nunca viram Kuku armado quer com faca, quer com pistola, e duvidam
bastante que ele fosse capaz de apontar uma arma a outra pessoa e muito
menos a um agente "Kuku era um puto.. ainda que tivesse uma arma, jamais a
apontaria a um bófia". Eles descrevem-no como "calado, tranquilo, talvez
até um pouco tímido".
 
Estes afirmam ainda que Kuku estava marcado desde um episódio em que, logo
após acordar, e tendo dormido em casa, foi abordado pela polícia na sua
porta, alegadamente por ter sido visto a conduzir um carro roubado nessa
madrugada. Indignado negou qualquer relacionamento com o que quer que
fosse que tivesse ocorrido naquela madrugada e ao ser agredido e arrastado
pelo chão Kuku resistiu à detenção apelando aos seus direitos. A sua
resistência originou ainda mais agressividade da polícia. Kuku tentou
resistir e só a intervenção da mãe e outros familiares demoveu os agentes
de quaisquer que fossem as suas intenções.
 
Kuku foi julgado e executado pela polícia à semelhança de Angoi, Tony,
Tete, Corvo, PTB, etc. Nos últimos meses vários irmãos foram perseguidos e
agredidos nas ruas, nas carrinhas e dentro das esquadras. Este não foi um
acidente, nem um acto isolado, foi o desfecho que já esperávamos. Destes
assassinatos e agressões nunca resultou  uma única condenação. Pelo
contrário a polícia têm sido aplaudida pelo Ministro da Administração
Interna e pela opinião pública manipulada, pela propaganda racista dos
media.  Resta uma conclusão: face a esta impunidade a polícia tem "luz
verde" para matar jovens negros em Portugal. Já não acreditávamos que
fosse feita qualquer justiça nos tribunais mas agora sabemos mais que
isso.
 
Num país que nem aplica a pena de morte, até um "criminoso violento" teria
direito a um julgamento antes de ser executada qualquer pena. Mas para nós
negros, a pena de morte está em vigor e a "justiça" não é lenta, é veloz
feita na hora pela polícia. O nosso julgamento é feito todos os dias na
imprensa matinal e no noticiário das oito.
 
Apelamos à mobilização de tod  s os irm  s contra a violência policial, a
propaganda racista e contra a opressão autoritária. Se a impunidade, o
conformismo e o silêncio  continuarem os assassinatos continuarão também.

Apelamos também ao apoio à realização dum funeral digno para Kuku na
compra do Cd dos Mentis Afro, duma T-shirt do Kuku, ou através de donativo
para o NIB 0010 0000 27703050 0022 0. Para mais info escrevam para o mail
indicado em baixo.


Plataforma Gueto. Sem Justiça não haverá Paz.
 
Plataforma.gueto  gmail.com


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Centro de Cultura Libertária

Site: http://ccl.yoll.net
Blog: http://culturalibertaria.blogspot.com
E-mail: ateneu2000  yahoo.com
Endereço postal: Apartado 40 / 2800-801 Almada (Portugal)
Sede: Rua Cândido do Reis, 121, 1º Dto - Cacilhas - Almada






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