(pt) [Espanha] Um teatro libertário em Logroño

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Quinta-Feira, 31 de Dezembro de 2009 - 12:49:22 CET


[O Teatro CNT acomoda todas as formas de expressão artística. São muitas
as atividades que se desenvolvem nas suas dependências. Diversos
coletivos, jovens independentes e demais cidadãos levam a cabo
ininterruptas obras de teatro, colóquios, debates, projeções, exposições,
comidas populares, atos solidários e demais eventos durante todo o ano.]
Abriu as suas portas em 1931 com o objetivo de rodear de cultura os filhos
dos trabalhadores filiados na Confederação Nacional do Trabalho. O Teatro
CNT está situado no mesmo local onde nasceu o sindicato, no número 3 da
Calle Los Baños, e apesar do tempo decorrido e da deterioração do
edifício, resiste a sucumbir. Pelo contrário. Desde há três anos uma
associação cultural, “La Carcoma Durmiente”, tem dado um novo ímpeto a uma
iniciativa cultural em que cada dia surgem novas caras e propostas.
Francisco Larrea, “Larry”, integrante da associação, José Luis Pino e Iker
Zabaleta, membros do sindicato, asseguram que manter aberto o teatro é uma
atividade que requer muito tempo, esforço e recursos. Mas os seus espaços
acolhem todos aqueles que necessitem das instalações.
“Aqui pode vir quem necessite. Só tem de apresentar um projeto e os preços
devem ser populares. Nunca pedimos acima de 5 euros, porque se trata de
ser acessível a todos. A idéia é que isto, ainda que tenha forma de
teatro, não seja só um teatro, queremos que seja uma rede social. É uma
sala multiusos: para que se façam apresentações de livros, debates,
conversas, cursos, bailes, cinema, refeições”, afirma Larry.
Assim, o local converteu-se numa alternativa aonde se podem apresentar
novos talentos e novas propostas, já que o Teatro Bretón [outro teatro da
cidade] tem outro caráter.
“Acreditamos ser um espaço que fazia falta”, assegura José Luis Pino. “As
companhias que vêm ao Bréton não virão aqui. É um espaço complementar.
Além disso, o Bréton é exclusivamente destinado ao teatro. Tem um marcado
caráter elitista.
Com poucos recursos
E é assim que, recorda Iker Zabaleta, o pessoal que tem estado ligado com
o Teatro CNT são pessoas com poucos recursos: trabalhadores, desempregados
e, nos primeiros tempos, com altos índices de analfabetismo.
De fato, em 1930 não existiam escolas públicas e os filhos dos operários
não podiam ir à escola. José Luis Pino recorda que foram criadas as
escolas libertárias. “Assim, os próprios sócios da CNT criaram os Ateneus
Libertários, centros culturais e centros de ócio, entre eles, este teatro
e um cinema”. Mas, os tempos foram difíceis. Durante as ditaduras de Primo
de Rivera e de Francisco Franco o sindicato e, por conseqüência, o teatro
estiveram fechados até 1993, quando o sindicato conseguiu por fim obter as
escrituras do imóvel onde funcionam.
Agora o mais difícil é sustentar o teatro. O sindicato não pede subsídios
para evitar compromissos políticos, mas “La Carcoma Durmiente” sim, recebe
alguma ajuda. No entanto é pouco para reabilitar a estrutura do teatro e
do sindicato. Para a sua autogestão pedem-se donativos aos que o
freqüentam.
“Os garotos do circo vêm todas as quintas-feiras e têm um mealheiro. Cada
vez que vêm vão deixando moedas e, no final do mês, recolhem-nas e
dizem-nos: “isto é o que temos para vocês”. Outro coletivo que queria
fazer um concerto não dispunha de dinheiro, mas tinham uns amigos que
vieram e arrumaram os banheiros. Se é uma associação profissional, pois
pedimos-lhes mais, porque já têm uma função comercial, cobra-se uma taxa”,
explica Larry.
Em qualquer caso, com a chegada do inverno, as atividades do teatro
diminuem porque carecem de calefação. No final de outubro apresentou-se
Diana Junyent com a sua performance “Pornoterrorismo” e em novembro, um
par de atos, um debate e a apresentação de um livro.
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana


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