(pt) Especifismo e Síntese / Sintetismo

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Terça-Feira, 22 de Dezembro de 2009 - 20:09:12 CET


por Felipe Corrêa
Verbetes "Especifismo" e "Síntese/Sintetismo", escritos para um
"Dicionário do Anarquismo" que está sendo organizado por alguns
companheiros

Especifismo
O especifismo é uma concepção de organização anarquista. O termo é
utilizado e foi difundido pela Federação Anarquista Uruguaia (FAU), que
com ele refere-se à corrente anarquista que historicamente defendeu a
necessidade da organização específica anarquista. Assim, o especifismo
acredita que a organização da luta deve se dar em dois níveis distintos: o
da organização anarquista e o dos movimentos populares – que devem se
formar com base na necessidade e não se resumir a uma determinada
ideologia, como no caso do anarco-sindicalismo. Este modelo de organização
possui suas bases no anarquismo clássico, tendo sido defendido por Mikhail
Bakunin, Errico Malatesta, os russos exilados do Dielo Truda, entre
outros. Bakunin defendeu um modelo deste tipo para a Aliança da Democracia
Socialista, quando em sua atuação no seio da Associação Internacional dos
Trabalhadores (Primeira Internacional); Malatesta defendeu posições
semelhantes em sua formulação do “partido anarquista”; o Dielo Truda,
semelhantemente, na Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários.
Posições similares foram defendidas em diversas épocas e nos mais
diferentes locais por anarco-comunistas que sustentavam uma linha
“organicista” de anarquismo, fundamentada na organização e na vontade dos
trabalhadores para promover a transformação social por meio dos movimentos
de massa. Desde o século XIX, outras concepções vêm sendo incorporadas ao
que hoje se entende como “espeficismo”, que é defendido por uma série de
organizações anarquistas brasileiras: a compreensão do anarquismo como
ideologia e, portanto, com um vínculo necessário com uma prática política
com objetivo de transformação social; a organização como elemento
imprescindível para a luta; a concepção da organização específica
anarquista como uma organização de minoria ativa; a centralidade da luta
de classes e a prioridade no trabalho social junto aos movimentos
populares (movimentos sociais, sindicatos, etc.); a unidade teórica e
ideológica; a unidade estratégica e tática; o processo decisório marcado
pela tentativa de consenso e, não sendo possível, pela votação; e a ênfase
no compromisso militante. Fora da América Latina, as organizações que
defendem posições semelhantes ao especifismo definem-se como
anarco-comunistas, de inspiração plataformista.




Síntese / Sintetismo
A discussão sobre a Síntese Anarquista coloca-se no contexto da discussão
sobre a Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários, escrita pelo
grupo de exilados russos Dielo Truda em 1926. Dois textos feitos como
respostas à Plataforma, e que propunham modelos distintos, constituem a
base daquilo que ficou conhecido como organização de síntese, ou
simplesmente “sintetismo”. O primeiro deles, de Sébastien Faure, foi
escrito em 1928 e sustenta que o anarquismo caracteriza-se por três
correntes fundamentais: anarco-sindicalismo, comunismo libertário e
anarco-individualismo. Em sua concepção, estas correntes não seriam
contraditórias, mas complementares, tendo cada uma delas um papel a
desempenhar dentro do anarquismo: o anarco-sindicalismo como a força das
organizações de massa e o melhor meio para a prática do anarquismo; o
comunismo libertário como proposta de sociedade futura baseada na
distribuição dos frutos de trabalho conforme a necessidade de cada um; o
anarco-individualismo como negação da opressão individual e afirmação do
direito ao desenvolvimento do indivíduo buscando satisfazê-lo em todos os
sentidos. O segundo texto, de Volin, foi escrito em 1934 e sustenta que é
necessário sintetizar as diferentes correntes anarquistas, em um “conjunto
harmonioso, ordenado, acabado”. Tomando como modelo as linhas que visavam
constituir a organização anarquista russa Nabat, Volin, semelhantemente a
Faure, reivindica um modelo de organização em que o sindicalismo seja
considerado o método da revolução social, o comunismo libertário constitua
a organização da nova sociedade, e o individualismo torne-se o objetivo da
sociedade pós-revolucionária, com vistas à emancipação e à felicidade do
indivíduo. Para ele, seria um engano opor as correntes anarquistas umas às
outras, e o mais produtivo seria realizar uma fusão delas, em um
“anarquismo sintético”, indispensável a seu ver. Na atualidade, a
organização anarquista sintetista de maior expressão é a Federação
Anarquista (FA) da França.




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