(pt) [Suécia] Um chamado libertário à solidariedade

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Sábado, 5 de Dezembro de 2009 - 13:55:01 CET


No ano passado, distúrbios e incêndios espalharam-se pelas zonas urbanas
da Suécia. Jovens de bairros pobres causaram incêndios e atacaram
bombeiros e forças policiais quando estes chegaram ao local. A origem dos
conflitos têm claramente algo que ver com uma desilusão da juventude com a
sua situação de vida; as cidades segregadas, as condições de pobreza nos
seus bairros, a discriminação da sociedade para com eles. Em toda a parte
sentem que a sua reputação os estigmatiza.

No entanto a solução que os políticos propõem é sempre a mesma – controle
policial mais duro e, porventura, alguns programas sociais para distrair
os jovens e mantê-los fora das ruas.
Em Fittja, um bairro pobre nos arredores de Estocolmo, os conflitos e os
distúrbios começaram depois de uma intervenção policial num centro de
jovens no domingo, dia 25 de outubro, e continuaram mais algumas noites.
Na terça-feira seguinte, detiveram uma pessoa e um dia depois os
“antidistúrbios” revistaram o apartamento que esta pessoa compartilhava
com outras, em Fittja.
Prenderam uma nova pessoa e mais nove indivíduos pouco depois. No fim de
semana, acusaram todos de preparação de um incêndio e um deles de causar
os distúrbios, também.
Desde o início, a polícia e os jornais anunciaram que os detidos eram
“conhecidos membros da Ação Antifascista”, que só tinham ido a Fittja
depois do começo dos distúrbios. Os dez detidos foram caracterizados como
“adultos criminosos” e “bandidos de fora”, e apontados como os
responsáveis pelos distúrbios e danos em toda a região.
Paralelamente fez-se uma comparação com os distúrbios de Rosengård [bairro
de imigrantes], em Malmö, no inverno passado, que aconteceram após o
desalojo de um centro autogestionado, onde existiam várias iniciativas
sociais do bairro. Algumas pessoas iam lá procurar ajuda com os trabalhos
escolares propostos para casa, outros iam rezar [é um bairro com muitos
muçulmanos].
A empresa proprietária disse que o centro se transformaria numa escola
para ensinar os vizinhos e como viver num apartamento (!).
Durante um tempo, o centro esteve okupado por jovens da região. Quando os
desalojaram, a raiva e a frustração aumentaram. Ativistas que viviam perto
juntaram-se a eles para mostrar a sua solidariedade com os jovens
desalojados, como haviam feito antes com os centros sociais autônomos,
como o Ungdomshuset em Copenhagen, na Dinamarca.
De resto, a caracterização feita na época pelos meios de comunicação é
muito parecida à que estão difundindo hoje em dia em relação a Fittja:
ativistas autônomos de fora do bairro criando conflitos e distúrbios numa
região já instável.
É uma lógica básica da mídia – uma situação com “bodes expiatórios” que se
identificam facilmente, e ainda por cima é uma boa história. Não tem muito
a ver com a realidade, é mais um detalhe do contexto da história dos
distúrbios. No entanto, as pessoas por trás das notícias são reais e
necessitam do nosso apoio.
Em 12 de novembro, 8 dos 10 detidos foram postos em liberdade provisória à
espera de julgamento. No entanto, continuam presos o primeiro detido,
supostamente preso durante os distúrbios, e uma pessoa mais.
Podes escrever-lhes cartas de apoio. Uma carta significa muito para alguém
encarcerado, altera o seu isolamento.
Podes mandar cartas através da  CNA (Cruz Negra Anarquista)  a: ABC, Box
4081, 102 62 Stockholm ou por e-mail: abc-stockholm  anarkisterna.com  e
entregaremos para eles.
Recorda-te que tudo será lido por um fiscal.
Também podes apoiá-los com dinheiro. Depósito em:
IBAN SE12 9500 0099 6034 0873 8973
BIC NDEASESS
Nordea, Suécia
E se você está em Estocolmo podes doar livros, revistas, roupas e discos
de música no Kafé 44 (Tjärhovsgatan 46, T-Medborgarplatsen) e passaremos
tudo aos preso/as.
Em solidariedade,
Cruz Negra Anarquista - Estocolmo
http://anarkisterna.com/abc/
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana


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