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Quarta-Feira, 19 de Agosto de 2009 - 19:33:34 CEST


Los Angeles – em dois dias, centenas de pessoas vindas de toda a região
convergiram para participar da Segunda Conferência Anarquista da
Califórnia do Sul e Feira Libertária, uma feira anarquista cultural.
Apesar dos sérios tópicos que foram discutidos, como a construção de uma
sociedade genuinamente livre e não-hierárquica, a descontraída atmosfera
em ambos os eventos foi uma companheira perfeita para as vibrações de
verão informais do Sul da Califórnia.
A conferência de sábado foi realizada na Biblioteca da Califórnia do Sul
para Pesquisas e Estudos Sociais localizada no Sul Central de Los Angeles.
Após uma breve “boas vindas” e alguns anúncios referentes às mudanças na
programação feitas por alguns dos organizadores, um membro do pessoal da
biblioteca falou um pouco sobre a história da instituição e sobre alguns
dos projetos atuais, como a arrecadação de livros para as crianças da
vizinhança.
Com isto feito, as oficinas e os painéis começaram. Na sala de leitura da
biblioteca, Vlad dirigiu uma discussão sobre “piratas e vandalismo”, aonde
fez referência às recentes histórias envolvendo os “piratas” somalianos e
as insurreições que se seguiram após a vitória do Lakers no campeonato da
NBA, e como eles se relacionam à teoria anarquista e às atuais lutas
anti-autoritárias.
Do lado de fora, no jardim, Manny e Autumn discutiram sobre o Echo Park
Time Bank, uma organização que coordena a troca de serviços entre
indivíduos sem usar dinheiro. Este próspero coletivo de indivíduos na
região de Echo Park é um exemplo de uma alternativa para a economia do
dinheiro, que está se tornando cada vez mais importante na medida em que
as crises econômicas se acentuam e o desemprego cresce. E igualmente
importante, já que não há intercâmbio de dinheiro, é o fato de o governo
não poder taxar a troca. Até mesmo a permuta é taxável, mas a troca de
tempo, felizmente, não é. Enquanto um banco de tempo não pode suplantar a
economia capitalista e não oferece nenhum desafio direto às oligarquias,
sua implementação é muito útil para a criação e o fortalecimento da
comunidade e das economias locais.
Dentro da sala principal, um painel de bate-papo se tornou um debate em
grupo sobre modelos alternativos de educação. A professora Sirena
Pelarollo realçou sobre os contínuos esforços para construir alternativas
locais de iniciativas educacionais autônomas. A animação foi sentida por
todos, enquanto indivíduos, muitos deles professores e estudantes,
compartilharam suas experiências sobre a natureza autoritária do sistema
educacional reinante. Ele/as também expressaram o desejo de compartilhar
recursos na esperança de estabelecer instituições educacionais
não-hierárquicas locais. Representantes do Instituto para Estudos
Anarquistas também estavam presentes para discutir o instituto e as formas
que este pode apoiar a pesquisa anarquista; falaram também sobre a
importância de documentar nossas lutas atuais para pesquisadore/as e
ativistas.
No andar superior, membros do Comunidades Autônomas Revolucionárias (RAC)
discutiram sobre seus esforços para construir um movimento de resistência
ao capitalismo e a supremacia branca através do apoio mútuo, como
exemplificado pelo programa de alimentos, que semanalmente distribui
comida para aproximadamente 250 famílias, envolvendo as famílias e os
membros da comunidade na coleta e distribuição de alimentos.
Após uma pausa, que forneceu um bem vindo descanso para palestrantes e
tradutores, a segunda sessão de oficinas começou. Na sala principal, seis
convidado/as discutiram sobre os coletivos da região de Los Angeles nos
quais ele/as fazem parte, incluindo o Los Angeles Anarchist Center,
Windchime House, Black Star Collective, Long Beach Youth Federation,
Alternative Gathering Collective, Riot Grrl, e o Los Angeles Anarchist
Black Cross Federation. Ele/as explicaram como seus coletivos foram
formados, e discorreram sobre as coisas que estavam envolvido/as,
compartilhando idéias com os participantes da oficina para projetos
futuros que consideram bem-sucedidos.
Subindo as escadas, militantes do Industrial Workers of the World de Los
Angeles discutiram “o movimento operário nos Estados Unidos e a tradição
anarquista”, e o Insane Dialectical Posse fez uma discussão sobre a guerra
de classe relacionada com a crise econômica, propondo alternativas
anticapitalistas. Ao lado deles, Gifford também falou sobre a história
oculta do trabalhador militante nos Estados Unidos.
Após a segunda rodada de discussões, o Comidas Sim Bombas Não providenciou
uma deliciosa refeição vegana incluindo lentilha e arroz, pão fresco e
frutas, e burritos veganos.  Enquanto os representantes do Pittsburgh
Organizing Group, que estão coordenando a resistência contra a cúpula do
G20 no final de setembro, não estavam lá, o/as participantes da
conferência se reuniram para uma longa sessão de trabalho em rede, assim
fazendo novo/as amigo/as e desenvolvendo afinidades.
Logo após que o almoço terminou, tivemos o prazer de dar boas vindas a um
membro da nação Tongva. “Para reconhecer onde nós estamos, e sabendo que
esta é a terra de Tongva, queremos prestar respeito, mas não somente
prestar respeito, mas sim queremos realmente criar algum espaço e temos
uma pessoa aqui da nação Tongva que participará e pedimos para vocês
prestar respeito”. Angie Dorame Behrns discutiu sobre o que é crescer como
uma mulher indígena em Los Angeles, e falou sobre a sua luta à nascente
sagrada de Kuruvungna, onde está localizada no campus da Escola Secundária
University na Zona Oeste. Ela então respondeu as perguntas, e convidou
todos para o Encontro em Kuruvungna. Kuruvungna significa “lugar onde
estamos no sol”. Durante a sessão de perguntas e respostas, a palestrante
mostrou seu descontentamento na exumação dos restos indígenas. “Tentando
salvar nossa cultura, o que dizemos é: ‘Mantenha os restos onde eles foram
enterrados. Deixe-os lá. Não os desenterre’. Ninguém vai aos cemitérios
chineses, ou japoneses. Eles não os desenterram. Eles não os desenterram!
Eles são protegidos. Mas e nós, os povos indígenas? Hum, hum. Não somos
protegidos. Os desenvolvimentistas podem desenterrá-los, contanto que
tenham um Nativo Americano monitorando, eles podem escavar Playa Vista, um
dos maiores locais de enterro na América!”. Behrns terminou sua fala
recitando um poema.
Na última rodada de oficinas, Sherman Austin, discutiu sobre como fazer
uso da mídia independente, incluindo rádio, internet e telefones celulares
para resistir à brutalidade policial e outras formas de opressão. Ele
discutiu os vários aspectos de se levantar o punho, e também nos conduziu
por uma forma de criar e operar uma emergencial resposta de alerta em rede
através de sítios da internet.
Na sala principal, Oscar, irmão de Alex Sánchez, e outros membros da
comunidade discutiram sobre a situação do indiciado ativista anti-gangue,
bem como a repressão em geral contra o/as ativistas, enquanto no andar
superior, membros do comitê coordenador do Clitfest (que será realizado na
próxima semana), do Women's Creative Collective for Change e do Anarcha-LA
(um grupo anarca-feminista que também providenciou cuidados com crianças
para o/as participantes mais jovens) discutiram sobre feminismo e questões
relacionadas às comunidades de identificação feminina e livres de gênero.
Neste meio tempo, houve uma reunião improvisada da APOC na sala de
leitura.
Para o evento final do dia, companheiro/as do Partido de Libertação
Cavaleiro Negro leram em alto e bom som o seu guia de sobrevivência no
novo “milênio de Obama”, que foi publicado na última edição da Turning the
Tide, publicação da Ação Anti-Racista. Eles então responderam perguntas do
público.
Após a apresentação, uma assembléia geral foi convocada. Os organizadores
pediram às pessoas para se reunirem no centro da sala para compartilhar
suas reações, críticas, questões, com todo mundo presente. Terminamos com
um chamado-anúncio para eventos e ações futuras.
No dia seguinte, apesar de alguns contratempos, cancelamentos de última
hora e mudanças na programação, muitas pessoas chegaram ao Centro dos
Trabalhadores da UCLA, em frente ao Parque MacArthur, para desfrutar de
música, arte, comida e literatura que foram compartilhadas. Na medida em
que chegavam, elas puderam ver, muitas pela primeira vez, o programa de
comida da RAC em ação.
Dentro, distribuidores de materiais radicais, alguns vindos de longe,
estavam vendendo suas mercadorias, e muitas organizações locais trocaram
informações e experiências. A juventude local passeava para ver o que
estava acontecendo, e artistas dirigiram oficinas de estêncil. O/as
organizadore/as pediram ao/às participantes para dar uma força aos
distribuidores locais, e no final do dia, o Comidas Sim Bombas Não chegou
com uma grande quantidade de comida grátis.
Em comparação com o a primeira feira de livros anarquista do ano passado,
a afluência em cada um dos eventos do final de semana foi mais baixo. No
entanto, a programação da conferência (sessões de oficinas maiores com
mais intervalos e pausas para trabalho em rede) permitiu um crescente
diálogo, e aumentou a qualidade das discussões. E a Feria Libertária
permitiu a integração das artes culturais como um aspecto presente muito
visível de nosso movimento amante da liberdade, e foi julgada pelo/as
organizadore/as como um sucesso total.
Fotos e vídeos: http://diyzine.com/2009photosandvideos.html
1. A primeira Conferência Anarquista da Califórnia do Sul foi realizada
dois anos atrás e foi invadida pela polícia, que fechou permanentemente o
espaço de uma comunidade solidária e de organização midiática.

2.  Para mais informações sobre os restos no Playa Vista, veja estes
artigos: Bates, Karen Grigsby. "At Playa Vista, a Controversy over Indian
Remains," NPR. 1 de Maio, 2007.
http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=9940767 e Madigan,
Nick. "Developer Unearths Burial Ground and Stirs Up Anger Among Indians."
Los Angeles Times, 2 de Junho de 2004.
http://www.nytimes.com/2004/06/02/us/developer-unearths-burial-ground-and-stirs-up-anger-among-indians.html?pagewanted=all
Tradução > Marcelo Yokoi
agência de notícias anarquistas-ana


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