(pt) [França] Besançon, Cidade Libertária

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Domingo, 9 de Agosto de 2009 - 15:28:37 CEST


Para comemorar o 200º aniversário do nascimento de Pierre-Joseph Proudhon
na cidade francesa de Besançon, o grupo anarquista local (que leva o nome
de Proudhon) organizou uma jornada de estudos (“Colóquio”) sobre este que
é considerado por muitos como o pai do anarquismo. Celebrou-se no dia 29
de maio com a participação de estudiosos da vida e obra deste genial filho
de Besançon. Antes de começar as atividades, foi mencionada e destacada a
figura de Jean Preposiet, recentemente falecido, catedrático de Filosofia,
historiador do anarquismo francês e pai de nosso companheiro Bruno.
O “Colóquio” iniciou com a intervenção de Michael Paraire, que esboçou as
teorias de Proudhon, enfatizando sua faceta de teórico revolucionário
totalmente original em sua época. Em seguida, René Berthier, dissertou
sobre as teorias econômicas de Proudhon, sobretudo suas diferenças com
Marx. Daniel Colson realizou um brilhante discurso sobre a atualidade de
Proudhon. Após uma simpática refeição, a jornada continuou com a
participação de Edward Castelton, que desenvolve as idéias de Proudhon,
sobretudo sobre os paradoxos de seu pensamento. Por fim, Archibald Zurvan,
traçou uma maravilhosa e documentada panorâmica do pensamento do
homenageado. Após as intervenções se seguiu um animado debate do público
(havia mais de uma centena de participantes) que durou até a entrada da
noite.
No dia seguinte, 30 de maio, foi inaugurado o 66º Congresso da Federação
Anarquista francófona (FA). Durante três dias, cerca de 160 delegados que
representavam o enorme conjunto de grupos espalhados por toda a França
debateram uma interessante ordem do dia, rica em colocações libertárias,
expressão da atividade dos grupos que compõe a FA.
O Congresso começou com uma série de pontos de caráter interno, como
aprovação da gestão das diferentes comissões da FA. Os informes eram
conhecidos de antemão pelos grupos; é o momento das perguntas e do
trabalho das comissões revisoras de contas. A FA tem diferentes
realidades. Conta com um semanário (Le Monde Libertaire), uma editora (Les
Editions du Monde Libertaire), uma emissora de rádio (Radio Libertaire,
que pode escutar pela internet: www.federation-anarchiste.org/rl) e uma
livraria – e distribuidora – em Paris (Publico), isto fora as publicações
e as livrarias que alguns grupos possuem. Por exemplo, o grupo Proudhon de
Besançon conta com a estupenda livraria "L'Autodidacte".
O prato forte do Congresso foram os debates sobre as próximas campanhas a
serem realizadas pelo conjunto da Federação e a aprovação das moções
apresentadas sobre os problemas atuais enfrentados pela militância
anarquista... Chama a atenção à extrema educação e fraternidade dos
companheiros nos debates. Ninguém falava se não estivesse no uso da
palavra e os membros da mesa, quando intervinham nos debates, pediam antes
a palavra e desciam da tribuna para falar, para que não exercessem em
nenhum momento a mais leve autoridade. Foram aprovadas campanhas e, após
debates enriquecedores, três moções. Também se discutiu amplamente sobre a
desaceleração e sobre a estratégia da FA, embora em ambos os casos não
foram alcançados acordos (que, obviamente, são tomados por unanimidade).
Talvez o ponto mais delicado do Congresso foi dedicado à possibilidade de
comprar um local, em Paris, situado junto à livraria Publico. Em todo
momento a discussão, embora tensa, transcorreu pelas veredas do respeito e
companheirismo, sem palavras grossas, insultos e desqualificações. No
final não houve acordo.
A última sessão foi dedicada ao nomeamento do/as companheiro/as para os
cargos de responsabilidade (jornal, emissora etc.). Presume-se exercer por
um ano (máximo dois) e se pede que o/as companheiro/as levem ao menos
quatro anos de militância.
Tanto o Congresso como o “Colóquio” foram celebrados no teatro Bacchus, um
antigo convento convertido recentemente em sala de apresentações. Numa das
salas foi instalada uma exposição sobre vigilância e controle policial e,
numa das noites, três companheiros (vozes, violões e flauta) nos
deleitaram com um recital de canção francesa.
Há de ressaltar o estupendo trabalho que fez o grupo Proudhon que
organizou tudo, da acolhida às comidas; tudo estava ao ponto no momento
preciso. Um luxo de grupo e companheiros encantadores.
Alfredo G.
Fonte: Tierra y Libertad
Tradução > Marcelo Yokoi
agência de notícias anarquistas-ana


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