(pt) [Espanha , sábado 28] Crônica da manifestação “Não pa gue a crise do capital”

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Quarta-Feira, 1 de Abril de 2009 - 10:22:38 CEST


Apesar do frio, da intensa chuva, foi prolífero o dia de mobilizações que
ocorreu sábado, 28 de março em Madri. Em média 2500 pessoas marcharam na
manifestação de “Atocha a Sol” convocada pela CNT (Confederação Nacional
do Trabalho). Chamaram para a defesa da classe operária, frente aos
ataques que estão sofrendo os trabalhadores (demissões, famintos,
amedrontados...) por parte do capitalismo e o Estado, por conta da “crise
econômica”.
Às 18h15min iniciava-se a manifestação com um faixa onde se podia ler:
“Contra a crise do capital: organização e luta”. Atrás, entre bandeiras
rubro-negras, faixas com inúmeras mensagens: “Frente à crise: Revolução!
Organize-se e Lute!”, “Crise econômica: se nos dividirmos, eles ganham!”,
“É nosso momento, grupos sindicais!” , “Culpados: BBVA, Telefônica,
Repsol, Santander, Mc Donald´s...”, “Iguais na crise, iguais na luta!”, “À
merda com a crise!”, e “ABC demite 238 trabalhadores” levada por um grupo
de trabalhadores do ABC. As pequenas faixas foram substituídas ao longo da
manifestação por uma de enorme dimensão com um desenho de trabalhadores em
atitude de luta onde se lia: “Não há trégua!”
As palavras de ordem mais ouvidas durante a manifestação foram: “A crise,
que paguem os capitalistas!”, “Operário se não luta, nada escuta!”, “Há de
ter uma greve geral!”, “União, Ação, Autogestão!”, “Morte ao Estado, viva
a Anarquia!”...
A manifestação decorreu sem incidentes, chegando à porta do Sol às
19h30min, onde com uma intensa chuva, começaram as intervenções dos
oradores. Primeiramente falaram os companheiros da seção sindical da CNT –
Jaén da empresa Sêneca-EDM explicando sobre a greve que estão levando a
cabo graças à atitude exploradora dos empresários. Foram ditas coisas
como: “pouco a pouco, com o exemplo diário, pelos moldes respaldados da
CNT, única organização sindical que tem encarado, tanto a direção, como ao
comitê das empresas, cúmplices em todo o momento com a situação”. Acabaram
animando outros a tomarem as rédeas dos discursos, criticando grupos
sindicais, constituindo um discurso uníssono para acabar com a injustiça.
Seguidamente interveio José Manuel Sanz, companheiro do sindicato
asturiano de Candás, que destacou a hipocrisia do sistema capitalista e o
Estado, criticando duramente os bancos e o Estado e a patrões. “Eles nunca
estão em crise! E Nós sempre estamos! Isto é a exploração de toda a vida!
À merda a crise!”, afirmou o orador, que destacou a vigência da sociedade
de classes, ainda que queiram afirmar o contrário, e lamentou a desunião
do proletariado, cujos responsáveis são os partidos políticos, a maioria
dos sindicatos que se burocratizaram, participando amigavelmente da
“gestão” das empresas. Afirmou que “é a hora do proletariado se
reorganizar!”. Não deixou de citar as pessoas presas injustamente, nem de
criticar o trabalho das forças repressoras, que na maioria dos casos são
“filhos de operários que para garantir a sobrevivência, se vendem para a
classe inimiga!”.
Posteriormente, Daniel, secretário Geral da Federação Local de Madri,
recordou que há poucas horas havia ocorrido uma manifestação antifascista
em Vallekas, onde um grupo nazi-fascista havia criado uma organização de
bairro, apoiada pelo governo. Criticou a polícia que defendeu aos
neonazistas a todo o momento, agredindo violentamente as dezenas de
antifascistas que foram defender os bairros operários das ordens porcas
fascistas. Muitos deles recordaram companheiros da CNT. Assim como, das
prisões (cerca de uma dezena de pessoas), e da brutalidade dos policiais.
Mostrou sua solidariedade com as vítimas e afirmou: “A CNT sempre estará
com vocês!”.
Logo depois, falou-nos Viki, companheiro anarcosindicalista de Lebrija,
que explicou como o povo junto com a CNT organizou-se para denunciar o
trabalho indigno e as irregularidades políticas de Lebrija, o desemprego e
a precariedade em que se vive na localidade. Narrou como convocaram uma
greve geral, apoiada pela população e criticada pelos partidos como: PSOE,
CCOO UGT e IU, que tentaram atrapalhar e desmerecer o movimento, sem, no
entanto consegui-lo. Afirmou que em Lebrija: “está sendo posto em prático
com êxito todo o discurso anarcosindicalista!”. “Temos mostrado que frente
a outras organizações, que dizem representar ao povo, quando na realidade
são contra, para que enriqueçam apenas poucos, a CNT é honesta, honrada e
justa”. E finalizou: “Vamos acabar com tanta pobreza e miséria, vamos
acabar com os desgraçados que a perpetuam e construir um mundo mais
justo!”.
Para último, interveio o companheiro madrileno José Luis Velasco, que
disse: “nos vendem a crise, como algo natural, quase religioso, sem
responsáveis”. Assinalou então como culpados da crise: os bancos, os
militares, a igreja, os partidos políticos e a burocracia sindical ou
burrocracia?”. “A avareza dos que  tudo possuem, frente aos que nada tem.
Dos exploradores frente aos explorados. As guerras por interesses
econômicos. Essas são as verdadeiras causas da crise!”. Terminou o comício
assegurando que: “a emancipação dos trabalhadores deverá ser feita pelos
próprios trabalhadores, ou nada mudará!”.
E às 20h00, se dissolvia a manifestação entre cânticos e sonhos libertários!
Fotos da manifestação: http://cnt.es/node/947 e
http://www.lahaine.org/index.php?p=36979
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=esBFajLUQqQ
Tradução > Palomilla Negra
agência de notícias anarquistas-ana




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