(pt) [Lisboa] 6 dezembro - A Crise Económica - Debate Para a Mudança

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Sexta-Feira, 28 de Novembro de 2008 - 14:30:08 CET


Dia 6 Dezembro pelas 15 Horas na Biblioteca Museu República e Resistência

Alternativa Libertária

Tertúlia Liberdade

QUEM PAGA A CRISE DO CAPITALISMO?

De há tempos para cá os meios de informação de massas perseguem-nos com as
mais assustadoras notícias sobre a crise. Pretendem converter-nos ao seu
dogma, tudo não passa de problemas financeiros que um punhado de terríveis
especuladores, cuidadosamente mantidos no anonimato, provocaram,
aproveitando-se da ausência de regulamentação. Os teólogos do capital
prometem-nos sacrifícios para assegurar a salvação do sistema. Um sistema
que se baseia no trabalho assalariado, em que a grande maioria para poder
viver, é obrigada a vender a sua força de trabalho aos capitalistas, os
possuidores das fábricas, das empresas e de todos os meios de produção, em
troca de um salário.   E para mantermos o valor desse salário tem os de
promover uma luta constante. Em Portugal, por exemplo, há 30 anos que, da
riqueza distribuída, cabiam 50% aos capitalistas e os restantes 50% aos
trabalhadores, mas hoje essa proporção é de 60% para os capitalistas e 40%
para os trabalhadores.

Essa gente quando obtém lucros enormes e destroem as nossas vidas e a
natureza tratam de os consumir ou aferrolhar, e não nos dão cavaco,
encobertos pela opacidade dos negócios com que se protegem.

Hoje, como sempre, querem obrigar-nos a produzir o que bem entendem, a
trabalhar como lhes convém e a obedecer às suas ordens e dos seus capatazes.
Nós somos simples peças descartáveis de uma engrenagem que não dominamos.
Agora mesmo a União Europeia quer obrigar-nos a trabalhar 60 a 65 horas
semanais.

Esta especulação financeira de que todos falam é prática corrente por todo o
lado e correspondeu a uma necessidade do capital porque é aí que obtém os
lucros chorudos que já não consegue na produção. Por isso mesmo todos os
governos trataram de acabar com as regulamentações e restrições existentes,
para facilitar a obtenção de lucros por todo o mundo e em todas as
actividades, principalmente no sector financeiro, que representa 90% das
transacções internacionais. São essas negociatas e especulação que têm
permitido manter o sistema do lucro. Tudo isso aliado a um crédito sem
medida, que mergulhou as pessoas, os estados e as empresas num infindável
mar de dívidas. Em Portugal a dívida do estado já ultrapassa o PIB de 1 ano
e seremos nós e as gerações futuras que teremos de a pagar.

É toda esta gente do poder que deu origem à presente crise que agora nos
querem obrigar a pagar. Por todo o lado os governos distribuem "injecções"
de biliões pelos mesmos bancos que põem as pessoas fora de casa. Por cá, só
com a estatização do BPN, falido devido às falcatruas dos responsáveis,
ex-políticos de sucesso, o estado vai gastar muito mais de 1 MM de Euros e a
"injecção" com as garantias aos bancos custa 20MM de Euros. Essas
"injecções" são fruto do nosso trabalho e dos nossos descontos e, enquanto
isso, as reformas mais baixas aumentarão no próximo ano 6 Euros mensais e o
subsídios de refeição dos funcionários públicos serão aumentados em 4
cêntimos. Porque não têm dinheiro, dizem eles. Também por cá a especulação
atingiu os dinheiros, do estado, acumulados com os nossos descontos e as
dívidas estatais. O Ministro da Segurança Social confessou que perdeu na
especulação bolsista 255 MM Euros do Fundo da Segurança Social. Quem nos
garante o dinheiro que descontamos durante anos?

Os mentirosos da caneta, asseguram-nos que não resta outra saída àqueles que
ainda têm trabalho, senão trabalharmos mais, porque esta é a única forma de
organização social e o dinheiro não abunda. É falso! Poderemos perfeitamente
admitir outra existência em que não seja a sede de lucro a comandar a vida
mas sim a satisfação das necessidades e o regime do salário seja substituído
pela cooperação e auto-organização. E dinheiro é o que não falta, está é em
poucas mãos, porque a desregulamentação e a mundialização económica levaram
a uma concentração gigantesca, com o dinheiro e o poder nas mãos de uns
poucos. Esta crise teve origem numa especulação desenfreada em que se
prometeram créditos de toda a ordem, na fúria de vender o máximo e que
tornaram muitas pessoas insolventes, enquanto a grande maioria da população
mundial passa ao lado desse consumo massivo. As inauditas capacidades
produtivas existentes não encontram gentes com poder aquisitivo para a
adquirir e especula-se e destrói-se alimentos, medicamentos, casas e outros
bens essenciais, enquanto biliões de pessoas os necessitam mas nãos os podem
adquirir.

As gigantescas quantias que os senhores do capital e os seus aliados
acumulam necessitam de ser escamoteadas. Para isso existem empresas
especializadas em lavagem de dinheiro, como a Clearstream, com sede no
Luxemburgo. Ali procede-se a 250.000 operações diárias e anualmente
movimenta-se o equivalente a 4 vezes o PIB mundial. São dinheiro das
multinacionais, da droga, da prostituição, das seitas, do terrorismo de
estado e de outros e dos lucros das guerras.

É tempo de alertar toda a gente. Os capitalistas, os políticos profissionais
e os seus propagandistas, mentem descaradamente e apenas pretendem defender
os seus interesses com a simulação que os caracteriza. Nunca se viu um
capitalista falido na miséria, nem um político desempregado a caminho do
centro de emprego.


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