(pt) TRABALHO ESCRAVO SUSTENTA DEMOCRACIA NO BRASIL

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 14 de Março de 2008 - 11:53:43 CET


Acusados de trabalho escravo financiaram 16 políticos
Empresas autuadas doaram R$ 550 mil nas últimas eleições. Entre os
beneficiários, dois governadores, cinco deputados federais e três
senadores

Tarciso Nascimento

Empresas autuadas pelo Ministério do Trabalho por manter trabalhadores em
condições análogas à de escravo ou como co-responsáveis por esse tipo de
exploração contribuíram com R$ 550 mil para a campanha de 16 políticos nas
últimas eleições. Encabeçam a lista dos beneficiados dois governadores,
cinco deputados federais e três senadores. Também receberam doações outros
cinco candidatos que fracassaram nas urnas.

É considerada condição análoga à escravidão a situação em que o empregador
não paga o salário do trabalhador e ainda retém a carteira de trabalho do
empregado. Desde 1995, 21.538 pessoas foram resgatadas nessas condições em
todo o país. Só no ano passado, 3.266 brasileiros mantidos em trabalho
escravo foram libertados, segundo o Ministério do Trabalho.

Campanhas beneficiadas

Receberam recursos das empresas autuadas a campanha do governador de
Sergipe, Marcelo Deda (PT), da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT),
e dos deputados federais reeleitos Eunício de Oliveira (PMDB-CE), Olavo
Calheiros (PMDB-AL) e Abelardo Lupion (PFL-PR) e dos novatos Giovanni
Queiroz (PDT-PA) e Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS). Também foram
financiados o senador reeleito José Sarney (PMDB-AP) e os senadores José
Maranhão (PMDB-PB) e Garibaldi Alves (PMDB-RN), que disputaram sem sucesso
a eleição para governador. Os dois, no entanto, ainda têm mais quatro anos
de mandato.

O levantamento realizado pelo Congresso em Foco cruzou informações do
Ministério do Trabalho com as prestações de contas dos candidatos no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Juntas, a Siderúrgica do Maranhão
(Simasa); a Siderúrgica Gusa Nordeste; a Agropecuária Mirandópolis; a
Pinesso Agropecuarista e a Jorge Mutran Exportações e Importações doaram
R$ 262 mil aos parlamentares eleitos. Já a Viena Siderúrgica S/A
contribuiu com R$ 50 mil para dois candidatos que não se elegeram (veja a
relação).

“Lista suja”

Essas seis empresas estão na “lista suja” do trabalho escravo, atualizada
a cada semestre pelo Ministério do Trabalho. Mesmo não tendo valor
jurídico, a relação pode impedir o acesso dos empregadores a créditos de
bancos públicos e de algumas instituições privadas. Além disso, um grupo
de mais de 80 empresários se nega a adquirir mercadorias das fazendas
relacionadas, de acordo com informações do ministério.


A retirada definitiva dos nomes pode ocorrer se, no prazo de dois anos, os
problemas encontrados pela fiscalização forem sanados. Embora não estejam
na “lista suja” a Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar) e a Sidenorte
Siderúrgica, que também já foram autuadas pelo ministério como
co-responsáveis pelo uso de mão-de-obra escrava em carvoarias, também
destinaram recursos para as campanhas eleitorais.

O Congresso em Foco procurou as oito empresas citadas, mas nenhuma delas
retornou os contatos feitos pela reportagem.

Na lista também estão incluídos nomes de políticos, como o do senador João
Ribeiro (PL-TO) – que doou R$ 18,75 mil, no ano passado, para eleger a
filha Luana Ribeiro (PL-TO) deputada estadual – e o do deputado estadual
eleito Francisco Dantas (PMDB-MA), o Fufuca, que destinou R$ 79,8 mil para
a própria campanha (leia mais).

Pará na liderança

O Pará é o estado em que foi encontrado o maior número de trabalhadores em
condição análoga de escravo no ano passado. Ao todo, 1.062 pessoas foram
libertadas em terras paraenses em 2006, segundo o Ministério do Trabalho.

A campanha da governadora Ana Júlia Carepa foi a que recebeu a maior
doação das empresas autuadas pelo governo federal. A Cosipar contribuiu
com R$ 112,5 mil para a candidatura da ex-senadora. A petista também
recebeu R$ 30 mil da Sidenorte Siderúrgica. Procurada pela reportagem, a
assessoria da governadora não retornou o contato.

Em maio de 2005, o grupo especial de fiscalização móvel do Ministério do
Trabalho retirou 214 trabalhadores de uma carvoaria de propriedade da JR
Carvão Vegetal, fornecedora exclusiva de carvão da Cosipar. Os
trabalhadores – entre eles, oito menores de 17 anos e seis mulheres –
foram encontrados trabalhando e alojados em condições degradantes. A
Cosipar é uma das signatárias de um termo de ajustamento para não adquirir
carvão produzido por mão-de-obra escrava.

Já a Sidenorte Siderúrgica foi acusada, junto com a Cosipar, de receber
carvão de três carvoarias do município de Goianésia do Pará (PA)
interditadas pelos fiscais do ministério. As três carvoarias mantinham 28
trabalhadores em condições degradantes de trabalho.

Siderúrgica

O senador Garibaldi Alves também recebeu uma das mais polpudas doações
dessas empresas. A Simasa doou R$ 60 mil à candidatura derrotada de
Garibaldi ao governo do Rio Grande do Norte. A siderúrgica, do grupo
Queiroz Galvão, é proprietária de duas fazendas (uma no Pará e outra em
Tocantins), onde foram encontradas 57 pessoas trabalhando em condições
degradantes. Procurado pela reportagem, o gabinete do senador também não
se manifestou sobre o assunto.

A Siderúrgica Gusa Nordeste, que teve na sua unidade de Açailândia (MA) 18
trabalhadores libertados, doou R$ 50 mil à campanha do senador José
Sarney.  A Simasa, que também é signatária da carta-compromisso pelo fim
do trabalho escravo na produção de carvão vegetal, investiu R$ 50 mil na
candidatura do governador de Sergipe, Marcelo Déda. A reportagem não
conseguiu localizar o governador.

A siderúrgica também contribuiu com R$ 35 mil na candidatura do senador
José Maranhão, que tentou, sem sucesso, se eleger governador do estado.

A Simasa também apoiou as candidaturas vitoriosas de Olavo Calheiros,
irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a do
ex-ministro da Comunicação Eunício de Oliveira, com R$ 25 mil para cada.

O coordenador da campanha de Eunício, César Pinheiro, afirmou ao Congresso
em Foco que o parlamentar desconhecia a ligação da empresa com o trabalho
escravo. “Não temos ligação nenhuma com essa empresa (Simasa). Eles apenas
ofereceram e nós aceitamos. Não tínhamos controle de que ela estava
envolvida com trabalho escravo”, afirmou.

PEC abortada

Um dos líderes da bancada ruralista na Câmara, o deputado Abelardo Lupion
recebeu R$ 2 mil da Jorge Mutran Exportações e Importações. A empresa foi
autuada três vezes pelo grupo móvel do Ministério do Trabalho. Nas três
operações, foram libertados ao todo 101 trabalhadores da Fazenda e
Castanhal Cabeceiras, em Marabá (PA).

Abelardo Lupion foi um dos principais opositores à votação da proposta de
emenda constitucional que determina a expropriação das terras onde for
constatada exploração de trabalhadores em condições análogas à de
escravidão. A chamada PEC do Trabalho Escravo já foi aprovada na Câmara em
primeiro turno, em agosto de 2004. Desde então, no entanto, enfrenta a
resistência da bancada ruralista, que tem conseguido adiar indefinidamente
a sua votação em segundo turno.

Novato diz que não sabia

Eleitos para o primeiro mandato na Câmara, os pedetistas Giovanni Queiroz
e Dagoberto Nogueira Filho também receberam financiamento de empresas
autuadas pelo Ministério do Trabalho. A campanha de Queiroz recebeu R$ 10
mil de José Cristino, proprietário da Agropecuária Mirandópolis, flagrada
mantendo 33 trabalhadores em condições degradantes.

Já a Pinesso Agropecuarista doou R$ 5 mil para Dagoberto. Por meio de sua
assessoria de imprensa, o deputado disse que, se soubesse da ligação da
Pinesso com trabalho escravo, não teria recebido a doação. “Ele não sabia
que essa empresa praticava isso. Ele ficou muito chateado”. Advogado e
administrador de empresas, Dagoberto foi proporcionalmente o mais votado
entre os deputados eleitos pelo PDT em todo o país, com 97.803 votos. Em
junho de 2004, foram resgatados 52 trabalhadores mantidos na fazenda Mutum
(MT), de propriedade da Pinesso.

Eleição perdida

Mas nem todos os que foram financiados com empresas autuadas por trabalho
escravo tiveram a mesma sorte. Os candidatos a deputado federal Francisco
Luiz Escórcio (PMDB-MA), Eduardo Bernis (PFL-MG) e Marcos Sant’anna
(PPS-MG) também foram contemplados com recursos dessas empresas, mas não
conseguiram se eleger.

O presidente da Associação Comercial de Minas Gerais, Eduardo Bernis,
recebeu R$ 25 mil da Viena Siderúrgica do Maranhão S/A, proprietária de
três fazendas (uma no Pará e duas no Maranhão) onde foram encontrados 133
trabalhadores em condições análogas à de escravo. A empresa doou a mesma
quantia para o ex-vice-prefeito de Belo Horizonte Marcos Sant’anna.

Já Escórcio, que chegou a ocupar uma cadeira no Senado e na Câmara nas
duas últimas legislaturas, sempre na condição de suplente, recebeu R$ 50
mil da Siderúrgica Gusa Nordeste S.A. A empresa foi autuada por ter 18
trabalhadores em regime semelhante à escravidão, no estabelecimento de
Pequiá, em Açailândia (MA).

- CONTRA A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO!
- CONTRA O TRABALHO ESCRAVO!
- CONTRA O DESEMPREGO!


ATUALIZADA EM:10/01/2007

Comitê Nacional de Solidarieddade ao
Movimento Camponês Corumbiara (MCC/RO)
mcccampones  ibest.com.br
http://www.ocombatente.com/index.php?option=com_content&task=view&id=6766&Itemid=2

Confederação Operária Brasileira (COB)
Seção Brasileira da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT)
cobforgs  yahoo.com.br
http://www.cob-ait.org/index.php

O COLETIVO LIBERTÁRIO
Lembre Sempre:
ANARKIA NÃO É BAGUNÇA!
cldvulg1985  yahoo.com.br
http://www.grupos.com.br/blog/ocoletivolibertario







More information about the A-infos-pt mailing list