(pt) 8 de Março é das trabalhadoras de um mundo novo

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Terça-Feira, 11 de Março de 2008 - 18:07:49 CET


Por ocasião do 8 de março - Dia da Mulher Trabalhadora - publicamos breves
biografias de dez mulheres anarquistas que nos inspiram nessa luta até a
vitória por socialismo e liberdade. Há uma certa dificuldade em achar
informações sobre suas vidas, pois muito foi destruído, omitido por esses
que sempre nos dominaram, a quem não interessa que se divulgue a história
dos oprimidos, ainda mais sendo mulher, ainda pior sendo anarquista. Mas
aos poucos, como as costureiras dessas histórias que vamos contar, vamos
costurando essa colcha de retalhos tão rica que é a experiência de lutas
dos povos do mundo. Como as educadoras, vamos passando isso pra adiante,
para os filhos e filhas do povo, que já nascem com o punho levantado. Como
as enfermeiras, vamos combater os males capitalistas que adoeceram a
sociedade e a natureza. E como as camponesas, que novamente enchem de
orgulho as mulheres enfrentando as transnacionais que ameaçam a nossa
pampa, vamos semear nossos desejos por justiça, igualdade e a liberdade.
Essas mulheres junto com aquelas 129 queimadas dentro da fábrica, junto
com todas as lutadoras do povo que já se foram e as que seguem, recebam
nossa modesta homenagem.

Companheiras libertárias
Malvina Tavares
Seu nome completo era Júlia Malvina Hailliot Tavares. Natural de
Encruzilhada do Sul, RS, nasceu em 24 de novembro de 1866. Pioneira do
ensino laico no Brasil.

Estudou em Porto Alegre e casou em 1890 com o português José Joaquim
Tavares. Formada, foi lecionar na vila de Encruzilhada, em 1898, de onde
se transferiu, um ano depois, para São Gabriel da Estrela, distrito de
Lajeado, hoje Cruzeiro do Sul. Ali estabeleceu sua escola e viveu sua vida
inteira. Ministrou aos seus alunos um tipo de educação laica e
libertadora, espécie de Escola Moderna, nos moldes daquela defendida pelo
educador espanhol anarquista Francisco Ferrer. O resultado dessa didática
revolucionária não se fez esperar muito. Seus alunos Nino Martins, Cecílio
Vilar, Espertirina Martins e suas irmãs se tornaram ativos militantes
operários e anarquistas. Essa geração de militantes nutriria um sentimento
de grande admiração pela professora Malvina, com a qual aprenderam os
ideais libertários.

Malvina faleceu em 16 de outubro de 1939. Há uma rua com seu nome em Porto
Alegre.

Fonte: Os anarquistas do Rio Grande do Sul - João Batista Marçal
Dorvalina Martins Ribas
Nasceu em Porto Alegre, RS, em 12 de agosto de 1900. Ainda estudante se
tornou discípula de Francisco Ferrer e adepta do ensino laico. Tornou-se
anarquista e passou a lecionar para os filhos dos trabalhadores. Formada
pela Escola Complementar de Porto Alegre, já em 1919 era diretora da
Escola Moderna, criada em 1915 por Polidoro Santos, Cecíclio Vilar, Zenon
de Almeida, Djalma Fetterman e outros militantes.

"Essa escola funcionou por alguns anos, chegando a ministrar uma educação
senão completamente racionalista, mas muito mais racional do que a
ministrada nas escolas atuais, que é cheia de preconceitos absurdos e
completamente irracionais. Essa escola chegou a ter quatrocentos alunos de
ambos os sexos", segundo o jornal "O Sindicalista", de 1924.

A escola funcionava na Rua Ramiro Barcelos, 197, na então chamada Colônia
Africana, espécie de gueto negro localizado onde fica hoje o bairro Bom
Fim. O "Correio do Povo" de 3 de maio de 1919 informa que nas comemorações
do 1º de maio a passeata operária parou na frente da Escola Moderna e ali
foi saudada por seus alunos com o hino "Porvir". Os trabalhadores -
segundo a mesma fonte - responderam a homenagem cantando o hino "Filhos do
Povo". À frente dos alunos, a professora Dorvalina Ribas.

Por volta de 1921 Dorvalina casa com o militante espanhol Jesus Ribas,
seguindo com este para Erechim. Lá abrem uma pequena escola, mas o
ambiente conservador do local não permite que o projeto prossiga, e o
casal retorna a Porto Alegre após dois anos. Dorvalina segue a educar os
filhos dos operários e Jesus Ribas trabalha como eletricista e milita na
Federação Operária do Rio Grande do Sul (FORGS). Perseguido pelos patrões,
passaria a trabalhar arrancando pedras do Morro Santo Antônio.

Dorvalina e Jesus integravam o Grupo Anarquista Internacional, em 1928,
quando ela proferiu uma concorrida palestra na homenagem que a FORGS
prestou à memória de Francisco Ferrer. Este ato ocorreu na rua Jerônimo
Coelho.

A partir dos anos 30, Dorvalina e o marido seguem dedicando-se è educação
infantil, construindo o Instituto de Assistência e Proteção à Infância,
junto à pedreira do Morro de Santo Antônio. A idéia surge depois que o
casal recebe a denúncia de que um grupo católico mantinha crianças em um
porão sujo, alimentadas de restos de comida de restaurantes da burguesia.
Jesus foi até o local com amigos armado de uma pistola e disse que as
crianças agora estava sob sua responsabilidade. Criam o instituto para
abrigar as crianças, reunindo as poucas economias do casal, com muito
empenho e apoio da comunidade.

A educadora virá a falecer de câncer em março de 1944, com 43 anos.

Fonte: Os anarquistas do Rio Grande do Sul - João Batista Marçal
Espertirina Martins
Natural de Lajeado, RS, Espertirina era a mais jovem das irmãs Martins,
nascida em 1902. Junto com as irmãs Eulina, Dulcina e Virgínia, os irmãos
Nino, Henrique (que mudaria seu nome para Cecílio Villar) e Armando, os
cunhados Djalma Fetterman e Zenon de Almeida, participa da militância
operária e anarquista. Foi aluna da Escola Moderna de Malvina Tavares,
onde estudava também seu futuro marido Artur Fabião Carneiro.

Com apenas quinze anos, em 1917, carregava a bomba com que Djalma
Fettermann enfrentou a carga de cavalaria da Brigada Militar na batalha
campal travada na Várzea, hoje avenida João Pessoa, entre anarquistas e
brigadianos, em janeiro deste ano. O confronto se deu durante o enterro de
um trabalhador assassinado pela repressão. Espertirina levava essa bomba
disfarçada dentro de um buquê de flores... Meses depois, em julho,
estouraria a greve geral que ficaria conhecida como "A Guerra dos Braços
Cruzados", que pararia Porto Alegre e outras cidades do estado, e da qual
Espertirina e sua família participaram ativamente.

Segundo relata seu sobrinho Marat Martins: "Morou com a irmã Eulina,
esposa de Zenon de Almeida, em Rio Grande, onde participou de comícios,
manifestações e passeatas, inclusive de um encontro sangrento com as
forças da repressão. Teve o curso primário completo, estudou violino,
escrevia e era oradora ardente. Com Zenon, no prelo portátil, imprimia os
panfletos e jornais revolucionários, distribuindo-os nas fábricas e
bairros operários. De novo em Porto Alegre, já moça feita, tornou-se uma
feminista convicta . Em 1925 foi residir com Eulina e Zenon em Campos
(RJ), ligando-se novamente aos grupos anarquistas, quando promoveu
reuniões e pronunciou conferências".

"Com a irmã Dulcina, que se havia casado com Djalma Fetterman, foi residir
no Rio, na Ilha do Governador, Praia da Bandeira, aí casando-se com Fabião
Carneiro, o qual logo a seguir foi trabalhar em uma empresa de publicidade
Eclética, em São Paulo. Nesta cidade ambos ligaram-se a Edgar Leuentoth,
junto a quem prosseguiram nas atividades revolucionárias, até voltarem
para Porto Alegre. Aqui. Espertirina veio a falecer em 22 de dezembro de
1942, em virtude das complicações de um parto prematuro e apendicite.
Faleceu antes de completar quarenta anos, fiel a suas posições
revolucionárias.

Fonte: Os anarquistas do Rio Grande do Sul - João Batista Marçal
Elvira Boni
Filha de imigrantes italianos, nasceu em 1889 no Espírito Santo do Pinhal,
estado de São Paulo, começou ainda criança com suas irmãs e irmãos,
assistindo a palestras na Sociedade Dante Alighieri. Seu pai era
socialista e por isso encaminhava os filhos nessa direção.

Depois veio morar no bairro de Cordovil, Rio de Janeiro. Começou a
trabalhar aos 12 anos de idade como aprendiz de costureira na rua
Uruguaiana. Inicialmente não recebia salário e depois passou a receber 10
mil réis por mês. Já conhecia a Liga Anti-Clerical, com sede na Av.
Marechal Floriano. Por essa época (1911-12), a jornada de trabalho
começava às 8 horas e terminava à 19 horas e quando o serviço apertava,
prolongava-se até às 20 e 22 horas.

Aos poucos Elvira forma-se profissionalmente, começa alargar seus
horizontes revolucionários lendo os jornais operários e anarquistas.
Impulsionada pelo anarco-sindicalismo, em maio de 1919, com 50
companheiras de profissão, forma a União das Costureiras, Chapeleiras e
Classes Anexas, passando a funcionar na sede da União dos Alfaiates do Rio
de Janeiro.

Coube a Elvira Boni a tarefa de ler o discurso de inauguração, publicado
depois no Jornal do Brasil.

A primeira iniciativa da associação das operárias costureiras, ainda em
1919, foi deflagrar greve pelas 8 horas de trabalho. Muitas grevistas
foram punidas com a demissão sumária. Não obstante as medidas repressivas,
as mulheres trabalhadoras continuaram sua luta, publicando manifestos e,
no 3º Congresso Operário Brasileiro, Elvira Boni e Noêmia Lopes
representaram as costureiras e por extensão as mulheres. Elvira presidiu a
sessão final do Congresso, que ocorreu em 1920.

Tomou parte também na representação de peças anarquistas e anti-clericais
de grande importância para a propaganda libertária, levadas à cena por
grupos amadores nos palcos dos salões das associações operárias do Rio de
Janeiro.

Participou da revista Renovação, dirigida por Marques da Costa,
emprestando-lhe seu nome como responsável (o diretor de fato era
estrangeiro e não poderia ser). Num dos seus artigos intitulado A Festa da
Penha, depois de mostrar o lado hilariante e triste dos Pagadores de
Promessas, subindo a escadaria da Penha de joelhos, Elvira Boni termina
com a seguinte mensagem: "E tu, mulher, que és indispensável ao êxito de
qualquer iniciativa, deves impor-te abandonando todas essas manifestações
de vício e depravação; deves conjugar todos os teus esforços, buscando a
instrução como principal fator para uma vitória consciente, e ao lado dos
homens, formar no batalhão de uma sociedade onde a cadeia seja substituída
pela Escola e não exista o ódio no lugar do amor".

Com as divergências entre os fundadores do PCB e as anarquistas, Elvira
Boni afastou-se do movimento. Conforme relatou para Edgar Rodrigues em
1978: "Depois da fundação do PC não havia mais assembléia dos Sindicatos
que não acabasse em discussão estéril e muitas vezes violência...

Por essa época muitos militantes já haviam sido expulsos pelos governos
Epitácio Pessoa e Artur Bernardes, quando se desencadeou a divergência
interna que haveria de durar anos e desorientar os trabalhadores menos
preparados, enfraquecendo consideravelmente a resistência operária. Foram
temos de reconhecer dois acontecimentos com objetivos diferentes que
acabaram convergindo para o mesmo alvo, contribuindo um e outro para
enfraquecer brutalmente o movimento anarco-sindicalista, apolítico e
livre, aplainando desta forma, consciente ou inconscientemente, o caminho
para o nascimento dos sindicatos fascistas comandado pelo Estado Novo a
partir de 1930" .

Fonte: "Companheiros" e "Alvorada Operária" de Edgar Rodrigues
Elena Quinteros
Nasce em 9 de setembro de 1945 em Montevidéu, Uruguai.

Estudou Magistério no Instituto de Professores Artigas, onde inicia sua
militância no grêmio estudantil. Em 1966 aos 21 anos de idade, obtêm seu
título como professora e começa a trabalhar em uma escola de Pando,
Canelones. Nessa época se integra à Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e
também a Resistência Operária Estudantil (ROE), da qual foi ativa
militante. Atuou no meio sindical e integrou as Missões Sociopedagógicas,
uma iniciativa dos professores do Instituto Cooperativo de Educação Rural.

Em 16 de novembro de 1967 foi detida pela primeira vez e liberada no outro
dia. Em outubro de1969 foi detida, processada e enviada à prisão, onde
permaneceu até outubro de 1970. Em 1975 é destituída de seu cargo pelo
governo ditatorial.

Em 26 de junho de 1976 é seqüestrada nos jardins da Embaixada de Venezuela
e levada ao Batalhão nº 13 de infantaria, e posteriormente retirada dali
em 28 de junho sob forte custódia, para que não estabelecesse contato
algum com sua organização. Enquanto é escoltada, salta de improviso o muro
da Embaixada da Venezuela, grita seu nome e pede asilo; o pessoal da
embaixada busca socorrê-la, mas a escolta consegue frustrar o auxílio e
fuga. Se produz um forcejo entre o pessoal da embaixada e os efetivos
militares, os quais terminam por arrastar Quinteros para um carro. Com a
perna quebrada ao tentar a fuga, é levada de volta ao Batalhão n° 13, onde
funciona um centro de tortura da ditadura uruguaia.Desde aí não se tem
mais notícias do que houve com Quinteros. O embaixador da Venezuela no
Uruguai, Júlio Ramos, se comunica por telefone com o Ministério de
Relações Exteriores Uruguaio e denuncia o fato ao subsecretário Guido
Michelín Salomón, posto que o Ministro Juan Carlos Blanco não se
encontrava na sede ministerial. Esta situação se converte em um incidente
diplomático de envergadura que finaliza com a ruptura de relações
diplomáticas por parte de Venezuela.

Em outubro de 2002 o juiz Eduardo Cavalli encontra ao ex- Chanceller Juan
Carlos Blanco responsável em primeira instância pela desaparição de Elena
Quinteros e os processa com prisão sob a acusação de privação de
liberdade.

De Elena, assim se recordam seus companheiros da FAU: "Dizia como era
persistente. E persistente classista. Detestava o ascensionismo, o
reformismo, o eleitoralismo... Lutava por uma revolução do povo, um
protagonismo do povo, uma justiça do povo e não por soluções de Mazorcas.
Nunca pelas soluções autoritárias e exploradoras largamente experimentadas
e largamente tão desastrosas para os trabalhadores." (...) "Sem falar de
sua moral política impecável. Sua fraternidade, sua generosidade que
também formam parte desta companheira que sempre formará parte de nós."

Fonte: Wikipédia, FAU
Margarita Ortega
Como outros grupos revolucionários - zapatistas, villistas e etc - o
movimento anarquista da México, encabeçado pelo Partido Liberal Mexicano,
havia lançado-se às armas contra a brutal ditadura do general Porfirio
Díaz. Com a luta e sob terrível repressão, a influência das idéias
anarquistas de Magón e seus companheiros estendia-se cada vez com maior
força no seio das sociedades camponesa e operária do norte do México e
Baixa Califórnia, do mesmo modo que no sul acontecia a rebelião zapatista.

No inicio de 1911 uma das pessoas encarregadas do contato entre
combatentes libertários magonistas era uma mulher: Margarita Ortega. Sua
arriscada tarefa consistia em atravessar as linhas inimigas guiando os
grupos que transportavam as armas, víveres e medicamentos até as
agrupações que estavam armadas, e que viviam escondidas nas montanhas ou
misturadas nas cidades e vilas. Sua valentia em combate e sua habilidade
como amazona - que lhe permitiram escapar de várias emboscadas -, era
proverbial entre os guerrilheiros.

A história daquela extraordinária mulher, que aparecia em canções
populares, era bem conhecida e admirada entre os revolucionários. Ainda
que filha de uma família estabelecida, desde de muito cedo preocupou-se
com o destino dos trabalhadores e, como ela dizia, dos deserdados, vítimas
da injustiça social. Seus familiares - que aspiravam fazer parte da
burguesia endinheirada - não só rechaçavam as idéias que a filha tinha,
como odiavam e repudiavam sua atitude. E nessa ambiente, Margarita se
casou e em pouco tempo, deu a luz a uma filha que pôs o nome de Rosaura e
devotará a ela um grande afeto.

Durante a infância de Rosaura, a mãe se vinculou ao movimento anarquista
de Flores Magón. Desde o primeiro momento desenvolveu uma atividade
organizativa extraordinária que lhe valeu a confiança dos grupos
clandestinos. Mas a medida que chegava o fim da sangrenta ditadura, a luta
tornava-se mais dura. Em princípios de 1911, alguns meses antes da queda
do ditador, Margarita - segundo o próprio Magón - propôs ao marido irem
juntos combater na guerrilha: Eu te amo - ela disse -, mas amo também a
todos que sofrem e pelos quais luto e arrisco minha vida. Não quero ver
mais homens e mulheres dando sua força, saúde, inteligência, seu futuro
para enriquecer os burgueses; não quero que por mais tempo haja homens
mandando em outros homens. O marido negou-se. Então Margarita dirigiu-se a
sua jovem filha, Rosaura Gortari: E você, minha filha, está disposta a me
seguir ou prefere ficar com a família? Rosaura não duvidou em seguir a sua
mãe e ambas ingressaram como combatentes nos grupos armados.

Quando em 21 de Maio de 1911 cai Porfirio Díaz, uma explosão de alegria
sacode todo o México. O povo saiu para a rua acreditando que a liberdade e
o fim da miséria estavam ao alcance da mão. Também Margarita Ortega e sua
filha regressaram a cidade e compartilharam com sua gente a ingênua ilusão
de que o fim da exploração estava próximo.

Entretanto, pouco durou a alegria e a esperança. Uma vez que Madero foi
nomeado presidente, ele nega ao povo tudo aquilo porquê havia lutado. Não
acontece a reforma agrária, nem a devolução das terras comunais. E nas
oficinas continuam as jornadas abusivas e salários infames. Os mineiros
permanecem escravizados aos interesses das companhias estrangeiras que
saqueiam o país... Em poucos meses, as prisões se enchem de novo. Os
fuzilamentos e execuções sumárias se sucedem por todo o país e muitos
revolucionários têm que retornar às montanhas. Entre eles Zapata, Flores
Magón...

Naqueles dias, o general Rodolfo Gallegos ordenou que se levasse as duas
mulheres até o deserto e as colocasse em marcha sobre o imenso areal,
debaixo de um sol abrasador, sem água, sem alimentos e a pé, com a
advertência de que seriam passadas pelas armas se voltassem ao povoado.

Durante vários dias, mãe e filha arrastaram-se por aquele imenso areal,
que fazia fronteira com os Estados Unidos. A sede e a fome foram minando a
resistência de ambas. Rosaura, a menina, foi a primeira a cair exausta com
os lábios inchados e o rosto queimado. A mãe, ao vê-la cair desmaiada e
com os olhos fechados, acreditou que tudo havia terminado decidindo assim
suicidar-se, mais ao apontar o revólver para a cabeça viu que a filha a
observava. Tirando forças sabe-se lá de onde conseguiram alcançar as
cercanias do povoado de Yuma, já nos EUA.

Ainda não recuperadas do sofrimento, os inspetores da imigração
norte-americana arrastaram as duas mulheres e pretendiam deportá-las para
o México, entregando-as a uma morte certa. Afortunadamente, em Yuma havia
uma importante seção do movimento anarquista de Flores Magón que, em
seguida, organizou a fuga. Margarita e sua filha, - que todavia não haviam
superado as penalidades vividas no deserto - foram transferidas pelos
compatriotas magonistas para Phoenix, Arizona, trocando seus nomes
respectivos por os de Maria Valdés e Josefina. Entretanto, apesar dos
cuidados da mãe e dos companheiros a pequena Rosaura não pode salvar-se,
falecendo logo que chegou. Durante algum tempo a mãe pareceu desesperar-se
mas, com o passar dos dias, tendo os olhos dirigidos para a terrível
fronteira que havia levado a sua filha, pouco a pouco foi reanimando-se em
Margarita a necessidade de continuar a luta que havia iniciado com a sua
querida filha. De algum modo, Rosaura continuaria vivendo nela, se
manteria a esperança em um ideal comum. Assim o fez. Com o companheiro
Natividad Cortés - conta Flores Magón - empreendeu a tarefa de organizar o
movimento revolucionário no norte de Sonora, tendo como base de operações
o vilarejo de Sonoyta, do dito estado.

Mas a tragédia a perseguia sob o nome do general Rodolfo Gallegos, agora
partidário do novo chefe Carranza e contra o ditador Huerta que havia
assassinado Madero e ocupado o cargo de presidente da República.

Em outubro de 1913, Gallegos havia sido encarregado por Carranza de vigiar
a fronteira e cumprindo este trabalho policial, em uma triste casualidade,
pôs as mãos nos anarquistas. Natividad Cortés foi fuzilado no ato, e
Margarita levada prisioneira até a Baixa Califórnia, onde Gallegos mandou
deixá-la em um lugar que forçosamente seria vista e aprisionada pelos
huertistas, deixando a esses a tarefa de assassina-la.

Apenas um mês mais tarde, em 20 de novembro, Margarita foi entregue as
tropas do ditador Huerta. Em um campo próximo a Mexicali. Submetida a
tortura para que delatasse os companheiros que lutavam contra a nova
ditadura e que sustentavam a organização anarquista clandestina, Margarita
resistiu em silêncio. Durante quatro dias a obrigaram a ficar de pé e
quando caia a levantavam por meio de chutes e coronhadas. Diante de seu
obstinado silêncio, na manhã de 24 de novembro de 1913 a jogaram no
deserto e ali a fuzilaram, deixando seu cadáver estirado.

No ano seguinte chegada a brutal notícia ao conhecimento de Flores Magón,
este escreve uma dolorida crônica - que serviu de base para estes
apontamentos - que segue, passo a passo, o terrível, enérgico testemunho
desta mulher indomável, que será como uma premunição de si mesma.

Fonte: M. Genofonte - Revista La Campana
Lucia Parsons
“Lucia González de Parsons? ¡Ah!... sim é uma mulata que não chora”,
escreveu José Martí em suas crônicas sobre os acontecimentos de Chicago em
1886 publicadas pelo jornal argentino La Nación.

Seu verdadeiro nome era Lucia Eldine González e nasceu em 1853 em Johnson
Country, Texas, poucos anos depois de que este Estado deixasse de ser
mexicano, sendo tomado pelos americanos invasores.

Lucia era filha de uma mexicana (possivelmente de origem africana) e de um
índio creek, e se considerava mexicana. Aos três anos de idade ficou órfã,
sendo criada por um tio materno em um rancho do Texas. Investigações
recentes assinalam que provavelmente Lucia foi escrava nesse rancho. O
historiador James D. Cockcroft a definiu como “uma mulher hispano falante
de mistura índia-africana-mexicana e uma ativista operária toda sua vida”.

Foi em Austin (cidade que junto com San Antonio integrava o cordão do
algodão, onde residia grande número de mexicanos) que Lucia González
conheceu Albert Parsons. Ali ambos se casaram em 1871 ou 1872, e desde
então ela passou a ser conhecida como Lucia Parsons.

Devido a sua condição de republicano radical e a que sua recém fundada
família era uma mistura de raças, o irmão de Albert, que era general,
obrigou-o abandonar o Estado. Com seus escassos pertences os esposos
Parsons se trasladaram a Chicago em 1873. Lucia abriu uma pequena loja de
roupa para ajudar na economia do lar e Alberto começou a trabalhar numa
gráfica.

Chicago era uma cidade de “estrangeiros”, arrastados pelo sistema mundial
de acumulação capitalista à periferia de uma cidade industrial onde já
havia começado a gestação dos acontecimentos de 1886. Durante o inverno de
1872, milhares de pessoas famintas e sem lar por causa do Grande Incêndio,
realizaram manifestações pedindo ajuda. Muitas delas levavam cartazes
proclamando “pão ou sangue”. Receberam sangue: corridos ao túnel sob o rio
Chicago, foram baleados e golpeados. Em 1877, uma onda de greves se
estendeu pelas redes ferroviárias alcançando a Chicago, e as assembléias
operárias eram dissolvidas pela polícia a balaços.

A burguesia industrial de Chicago gozava de uma merecida fama de
selvageria e o Departamento de Polícia atuava como uma força privada a seu
serviço. A maioria dos policiais, além do pagamento que recebiam do
município, percebia dinheiro das organizações patronais e tinham assumido
que todo grevista era um agente estrangeiro ao serviço do anarquismo ou do
socialismo.

Lucia, que tinha qualidades de organizadora, se apaixonou pela leitura e
em 1878 começou a redigir artigos sobre diversos temas, entre outros sobre
os sem-teto, os desempregados, os vagabundos, os veteranos da Guerra Civil
e sobre o papel da mulher na construção do socialismo. Também contribuiu a
formar a União de Mulheres Trabalhadoras de Chicago, a mesma que em 1882
"Os Cavalheiros do Trabalho" reconheceram e somaram a suas fileiras
(nesses anos não se permitia a militância de mulheres nas organizações).
Alem disso, participou na fundação da International Workin People's
Asociation (IWPA), de idéias anarquistas, que promovia a ação direta
contra os capitalistas.

Em 1885, em plena efervescência pela jornada de oito horas, foi muito
ativa na organização das costureiras da indústria de grãos (sweat-shops).
Colaborava com artigos para o jornal O Alarme que editava seu esposo

O 1o de maio de 1886, levando da mão a seus pequenos filhos (Lulu de oito
anos e Albertinho de sete) Lucia e Alberto caminhavam para o lugar do
comício repetindo a consigna que estava na boca de milhares de
trabalhadores e trabalhadoras: “não queremos trabalhar mais de oito
horas”. O mesmo dia, o Chicago Mail advertia no seu editorial: “Há dois
rufiões perigosos que andam em liberdade nesta cidade; dois covardes que
se ocultam e que estão tratando de criar dificuldades. Um deles se chama
Parsons, o outro Spies. Marquem-nos hoje. Mantenham-nos à vista.
Indiquem-nos como pessoalmente responsáveis de qualquer dificuldade que
ocorrer. Façam um escarmento realmente exemplar com eles se de verdade se
produzem dificuldades”. Estavam condenados de antemão. Mas aquele 1o de
maio acabou sem incidentes.

O 4 de maio se realizou um comício na Praça Haymarket para protestar pela
repressão policial, que tinha vitimado seis vidas operárias na frente da
fábrica Mc Cormik quando uma bomba matou o policial Degan. Lucia e
Alberto, depois que este falara no comício, se encontravam junto de seus
filhos no Salão Zept' s, o que demonstra que nada tiveram a ver com aquela
bomba, pelo qual se condenou a quem depois se converteriam nos Mártires de
Chicago ao morrer na forca ou purgar longas condenações na prisão.

Parsons, convencido de que seria culpado, conseguiu fugir no meio da
confusão, e dias mais tarde, depois discutir o assunto com Lucia, decidiu
apresentar-se. Subitamente apareceu perante da Corte exclamando: “Nossas
Honorabilidades, tenho vindo para que se me processe junto de todos meus
inocentes companheiros”. Lucia, acompanhada pelos seus filhos percorreu
todo o país durante quase um ano. Dirigiu-se a mais de 200 mil pessoas em
16 estados, falando de noite e viajando de dia. Escreveu centenas de
cartas a sindicatos e diferentes autoridades, tanto dos Estados Unidos
como de todo o mundo.

Quando o 9 de outubro de 1886 se proclamou a sentença de morte Lucia
estava na sala, apertou seu punho contra o rosto e não quis derramar
lágrimas frente aos algozes. Lucia disse: "Se de mim depende que Albert
peça perdão, que o enforquem".

Pouco antes que o enforcassem, Alberto escrevia: “A minha pobre e querida
esposa: Tu es uma mulher do povo e ao povo te lego. Devo fazer-te um
pedido: não cometas nenhum ato temerário quando eu tenha ido, mas assume a
causa do socialismo, já que eu me vejo obrigado a abandona-la”. Depois do
enforcamento de seu esposo, Lucia seguiu percorrendo o país, organizando
as trabalhadoras e escrevendo em jornais sindicais. Participou nas
mobilizações de 1890, quando se comemorou pela primeira vez o 1o de Maio
nos Estados Unidos.

Em junho de 1905 esteve presente na constituição de Trabalhadores
Industriais do Mundo (IWW, pelas suas siglas em inglês), organização
influenciada pelo anarco-sindicalismo. Naquela oportunidade manifestou:
“Somos escravas dos escravos. Exploram-nos mais impiedosamente que aos
homens. Onde queira que os salários devam ser reduzidos, os capitalistas
utilizam as mulheres para reduzi-los, e se há qualquer coisa que vocês os
homens devem fazer no futuro, é organizar as mulheres”.

O 15 de dezembro de 1911 realizou um balanço sobre os efeitos da
publicação "Os famosos discursos dos Mártires de Haymarket", declarando
que já tinha vendido 10 mil cópias ao tempo que anunciava uma sexta edição
de 12 mil exemplares. Em 1913, aos 60 anos de idade, foi detida pela
polícia de Los Angeles.

Aos 89 anos, Lucia seguia ativa, quando a morte a surpreendeu em Chicago
ao incendiar-se sua casa em 1942. Finalizavam 62 anos de militância
político-sindical, mas ainda que morta, a polícia a seguia considerando
uma ameaça, pois seus documentos pessoais foram confiscados.

Fonte: Enildo Iglesias- Rel-UITA
Louise Michel
Nasceu em 29 de maio de 1830 em Haute Marne (França). Era filha de uma
servente, não reconhecida pelo pai, o patrão da sua mãe. Através do apoio
do avô recebeu educação e se converteu em professora. Louise instrui as
crianças conforme suas convicções e não como exige o governo imperial.
Explica às crianças que Napoleão é um criminoso, um tirano, um traidor, os
ensina cantos revolucionários e outras coisas. Os pequenos mostram-se
muito contentes com a estranha professora mais o diretor chega logo à
conclusão de que ela não serve para o magistério.

Louise vai então para Paris e começa a lecionar em uma escola livre, pois
nas públicas tinha que prestar juramento de fidelidade ao imperador. Estas
escolas pagavam muito mal, e Louise para poder sustentar e ajudar a mãe
que dela dependia também dava classes particulares de música e desenho.
Apesar disso não deixou de participar dos clubes revolucionários onde
conheceu vários militantes de esquerda. Toma parte do grupo "O direito da
mulher", formado por socialistas e feministas .

Louise participa em todas as tentativas revolucionárias contra Napoleão
III e quando o trono imperial cai destruído por ocasião da guerra
franco-alemã. Ela é a primeira a atacar a chamada República de Setembro, a
república da burguesia francesa.

Durante a Comuna de Paris, em 1871, animou o Clube da Revolução e suas
milícias, comandando um batalhão feminino que se enfrentou com os
reacionários nas barricadas de Paris. A condenaram a dez anos de exílio
depois de ter declarado em juízo o seguinte:

"Não quero me defender. Pertenço por inteiro à revolução social. Declaro
aceitar a responsabilidade dos meus atos. O que peço é para ser conduzida
ao Campo de Satory, onde foram conduzidos e metralhados os nossos irmãos.
Já que, segundo parece, todo coração que luta pela liberdade só tem
direito a um tanto de chumbo, exijo minha parte. Se me deixarem viver, não
cessarei de clamar vingança e de denunciar, e, vingança de meus irmãos,
aos assassinos desta Comissão."

Deportada para a ilha de Nouméa, uma colônia penitenciária francesa
situada no Oceano Pacífico, no arquipélago de Nova Caledônia, colaborou
com aqueles que lutavam pela independência política dessa colônia
francesa. Lá eram assassinados centenas de índios canacos que fartos da
exploração francesa, haviam levantado-se esgrimindo facas, lanças e
flechas contra os poderoso canhões e fuzis do exército francês. Louise
aprendeu seu idioma, se internou na selva e montou uma escola e uma
dispensa.

Dois anos depois do seu regresso à França em 1881, foi processada por
encabeçar uma manifestação de desempregados que culminou em uma
expropriação dos comércios. Obteve uma nova condenação de seis anos de
prisão. Escreveu "Memórias da Comuna", em 1898, além de novelas e dramas
sociais como "A Miséria", "Os Filhos do Povo", "Os delitos de uma época",
entre outros. Em 1889 Louise falava em um ato quando um espectador situado
atrás dela lhe disparou duas vezes na cabeça. Detido imediatamente, Louise
mesmo ferida pediu que o soltassem, entendendo ser um pobre miserável a
quem pagaram para matá-la.

Em 1890 foi viver na Inglaterra, onde conheceu outros famosos libertários:
Malatesta, Emma Goldmam, Kropotkin, Pedro Gori. Em Londres funda a "Escola
Dominical Internacional" junto com Sebastian Faure e H. W. Nevinson.

Morreu em 1905, enquanto dava uma conferência para trabalhadores em
Marselha. Milhares de pessoas seguram seu féretro. Foi enterrada envolta
pelo estandarte da Comuna de Paris.

Fonte: Revista "La Campana", Rudolf Rocker, Wikipédia
Emma Goldman
(27 de junho de 1869 – 14 de maio de 1940).

Célebre anarquista de origem lituana conhecida por seus escritos e seus
manifestos libertários e feministas, foi uma das pioneiras na luta pela
emancipação da mulher.

Nasceu no seio de uma família judia de Kaunas, na Lituânia, que regiam um
pequeno hotel. Sofreu uma infância violenta, tendo sido estuprada com
apenas 12 anos.Durante o período de repressão política que seguiu ao
assassinato de Alexandre II, e quando tinha 13 anos, se transladou com sua
família para São Petersburgo.

Emigrou aos Estados Unidos com uma irmã depois de um enfrentemento com seu
pai, que pretendia casá-la aos 15 anos. Passou a trabalhar como operária
têxtil. O enforcamento de quatro anarquistas depois do motim de Haymarket,
em Chicago, animou a jovem Emma Goldman a unir-se ao movimento anarquista
e converter-se aos 20 anos, em uma autêntica revolucionária. Nessa época
casou com um emigrante russo, mas o casamento durou apenas 10 meses. Emma
se separou e foi para Nova Iorque. Continuou legalmente casada para
conservar sua cidadania americana.

Emma foi presa em 1893 na penitenciária das ilhas Blackwell. Publicamente
instigou os operários à greve "Peçais trabalho, se não dai-vos, peçais
pão, e se não dai-vos nem pão nem trabalho, tomem o pão". Esta citação é
um resumo do princípio de expropriação preconizada pelos anarco-comunistas
como Piotr Kropotkin. Voltairine de Cleyre saiu em defesa de Emma Goldman
em uma conferência dada depois de sua prisão. Enquanto permaneceu na
prisão, desenvolveu um profundo interesse pela educação das crianças, para
o que iria dedicar-se anos mais tarde.

Junto com nove pessoas foi novamente presa em 1901 acusada de participar
de um complô de assassinato contra o presidente William Mc Kinley. Um
deles, Léon Czolgosz que havia dado o tiro, havia assistido uma
conferência de Emma Goldman e se tornado anarquista desde então.

Entre 1906 e 1917 publica a revista anarquista mensal "Mãe Terra". Em 1910
escreve "Anarquismo e outros ensaios". Em 11 de fevereiro de 1916 é detida
e presa de novo pela distribuição de um manifesto em favor do aborto.
Durante vários anos, e cada vez que dava uma conferência, esperava ser
detida, por isso sempre carregava um bom livro.

Em 1917 é encarcerada junto com Alexander Berkman por conspirar contra a
lei que obrigava ao serviço militar nos Estados Unidos. Fez públicas suas
críticas à Primeira Guerra Mundial e seu caráter imperialista.

Seu apoio a Berkman na tentativa de assassinato do industrial Henry Clay
Frick a fez ainda mais impopular frente as autoridades americanas. Berkman
foi preso durante vários anos.

Em 1919 foi expulsa dos EUA e deportada para a Rússia. Durante a audiência
que tratava de sua expulsão o presidente da mesma qualificou a Emma como
"uma das mulheres mais perigosas da América".

Residiu na URSS com A. Berkman entre 1920 e 1922 e participou da
sublevação anarquista de Kronstadt. Dessa época datam seus escritos "Minha
desilusão com Rússia" e "Minha posterior desilusão com Rússia".
Desconforme com o autoritarismo soviético, se instalou definitivamente no
Canadá. Em 1931 escreve sua autobiografia "Vivendo minha vida". Morreu em
Toronto em 1940 e está enterrada em Chicago.

Fonte: Wikipédia
Ida Mett
Ida Gilman nasceu em 20 de julho de 1901 em Smorgone (atual Bielorrússia).
Seus pais, comerciantes de telas pertenciam à comunidade judia,
permitiram-na estudar medicina.

Jovem passou a freqüentar círculos anarquistas em Moscou. Algumas semanas
antes de receber o diploma em 1924, foi presa pelas autoridades soviéticas
por "atividades subversivas". Com 23 anos se viu obrigada a deixar a
Rússia. Vive dois anos na Polônia e em seguida chega a Paris, em 1926.
Mudou seu sobrenome para Mett, como fizeram outros revolucionários russos.

Em Paris se encontra com Nestor Makhno, Volin , Valensky, P. Archinov,
assim como com Nicolas Lazarévitch, que se converte em seu companheiro. O
grupo editava o jornal "Dielo Trouda" ("A obra do trabalho"), o qual Ida
se soma.

O grupo produz neste ano a "Plataforma Organizativa para a União Geral dos
Anarquistas". A "Plataforma" faz uma avaliação crítica da participação dos
anarquistas na Revolução Russa, que dispersos, sem uma organização, não
conseguiram atuar com eficácia. Propõe uma declaração de princípios e
formas organizativas.

Em 1928 Ida e Nicolás organizam campanhas informativas sobre a realidade
da classe operária na Rússia soviética. Editam o periódico em francês "A
libertação sindical" até que são expulsos do país em 25 de novembro de
1928.

Refugiada e Bélgica junto a seu companheiro conclui seus estudos de
medicina e obtêm o diploma, embora não seja autorizada a exercer a
profissão nem na Bélgica nem na França. O encontro com Ascaso e Durruti os
leva a partirem para Espanha em 1931, onde participam de reuniões, atos, e
auxilia Ascaso quando este é ferido em um tiroteio. De retorno a Bélgica,
criam em 1933, com Jean De Boe, o periódoco "O Despertar sindicalista" e
sofrem sucessivas condenações por sua militância.

Em 1936 voltam a França e Ida se converte em secretária do Sindicato de
Gás da União de Trabalhadores.

Em 8 de maio de 1940, Nicolás e Ida são presos e separados. Ida fica
internada durante um ano junto de seus filhos no campo de Rieucros, do
qual sairá graças à Boris Souvarine, que lhes consegue moradia em Var.

Em 1948 trabalha como médica, além de empregar-se como tradutora. Neste
ano publica seu famoso livro "A Comuna de Kronstadt" . A obra foi a
primeira análise com rigor histórico que se fez sobre a rebelião dos
marinheiros, que seriam assassinados por ordem de Trotsky. Coloca em
evidência o papel jogado pelo Estado e pela cúpula bolchevique na
repressão, não só de Kronstadt mas do movimento de rebelião e luta que se
estendeu até fins de 1920 e princípios de 1921 por toda Rússia (greves em
Petrogrado, a rebelião camponesa de Tambow...).

Ela também escreveu o estudo "O camponês na Revolução Russa e Pós
Revolução", que apareceu em 1968, entre outros.Another work, Medicine in
the USSR appeared in 1953.

Morre em Paris em 27 de junho de 1973.

Fontes: Ediciones Espartaco, Enciclopédia Livre do Ateneo Virtual, Nick
Heath - Libcom.net

http://www.vermelhoenegro.org/fag/index.php



More information about the A-infos-pt mailing list