(pt) EDGAR RODRIGUES: UMA CURTA BIOGRAFIA (JLP-SP-2008)

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Quarta-Feira, 18 de Junho de 2008 - 19:59:52 CEST


EDGAR RODRIGUES: UMA CURTA BIOGRAFIA

Pesquisador de história social, nascido em Angeiras, conselho de
Matosinhos e naturalizado brasileiro.



Filho de militante anarco-sindicalista português do Sindicato da
Construção Civil, filiado à Confederação Geral do trabalho (CGT), preso
pela PIDE-serviço secreto do governo salazarento, em conseqüência de sua
militância sindical, participou desde jovem da luta contra a ditadura de
Salazar, tendo-se exilado no Brasil em 1951. No Rio de Janeiro
relacionou-se com os velhos militantes anarkistas, entre os quais José
Oiticica e Edgard Leuenroth, participando das atividades do movimento e
colaborando regularmente na imprensa libertária, adotando, desde então, o
pseudônimo de Edgar Rodrigues.



Seus primeiros livros: “Na Inquisição de Salazar” (Rio de Janeiro, 1957) e
“A Fome em Portugal” (Rio de janeiro, 1958) foram de denúncia da ditadura
portuguesa, o que lhe valeu integrar a lista dos autores proibidos em
Portugal, onde só pode voltar após a derrubada do regime autoritário em
1974.



Também nos seus inúmeros artigos publicados nas décadas de 60 e 70, em
jornais e revistas da Europa e da América Latina, tiveram como um dos
temas mais constantes a denuncia da ditadura portuguesa. Participou ainda
ativamente de inúmeros atos e movimentos de opinião realizados no Brasil
em solidariedade aos presos políticos portugueses.



Sempre trabalhou, desde sua chegada ao Brasil, como operário da construção
civil. Apesar das dificuldades e da vida rude continuou seus trabalhos de
pesquisa, que iniciados com o trabalho “Na Inquisição de Salazar”,
abriram-lhe as portas para documentar o próprio movimento social do
Brasil, dentro de uma óptica libertária, em especial o movimento sindical
libertário. Colaborou com o Jornal AÇÃO DIRETA, editado pelo professor
Oiticica, e após a morte deste ajudou na reativação e continuidade do
CEPJO (Centro de Estudos Professor José Oiticica) – onde, na década de 60
se reunia o MLE (Movimento Libertário Estudantil – no qual o jovem Edson
Luis Lima Souto militava – até ser assassinado em 68, pela polícia, no
Calabouço).



A pedido de publicações libertárias no Uruguai começa a pesquisar e se
dedicar a história do movimento social no Brasil escrevendo dezenas de
livros e artigos sobre o assunto. Seus livros “Socialismo e Sindicalismo
no Brasil”, “Nacionalismo e Cultura Social”, “Novos Rumos” e “Alvorada
Operária” são uma das principais fontes documentais do movimento operário
e do anarkismo no Brasil. Da mesa forma é autor de quatro livros sobre a
história do movimento operário em Portugal: “O Despertar Operário em
Portugal (1834-1911)”, “Os Anarkistas e os Sindicatos (1911-1922)”, “A
Resistência Anarko-Sindicalista (1922-1939)” e “A Oposição Libertária à
Ditadura (1939-1974)”. Seus trabalhos são um manancial de informação para
os pesquisadores da história social do Brasil e Portugal, podendo-se
afirmar que foi um precursor no estudo do movimento operário no Brasil,
como foi publicamente reconhecido por pesquisadores como Hélio Silva, Azis
Simão e Foot Hardman. Apesar de ser um pesquisador auto-didata seus
trabalhos são reconhecidos como uma fonte inestimável, e citados por
historiadores tão distintos como Foster Dulles, Eric Hobbsbawn, Carlos da
Fonseca e Victor de Sá.



Em 1969 foi um dos presos e indiciados durante a repressão desencadeada
pela ditadura militar contra os anarquistas do CEPJO, no Rio de Janeiro,
como parte das repercussões do assassinato de Edson Luis. Continuou suas
atividades clandestinamente, trabalhando pela reorganização do MLB no Rio
de Janeiro. Colaborou ativamente com o Jornal O INIMIGO DO REI
(1977-1983/4), com a reativação do Centro de Cultura Social de São Paulo
(CCS-SP), participou do Congresso Anarkista de 1986, que decidiu romper
com o sindicalismo oficial e a esquerda marxista e retomar o sindicalismo
revolucionário através do Movimento Pela Reativação da COB-AIT – hoje com
22 anos de atividades e duas Federações reorganizadas. Nessa época, em
conjunto com outros 11 militantes formaram o ‘Círculo e Arquivo Alfa’, que
deveria ser o instrumento de suporte do Movimento Pela Reativação da
COB-AIT e do próprio MLB (Movimento Libertário Brasileiro). Passados mais
de 20 anos, com a morte de 10 dos fundadores originais, tentam se apossar
de seu acervo – reunido com os acervos do Arquivo Alfa em São Paulo –
expulsando-o, baseado em divergências políticas e calúnias que contra
Edgar vem sendo lançadas injustamente!



Nas suas atividades de pesquisa percorreu o Brasil recolhendo depoimentos
de militantes e seus descendentes, coletando documentos de importantes
militantes operários e ativistas anarkistas, constituindo um acervo único
da história social brasileira entre 1890 e 1940, da mesma forma como já o
fizera em relação a história das lutas operárias e do anarkismo  e do
anarcosindicalismo em Portugal. Sendo até hoje usa obra “Os Companheiros”,
em cinco volumes, que reúne as biografias de militantes e ativistas no
Brasil, como o ÚNICO DICIONÁRIO BIOGRÁFICO do Movimento Operário
Brasileiro, já escrito até hoje.



Em 1999 publicou o livro “Universo Acrata”, em dois volumes, uma história
do MLP do Movimento Libertário Internacional, trabalho de atualização das
pesquisas de Max Netlau no final do século XIX.



Em duas de suas obras debate com o MLB (Movimento Libertário
Brasileiro),mostrando as divergências dentro deste no transcurso dos anos
e das lutas contra a ditadura militar, “Três Depoimentos Libertários” e
“Lembranças Incompletas”, onde se colcoa contra o academicismo e o
reformismo esquerdizante que se foi infiltrando nas fileiras libertárias



BIBLIOGRAFIA DE EDGAR RODRIGUES



- Na Inquisição de Salazar. Rio de Janeiro: 1957.

- A Fome em Portugal. Rio de Janeiro: 1958.

- Portugal Hoy. Caracas: 1963.

- Socialismo e Sindicalismo no Brasil. Rio de Janeiro: Laemmert, 1969.

- Nacionalismo e Cultura Social. Rio de Janeiro: Laemmert,1972.

- Novos Rumos, Rio de Janeiro: Mundo Livre, 1972.

- ABC do Anarquismo. Lisboa: Assírio e Alvim, 1976.

- Breve História das Lutas Sociais em Portugal. Lisboa: Assírio e Alvim,
1977.

- Deus Vermelho. Porto: S/E, 1978.

- Alvorada Operária. Rio de Janeiro: Mundo Livre, 1979.

- Socialismo: Uma Visão Alfabética. Rio de Janeiro: Porta Aberta, 1980.

- O Despertar Operário em Portugal. Lisboa: Sementeira, Lisboa, 1980.

- Os Anarquistas e os Sindicatos. Lisboa: Sementeira, 1981.

- A Resistência Anarco-Sindicalista em Portugal. Lisboa: Sementeira, 1981.

- A Oposição Libertária à Ditadura. Lisboa: Sementeira, 1982.

- Lavoratori italiani in Brasil. Itália: Galzerano Editore, 1985.

-ABC do Sindicalismo Revolucionário. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1987.

-Os Libertários. Petrópolis: Vozes, 1988.

-Os Anarquistas, Trabalhadores Italianos no Brasil. São Paulo: Global
Editora, 1989.

-O Anarquismo no Teatro, na Escola e na Poesia. Rio de Janeiro: Achiamé
Editora, 1992.

-Quem Tem Medo do Anarquismo? Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1992.

-Entre Ditaduras. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1993.

-O Ressurgir do Anarquismo. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1993.

-A Nova Aurora Libertária. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1993.

-Os Libertários. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1993.

-O Homem em Busca da Terra Livre. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1993.

-O Anarquismo no Banco dos Réus. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1993.

-Os Companheiros 1. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1994.

-Os Companheiros 2. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1995.

- Diga Não à Violência. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1995.

- Pequena História da Imprensa Social no Brasil, Florianópolis, Editora
Insular, 1997.

- Os Companheiros 3. Florianópolis: Insular, 1997.

- Os Companheiros 4. Florianópolis: Insular, 1997.

- Os Companheiros 5. Florianópolis: Insular, 1997.

- Notas e Comentários Histórico-Sociais. Rio de Janeiro: CC&P Editores, 1998.

- O Universo Ácrata (Vol. I e II). Florianópolis: Insular, 1999.

- Pequeno Dicionário das Idéias Libertárias. Rio de Janeiro: CC&P
Editores, 1999.

- Anarquismo à Moda Antiga. Rio de Janeiro: Achiamé, 2001.

-         O Homem e a Terra no Brasil. Rio de Janeiro: CC&P Editores, 2001.

-         O Porto Rebelde. Porto. Editor Fernando Vieira, 2001.

-         Três Depoimentos Libertários. Rio de janeiro: Achiame Editora,
2002.

-         Agaisnt All Tyranny – essay on Anarchism in Brazil.
Londres-Inglaterra. Kate Sharpley Library, 2003.

-         Socialismo: Síntese das Origens e Doutrinas. Rio de Janeiro.
Editora Porta Aberta, 2003 (2ª edição).

-         Rebeldias-Volume 1. Rio de janeiro. Achiamé Editora, 2003.

-         -ABC do Sindicalismo Revolucionário. Rio de Janeiro: Achiamé
Editora, 1987.

-         Rebeldias-Volume 2. Santos, Brasil. Editora Opúsculo Libertário,
2004.

-         Anarquismo à Moda Antiga. Achiamé Editora, 2005.

-         Um Século de História Político-Social em Documentos-Volume 1.
Rio de Janeiro, Achiamé Editora, 2005.

-         Rebeldias-Volume 3. Santos, Brasil. Editora Opúsculo Libertário,
2005.

-         Socialismo: Síntese das Origens e Doutrinas. Rio de Janeiro.
Achiamé Editora, 2006 (3ª edição).

-         Um Século de História Político-Social em Documentos-Volume 2.
Rio de Janeiro. Achiamé Editora, 2007.

-         Lembranças Incompletas. Guarujá, SP-Brasil. Editora Opúsculo
Libertário, 2007.



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Outra visões:



- dentro de uma ópitca marxista, avaliando o desenvolvimento do movimento
social no Brasil, citando Edgar Rodrigues.

http://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=lang_pt&id=ELTO-zqeaN0C&oi=fnd&pg=PA145&dq=%22Batalha%22+%22A+Historiografia+da+Classe+Oper%C3%A1ria+no+Brasil:+...%22+&ots=_dCgsgfnut&sig=LAIzy5LkiKYwu15jb7bOSL7NGP8#PPA91,M1



Edgar Rodrigues, pseudônimo de Antônio Francisco Correia, (1921-) nasceu
em Angeiras, Portugal. Filho de militante anarco-sindicalista, fugiu da
ditadura salazarista, chegando ao Rio de Janeiro em 1951. Construtor civil
de formação, dedicou-se a pesquisa sobre as idéias e as experiências
anarquistas no Brasil e em vários outros países. Foi um dos fundadores do
Centro de Estudos Professor José Oiticica, do qual participou ativamente,
até ser fechado pela repressão em 1969. Fundou a Editora Mundo Livre, fez
parte do Grupo Libertário Fábio Luz, escreveu em vários jornais. Entre
1976 e 1985 publicou sete livros em Portugal, totalizando 15 obras de
propaganda anarquista em países da América Latina e Europa. Publicou
inúmeros artigos em revistas e jornais do Brasil e de Portugal. Durante
sua vida teve como amigos, ilustres militantes anarquistas, tais como:
José Oiticica, Pedro Catalo, Diamantino Augusto, Edgard Leuenroth, João
Perdigão Gutierrez, Manuel Marques Bastos, entre outros. Foi disseminador
das idéias anarquistas no Brasil e em outros países da América Latina,
escreveu seguidamente contra o salazarismo e o franquismo e foi
pesquisador obstinado da memória anarquista em nosso país. Reuniu especial
acervo de história social com ênfase no movimento operário e sindical e
sobre o ideário anarquista que possibilitou assinasse obras fundamentais
para estes temas, tais como: Socialismo e Sindicalismo no Brasil (1969),
Nacionalismo e Cultura Social (1972), Novos Rumos (1972), Alvorada
Operária (1979) e Anarquistas: Trabalhadores Italianos no Brasil (1989),
Os Companheiros (1994), além de mais de 40 títulos publicados em língua
portuguesa. (Fonte: Arquivo Edgard Leuenroth, UNICAMP)



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O QUE DELE DISSE MANUEL BAPTISTA:



ANARQUISMO NA BIBLIOTECA-MUSEU DA REPUBLICA E RESISTENCIA

"Edgar Rodrigues - Pesquisador Libertário da História Social de Portugal e
do Brasil"  - 23 de Abril de 2002

Conferência-debate em torno do Anarquismo e Movimentos Sociais na Obra de
Edgar Rodrigues (*)



A sessão, muito concorrida, iniciou-se com a projecção de um video
realizado por uma companheira historiadora, Rute, usando para cima de nove
horas de entrevista videogravada com o autor, Edgar Rodrigues, dos quais
fez um pequeno vídeo com cerca de 40 min.

Os assuntos versavam sobre elementos da biografia do Autor, desde as
circunstâncias da sua vinda para o Brasil, o seu encontro com Oiticica, o
grupo "Ação Directa" e Edgar Leuenroth, até ao esforço continuado para se
instruir, se documentar, tudo isso em paralelo com o seu trabalho na
construção civil. Outras passagens do vídeo permitem-nos compreender o que
Edgar entende por Anarquismo, defendendo uma visão marcadamente social do
mesmo ao dizer que " a resolução do problema social resolve o problema de
todas as restantes desigualdades". Edgar defende o anarquismo operário;
recorda que este emergiu da obra de alfabetização dentro dos sindicatos,
fazendo da cada operário-anarquista um filósofo-autodidacta. Enfatiza a
importância de cada activista ter a sua biblioteca própria e de estudar a
sério todas as questões relacionadas com a teoria e as experiências de
lutas.



Aborda criticamente o anarquismo dos intelectuais. Refere temas como o
patriotismo ou ainda o sentir (o que será a base da análise) quanto esta
sociedade deforma o ser humano.Seguiu-se uma charla em que José Maria
Carvalho Ferreira, em nome da

Associação cultural "A Vida" (editora da revista "Utopia"), fez as
apresentações dos elementos convidados e explicou o programa das
conferências agendadas (Lisboa e Porto). João Freire (director de "A
Ideia" e um dos responsáveis da edição de várias obras de Edgar Rodrigues
em Portugal, com a defunta cooperativa "Sementeira") disse algumas
palavras de contextualização da obra e intervenção de Edgar Rodrigues no
movimento de resistência ao fascismo em Portugal; o seu significado
enquanto uma da poucas vozes libertárias que estava em condições de
denunciar o Portugal de Salazar, além do inestimável valor da sua pesquisa
enquanto historiador do movimento social.

Nelson Tangerini (jornalista carioca que, entre outras publicações,
escreve na "Letralivre" e n'"A Batalha") referiu o caso bastante recente e
miserável de discriminação, do silenciamento sistemático da obra de Edgar
Rodrigues quer pelos média quer pelo próprio sindicato dos escritores ao
qual Edgar pertence, mas cuja revista ignora as publicações, não referindo
sequer novas obras na sua revista (ao contrário do que acontece com outros
autores). Nelson considera que se trata de um caso típico de censura dos
burocratas marxistas, que se coligam para fazer a "lei do silêncio" em
torno de vozes e autores incómodos (para eles, burocratas) como Edgar
Rodrigues, visto este ser simultaneamente alguém de origem operária,
anarquista e com grande obra de pesquisa e divulgação, a qual põe a nu a
falsificação permanente da História que é levada a cabo pela maior parte
das correntes marxistas.



Nos restantes momentos de perguntas dirigidas ao Autor homenageado, Edgar
deu-me a impressão de alguém cheio de humanismo, não imbuído de sua
própria pessoa, muito preocupado com o anarquismo enquanto ética.



M.B.

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O COLETIVO LIBERTÁRIO
Lembre Sempre:
ANARKIA NÃO É BAGUNÇA!

CONTRA O EXPURGO DE EDGAR RODRIGUES DO 'CIRCULO ALFA'!
PELA DEVOLUÇÃO DE SEU ARQUIVO PESSOAL!
CONTRA A EXPROPRIAÇÃO DA MEMÓRIA E ARQUIVOS DO MLB!
VIVA EDGAR RODRIGUES!
VIVA O MOVIMENTO LIBERTARIO BRASILEIRO!

E-mail:
cldvulg1985(at)yahoo.com.br

Blog:
http://www.grupos.com.br/blog/ocoletivolibertario






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