(pt) [Madrid] Não mais sangue por petróleo*

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Segunda-Feira, 9 de Junho de 2008 - 23:16:04 CEST


[de pt.indymedia.org]
A indústria petroleira encontra-se em Madri mostrando o seu rosto mais
amável ante a opinião pública mundial, lembrando-nos da nossa sede de
energia barata e ilimitada, e misturando isso com as batidas palavras
como: “responsabilidade social”, “sustentável”, “ética” e “meio ambiente”.

As petroleiras querem impor esta mensagem: sem a nossa atividade (ou
negócio mesmo) não há qualidade de vida.
Mais de um terço do consumo energético apóia-se no petróleo (a metade é
destinada ao
transporte) e uma quarta parte depende do gás. Ambos os recursos são
não-renováveis e estão controlados, em boa parte, pelas mesmas empresas. A
enorme dependência destes combustíveis cria gravíssimos problemas:

- Acelera o empobrecimento da maioria da população do Sul, afogada pelos
preços impagáveis dos alimentos e dos serviços básicos.

- Rege a política internacional até o ponto de provocar guerras nas
regiões onde ficam as jazidas, como Iraque e todo o Oriente Médio, que tem
mais de 60% das reservas de petróleo conhecidas e os 40% do gás. E também
como na Nigéria, o maior produtor da África, claro exemplo de como a
disposição de recursos cobiçados pode transformar-se em maldição para seus
povos.

- Provoca dramáticos deslocamentos de populações, devido ao espólio e à
violência estrutural introduzidos nas áreas de exploração petroleira.

- É a principal causa das mudanças climáticas pelas suas emissões de CO2
(34% de todos os gases de efeito estufa são procedentes do petróleo e do
gás). Provoca a contaminação continuada de mares e costas em todo o
planeta, pelo transporte constante de oleo cru. Além disso, o
processamento do petróleo nas refinarias é um risco para a saúde e a
seguridade da população ao seu redor, também é a causa das mortes dos
acidentes de tráfego.

Somos conscientes da atual dependência do petróleo, mas a indiferença ante
a necessidade urgente de uma mudança no modelo político, econômico e
social, e o silêncio ante os crimes e roubos cometidos constantemente
pelas maiores empresas petroleiras do mundo, nos fazem cúmplices da atual
crise onde suas políticas, têm consumido ao planeta e aos seus povos.

Arrastado por uma economia capitalista e mundializada, o consumo
energético está aumentando tanto nos países ricos (desenvolvidos) quanto
nos pobres (subdesenvolvidos), que têm um consumo por habitante muito
menor. Enquanto isso, a indústria petroleira pega os benefícios da tirania
que tem sido imposta. Enriquecidas como nunca pelos preços recordes do
oleo cru, estão se preparando para continuar furando o subsolo em áreas
que até hoje estavam salvas, porque era custoso demais, como está fazendo
a Repsol YPF nas profundidades do Mar de Alboran no litoral entre o
Marrocos e as ilhas Canárias.

As petroleiras se encontram em Madri para vender-nos a idéia de que as
obrigações ambientais e os direitos das populações são secundários ante a
necessidade de extrair oleo cru.
Elas sabem que contam com a cumplicidade dos governantes, já que sempre
têm-se ocupado de manter estreitos canais de influência. Talvez seu maior
sucesso tem sido com o governo Bush, mas os exemplos estão por todos os
lados. Recentemente, os governos da UE, têm pactuado com alguns países
latino-americanos para protegerem inversões privadas com todo o poder dos
seus estados.

A indústria do petróleo tem realizado longas campanhas de manipulação da
opinião pública a serviço dos seus interesses. Seu império econômico
permite um acesso sem limites a mídia e a oportuna “promoção” de expertos,
ou a censura de noticias que sejam necessárias. É o caso das vigorosas
campanhas para negar as mudanças climáticas, enquanto as empresas procuram
desacreditar na gravidade do problema ou na utilidade da redução das
emissões de gases de efeito estufa, enquanto a realidade já não pode
ocultar-se.

O longo braço petroleiro pode virar um puno de ferro quando acha oposição.
As comunidades indígenas, os povos camponeses, os trabalhadores das
petroleiras e os moradores perto dos poços, oleodutos e refinarias
conhecem isto. Muitos deles sofrem detenções arbitrárias, agressões,
assassinatos e ataques dos exércitos e grupos paramilitares.

É evidente que não há sustentabilidade nem futuro no petróleo, que tem
fisgado ao mundo num labirinto de problemas sociais, políticos e
ambientais de primera magnitude. Apenas sairemos dele se os países ricos
assumirem sua responsabilidade histórica como os principais consumidores
dos recursos energéticos, e assim reduzir o gasto de petróleo (e
conseqüentemente de transporte) e mudarem as fontes de energia
verdadeiramente limpas e renováveis.
Nada disto é possível sem uma transformação social que rechace a
maximização do benefício individual baseado na exploração do ser humano e
da natureza.
Ao contrario do que diz, a indústria petroleira não é, e nem pode ser
parte desta transição. Não aceitará reduzir seus benefícios e não mudará
seus jeitos sem não se vir forçada a isto. Por isso:

- Reivindicamos o respeito à soberania dos povos sobre o seu território e
os seus recursos.

- Lutamos pelo respeito aos direitos dos povos a vetar a exploração
petroleira.

- Rechaçamos a manipulação da opinião pública e a “lavação de cara” das
empresas: a extração do petróleo não é nem pode ser “sustentável”.

- Denunciamos os governos que falam sobre a seguridade energética para
avalar qualquer projeto de extração do petróleo e do gás.

- Reclamamos modelos energéticos fundamentados na poupança, na eficiência
e as renováveis, em harmonia com o entorno e solidários com os povos.

- Nos opomos à celebração deste Congresso Mundial do Petróleo e à
hipocrisia das empresas e dos governos que o apóiam ao mesmo tempo que
declaram agir contra as mudanças climáticas.
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NÃO MAIS SANGUE POR PETRÓLEO
www.nomassangreporpetroleo.org





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