(pt) [Grécia] Apesar da aparente trégua, os protestos con tinuam

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Quinta-Feira, 25 de Dezembro de 2008 - 09:57:32 CET


Nesta terça-feira (23), milhares de estudantes e ocupantes de entidades
universitárias saíram às ruas de Atenas, na terceira semana de protestos.
No início da manifestação, em frente à reitoria da Universidade de Atenas,
manifestantes tombaram um carro da polícia. Perto do Parlamento, os
manifestantes atearam fogo em uma máscara que representava a cabeça de um
porco, com um chapéu policial, gritando palavras de ordem como "policiais,
porcos, assassinos" e "abaixo o governo do novo terrorismo", muitos
empunhavam bandeiras pretas e vermelhas.

Na madrugada, um homem não-identificado atirou contra um ônibus que levava
19 policiais da brigadas antidistúrbios e estava parado no sinal vermelho,
no bairro de Gudi, diante de um campus universitário. Duas balas atingiram
o ônibus, furando um pneu, mas ninguém se feriu. A polícia investiga o
caso. Manifestantes acreditam que tudo não passa de armação policial ou
direitista para incriminar os universitários ocupantes.

No bairro de Nea Filadélfia (Atenas), uma passeata aconteceu no final da
tarde, organizada pelo Centro Cultural Ocupado do bairro. Diversos lemas
foram pichados nas paredes, janelas de bancos e algumas câmeras de
vigilância foram quebradas. A marcha foi seguida por um numeroso
contingente policial. Quando o protesto alcançou a delegacia local, mais
policiais apareceram. Os manifestantes reagiram jogando tinta, pedras,
ovos e laranjas contra as forças da ordem, que responderam com bombas de
efeito moral e gás lacrimogêneo. Os residentes e transeuntes do bairro
pediam para os policiais irem embora do local. Após o protesto, os
manifestantes organizaram uma assembléia para decidir mais ações.

Em Serres, uma faixa enorme foi erguida de noite na Acrópoles da cidade,
em que estava escrito: "Não os deixe humilhá-los, resista!. Liberdade para
todos os detidos já!".

Ontem, em assembléia, os estudantes do ensino médio deram por encerrado o
primeiro ciclo de protestos pela morte de Alexis a tiros pela polícia, a
violência policial, contra o sistema de ensino, e contra os reduzidos
fundos estatais para o setor, e decidiram retomar as manifestações no
próximo dia 9 de janeiro.

Durante assembléia de ontem (23) e conversas sobre o futuro da ocupação da
Universidade Politécnica, havia rumores que a Tropa de Choque poderia
invadir e esvaziar o campus a qualquer instante. Embora os ocupantes já
tivessem decidido acabar a ocupação, esta ameaça da polícia os fizeram
mudar de idéia. Muitas pessoas chegaram à universidade para defendê-los, e
apesar de que a polícia realizasse rondas em torno da universidade, não
fizeram nenhum movimento mais brusco.

Na assembléia, os ocupantes explicaram que os policiais não irão tomar
conta da universidade, e que a última palavra de quando a ocupação acabará
será dos manifestantes. “Acabará quando os ocupantes decidirem e as
ameaças dos policiais somente nos fazem mais fortes e mais zangados!”.

Já a assembléia dos ocupantes da Faculdade de Direito decidiu que a
ocupação da escola acabou. Contudo, um número de ocupantes não concordou
com a decisão e querem permanecer no edifício.

Novas assembléias vão acontecer hoje (24) para decidir se as ocupações, de
quase 100 faculdades, continuam ou chegam ao fim.

O fim das ocupações dos departamentos universitários não quer dizer o fim
dos protestos, mas o cansaço é inevitável e grande, depois de dias de
mobilizações, atos, confrontos, pessoas presas, feridas...

Hoje (24) pela manhã, na cidade de Volos, uma rádio municipal e os
escritórios do jornal  "Thessalia", foram ocupados. Na rádio, ocupado por
30 minutos, foram lidos textos que pediam a libertação das pessoas presas
durante os protestos.

Ontem (23), nessa mesma cidade, Volos, num teatro local, um espetáculo
teatral foi interrompido, e em seguida sucedeu a leitura de cartas que
reivindicavam a libertação de todos os detidos, sem cargas.

No bairro de Alimos, pela manhã de hoje (24), o Centro Cultual Municipal
foi ocupado. O equipamento de som foi re-apropriado e lidas várias
decisões da Iniciativa Cidadã do bairro: liberdade para todos os detidos;
que se retirem as armas dos policiais; que retirem a lei antiterrorista.

Ainda hoje (24) acontecerá em Atenas manifestações de solidariedade com os
prisioneiros em frente aos tribunais para pedir a libertação dos
apreendidos. Há uma batalha para libertar os mais de 200 detidos, e esse
número pode ser bem maior, já que é difícil obter números exatos sobre os
detidos e presos em todo o país.

agência de notícias anarquistas-ana




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