(pt) Desde a Grécia: Convocação para uma nova internacional

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Quinta-Feira, 25 de Dezembro de 2008 - 09:56:26 CET


Os políticos e jornalistas ridicularizam nosso movimento, tratando de
impor a ele a sua própria carência de racionalidade. Segundo eles, nos
rebelamos porque nosso governo é corrupto, ou porque gostaríamos de ter
acesso a mais dinheiro, mais emprego.
Arrasamos os bancos porque reconhecemos o dinheiro como causa central de
nossas aflições, se quebramos as luzes das vitrines não é porque a vida
seja cara senão porque a mercadoria nos impede de viver a qualquer preço.
Se atacamos a escória policial, não é só em vingança por nossos
companheiros mortos senão porque entre este mundo e o que desejamos,
sempre se supõe existir um obstáculo.
Sabemos que é chegado o momento de pensar estrategicamente. Neste momento
tão importante sabemos que a condição indispensável de uma insurreição
vitoriosa é que ela se estenda, ao menos, em nível europeu. Nos últimos
anos temos visto e temos aprendido: as contra-cúpulas pelo mundo, os
distúrbios estudantis e nos subúrbios da França, o movimento anti-TAV na
Itália, a Comuna de Oaxaca, os distúrbios de Montreal, a agressiva defesa
do Ungdomshuset em Copenhague, os distúrbios contra a Convenção Nacional
Republicana nos Estados Unidos, e a lista continua.
Nascidos na catástrofe, somos os filhos de una crise global: política,
social, econômica e ecológica. Sabemos que este mundo é um caldeirão sem
saída. Há que se estar louco para agarrar-se a suas ruínas. Deve ser
concertado para auto organizar-se.
Há uma obviedade na recusa total aos partidos e organizações políticas;
são parte do velho mundo. Somos os filhos malcriados desta sociedade e não
queremos nada dela. Esse é o pecado que nunca nos perdoarão. Atrás das
máscaras negras, somos vossos filhos. E estamos nos organizando.
Não nos esforçaríamos tanto em destruir o material deste mundo, seus
bancos, seus supermercados, suas delegacias, se não soubéssemos que ao
mesmo tempo socávamos sua metafísica, seus ideais, suas idéias e sua
lógica.
Os meios de comunicação descreveram todo o ocorrido nas semanas passadas
como uma expressão de niilismo. O que não entendem é que no processo de
assalto e assédio a sua realidade, temos experimentado uma forma de
comunidade superior, de divisão, uma forma superior de organização alegre
e espontânea que estabelece a base de um mundo distinto.
Qualquer um poderia dizer que nossa revolta encontra seu próprio fim na
medida em que se limita a destruição. Isto seria certo no caso de que
junto aos enfrentamentos nas ruas, não houvéssemos estabelecido a
necessária organização que requer um movimento a longo prazo: cantinas
providas por saques regulares, enfermarias para curar aos nossos feridos,
os meios para imprimir nossos próprios jornais, nossa própria rádio. A
medida que liberamos território do império do Estado e sua polícia,
devemos ocupá-lo, preenchê-lo e transformar seus usos de maneira que
sirvam ao movimento. Deste modo, o movimento nunca para de crescer
Por toda Europa, os governos tremem. Asseguramos que o que mais temem não
é que se reproduzam os distúrbios locais senão a possibilidade real de que
a juventude ocidental encontre suas causas comuns e se levante como uma só
para dar a esta sociedade seu golpe final.
Esta convocação vai dirigida a todos que queiram escutá-la:
Desde Berlim a Madri, de Londres a Tarnac, tudo é possível.
A solidariedade deve transformar-se em cumplicidade. Os enfrentamentos
devem expandir-se. Devem declarar-se as comunas.
Desta forma, a situação nunca retornará a normalidade. Desta maneira as
idéias e práticas que nos unem serão laços reais.
Deste modo seremos ingovernáveis.
Uma saudação revolucionária aos companheiros de todo o mundo. Aos detidos,
os libertaremos!
Tradução > Juvei
agência de notícias anarquistas-ana




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