(pt) Geórgia: Rasto de morte, na estrada do gás e do ouro negro [it , en]

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Quarta-Feira, 13 de Agosto de 2008 - 12:05:16 CEST


Federazione dei Comunisti Anarchici – FdCA

A guerra entre a Geórgia e a Rússia na rota da seda do século XXI

Mikhail Saakashvili e seu Movimento Nacional direitista foram empossados na
Geórgia na onda da "revolução cor-de-rosa" em 2004. Nestes últimos quarto
anos a Geórgia reforçou os seus laços com a NATO e com a UE, mas teve que
aguentar um embargo pesado, de exportações de seus bens para a Rússia, a
qual promove as duas regiões separatistas da Abcásia e da Ossétia do Sul,
ambas efectivamente fora do controlo georgiano.

Saakashvili, como presidente, não cumpriu as suas promessas. Pelo menos um
terço da população da Geórgia vive abaixo da linha de pobreza; o desemprego
oficial é de 16%, mas é muito mais elevado, na realidade; a pensão mensal é
de 16 €. A presente legislação laboral permite que os patrões despeçam os
trabalhadores sem justa causa. O descontentamento popular explodiu no
momento das últimas eleições presidenciais, convocadas após enormes
manifestações em Novembro de 2007: a pobreza estava a crescer na mesma taxa
do crescimento económico.  Saakashvili obteve um segundo mandato, mas para o
conseguir, foi forçado a reprimir dezenas de milhares de manifestantes na
capital, Tbilisi, que protestavam contra as fraudes eleitorais, corrupção,
autoritarismo e desastre económico.

Mas, que importa isso?! O controlo estratégico da Geórgia vale muito mais do
que o estado no qual a sua população é obrigada a viver. Por outro lado, a
autonomia de facto, garantida pela Rússia, à Ossétia do Sul, é uma
preocupação não desprezível para os interesses dos EUA e da EU na área. A
entrada da Geórgia na NATO iria justificar a presença militar internacional
com o objectivo de proteger e controlar dois imensamente importantes
corredores estratégicos para o Ocidente: o famoso gasoduto
Baku-Tbilisi-Cehyan (BTC) que trás o gás do Mar Cáspio para o Mediterrâneo e
o gasoduto Baku-Tbilisi-Erzerum que trás o gás cáspio para a Turquia, onde
está previsto que se una com o TIG ("Nabucco") o gasoduto que irá ligar a
Turquia com a Grécia e com a Itália. Ambos estes passam muito próximos da
fronteira sul da Rússia e na vizinhança da Ossétia. Certamente, a Rússia (e
a Gazprom) não ficarão, olhando, sentadas e sem fazer nada! Enquanto houver
tensão no Cáucaso, não haverá lugar para a NATO e a Europa será forçada a
negociar com a Rússia, se quiser o petróleo e o gás do Cáspio.


O ministro dos negócios estrangeiros de Itália está preocupado de que o
conflito alastre para a Abcásia
 mas, de facto, os seus receios são mais por
causa dos interesses da ENI (que possui 5% de participação no BTC) e da
Edison (BTE), estando já a oferecer o envio de uma missão "de manutenção da
paz" para o Cáucaso com base num mandato europeu.

Ao longo desta rota da seda do século XXI, as vidas dos 70 mil habitantes da
Ossétia do Sul (à qual se nega a independência, ao contrário do Kossovo) de
nada valem; tal como as vidas da população da Geórgia – dois povos
aparentemente divididos por conflitos étnicos, mas na realidade reféns do
conflito inter-imperialista pelo controlo de matérias-primas e corredores
estratégicos.

Não haverá paz nem estabilidade no Cáucaso enquanto os povos não obtiverem a
plena autonomia e autodeterminação para seu próprio destino, cooperando
entre si a produção e transporte de matérias-primas, contra os ditadores e
as classes governantes locais, contra todas as formas de nacionalismo,
contra todos os imperialismos e contra o capitalismo.

Cessar-fogo permanente. Solidariedade internacional com os trabalhadores no
Cáucaso.


*Federazione dei Comunisti Anarchici*
12 de Agosto de 2008

(de Anarkismo.net)

-- 
Colectivo Anti-Autoritário e Anti-Capitalista
de Luta de Classes, baseado em Portugal
www.luta-social.org


More information about the A-infos-pt mailing list