(pt) ENCONTRO PRÓ-FEDERAÇÃO ANARQUISTA DE SÃO PAULO 26 e 27 de j ulho de 2008

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Quarta-Feira, 6 de Agosto de 2008 - 02:08:41 CEST


Por nucleo pró - FASP da Capital. 05/08/2008
Com muito otimismo, o Núcleo Pró-FASP da capital realizou seu:

1º ENCONTRO PRÓ-FEDERAÇÃO ANARQUISTA DE SÃO PAULO

Foram mais de 150 solicitações de inscrição: pessoas de 28 cidades do
estado de São Paulo e de 7 outros estados. Compareceram e participaram 75
inscritos, mais 3 que não quiseram ou se negaram a se inscrever. Ao todo
foram 78 participantes mais os 3 organizadores e 2 militantes da FARJ.
Totalizam assim 83 as pessoas que fizeram parte do encontro. Destes, havia
pessoas de 18 cidades do Estado de São Paulo: São Paulo, São Jose dos
Campos, Rio Grande da Serra, Santos, Piracicaba, Ribeirão Preto, São
Caetano do Sul, São Carlos, Diadema, Ferraz de Vasconcelos, Santo André,
Sorocaba, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Campinas, Osasco, Americana,
Anhanguera; e 7 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceara, Paraná,
Distrito Federal, Goiás e Espírito Santo.

O encontro foi excelente, conseguindo cumprir todos seus objetivos de
iniciar as discussões para a formação de uma organização especifista
anarquista no estado de São Paulo - a FASP. As exposições e os debates
caminharam bem, assim como os encaminhamentos.

Abaixo, um relato das exposições e debates ocorridos, mais uma pesquisa
com o perfil dos participantes e alguns de seus depoimentos. Colocamos
abaixo, também, o Manifesto Pró-FASP e a Carta de Apresentação do
Encontro.


* * *

Foi distribuído na entrada do Encontro um KIT aos 83 participantes
contendo a Carta de Apresentação do Encontro, as pautas, o Manifesto
Pró-FASP, o boletim n° 02 do Centro de Cultura Social Antonio Martinez
(CCS-AM), uma entrevista com a Federação Anarquista do Rio de Janeiro
(FARJ) e um Libera que é o boletim oficial da FARJ.

Foi realizada a abertura com a leitura da Carta de Apresentação e feita a
apresentação do Núcleo Pró-FASP da capital.

A FARJ foi presenteada pelo Núcleo Pró-FASP da capital, com cartazes das
comunas do MST, jornal do MST e com um produto das Cooperativas da Reforma
Agrária que os trabalhadores Rurais Sem Terra, conquistaram na LUTA!


PRIMEIRA PAUTA: FARJ CONTRIBUINDO COM O DEBATE PRÓ-FASP

A apresentação da primeira pauta foi feita pelos convidados do Núcleo
Pró-FASP: a FARJ.

A FARJ iniciou sua exposição com um breve histórico 'de onde saiu a FARJ',
passando pela militância de Ideal Peres, CEL, CELIP, até a fundação da
FARJ.

Foi dito sobre o ANARQUISMO SOCIAL E BUSCA DA RETOMADA DO VETOR SOCIAL do
anarquismo. O que é anarquismo, justificando-o como uma ideologia que
surge no seio da luta de classes do século XIX e que busca se formar a
partir das aspirações dos trabalhadores da época. Pontuando que enxergam a
ideologia como algo que nasce da prática do movimento operário daquele
momento e, a partir de Proudhon começa a tomar forma e se consolida em
Bakunin. Desenvolvem a interpretação de perda do vetor social,
justificando para esta perda o contexto social da época (do inicio do
século XX até a década de 1930) e o contexto do próprio anarquismo: a
mistura dos âmbitos social e político e a conseqüente falta de
organizações específicas de anarquistas.

Foi falado da importância da ORGANIZAÇÃO POLÍTICA ANARQUISTA. Sobre a
concepção da organização específica anarquista, conceito, trabalho como
minoria ativa, etc.

Foi explicado qual é a função desta organização, que é a atuação nos
movimentos como agente catalisador da mudança. Explicado como a
organização constitui uma força social dentro dos movimentos sociais para
afastar as ameaças (burocracia, partidos, etc.). Além disso, foi tratado
dos princípios que a FARJ tem hoje repensando como eles interagem com
outros princípios que este modelo (especifista) de organização preconiza
(unidade teórica e ideológica / unidade estratégica e tática, além da
responsabilidade e autodisciplina).

Foi tratado das funções da organização: produção e reprodução de teoria /
ideologia; promoção do trabalho e inserção social (com a criação e a
interação com os movimentos sociais); e descrição do seu funcionamento
interno, em linhas gerais (com círculos concêntricos, etc).

Foi falado dos trabalhos com as publicações ideológicas (com função
política e social), criação/desenvolvimento de espaços públicos e
atividades culturais; e como isso contribui taticamente com a estratégia.

Foi falado da NECESSIDADE DE ESTRATÉGIA, TÁTICA E PROGRAMA. Desenvolveram
o conceito de estratégia, tática e programa. Explicaram como isso se dá na
prática, como isso funciona na organização específica e como isso interage
com os movimentos sociais.

Foi falado das RELAÇÕES DA ORGANIZAÇÃO ESPECÍFICA ANARQUISTA COM OS
MOVIMENTOS SOCIAIS. Desenvolvendo o assunto das relações entre a
organização anarquista e os movimentos sociais, em seguida como pensam que
para caminhar no sentido da revolução social, o caminho é a organização
popular com o objetivo de constituir uma força social do povo que possa
fazer frente ao capitalismo. Trataram do porque acreditam que a mudança só
pode acontecer com o concurso dos movimentos sociais. Além disso,
desenvolveram como esses movimentos devem funcionar (ação direta,
democracia direta, combatividade, autonomia, etc.), colocando que estes
não devem caber dentro de uma ideologia, mesmo que a anarquista.

Foi colocada a diferença entre minoria ativa e vanguarda, dos níveis de
atuação, as diferenças com o leninismo, a necessidade mútua entre político
e social (como um desenvolve o outro e vice-versa), o que se trata no
político e o que se trata no social, como funcionam os círculos
concêntricos, etc.

Finalmente, foi visto como a interação a organização política com os
movimentos sociais pode funcionar como tática para a estratégia que
buscamos desenvolver.

Foram dados exemplos práticos e contado toda a experiência atual no Rio de
Janeiro detalhando um pouco o que a FARJ teve ou tem hoje de experiências
práticas: CELIP, Petroleiros, Biblioteca Social Fábio Luz, padaria
comunitária, Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro e atividades
comunitárias, trabalho com as ocupações urbanas, Frente Internacionalista
dos Sem Teto, Movimento dos Trabalhadores Desempregados, Núcleo de
Pesquisa Marques da Costa, Núcleo Germinal e atividades agroecológicas,
atividades no campo cultural: simpósios, colóquios, pedagogia, etc., e
publicações como Libera, Protesta e livros.

Assim a FARJ contribuiu com o debate do Núcleo Pró-FASP da capital!
Agradecemos os companheiros Rafael V. e Gabriel.


SEGUNDA PAUTA: POR QUE INSERÇÃO SOCIAL?

A segunda pauta foi apresentada pelo Núcleo Pró-FASP da capital.

Foram apresentados os temas:

CONCEITO DE INSERÇÃO SOCIAL. Poderíamos dizer que inserção social, é a
participação ativa nos movimentos sociais.


E POR QUE INSERÇÃO SOCIAL?

Visto que alguns companheiros não entenderam a orientação tática da
inserção social, acreditamos ser importante aprofundar o tema. Por
exemplo, há companheiros que nos dizem que já têm inserção social porque
são membros da sociedade ou porque participam de um grupo 'X'.

O que estamos dizendo é que isto não é inserção social. Ser membro de uma
sociedade de classes significa aceitá-la ou lutar contra ela. Portanto,
não entendemos a sociedade como algo homogêneo ou uniforme, mas sim uma
sociedade dividida em classes. Portanto, quando pensamos em lutar e
pensamos em transformar a sociedade de classes, temos que falar em
inserção social. A inserção social traz obrigatoriamente a discussão de
classe para o anarquismo e a partir deste conceito se pensa que a atuação
em movimentos sociais deve buscar 'devolver o anarquismo ao povo pobre'.
Ou seja, para nós é imprescindível que o anarquismo tenha contato com os
meios populares em que a luta de classes é mais evidente. Isso não
significa afirmar que pretendemos transformar cada pessoa em anarquista,
significa, igualmente, devolver a pratica da ação direta, autogestão dos
meios de produção, ajuda mutua/solidariedade de classe, que lhes foram
outrora roubadas.

Um grupo 'X' não tem inserção social quando não desenvolve suas atividades
junto à classe que é oprimida e explorada, e que está em luta!


POR QUE TÁTICA?

Visto que a tática é condicionada dentro de uma estratégia anarquista, e
entendendo o que é o processo revolucionário, nos orientamos taticamente
pela inserção social em VÁRIOS NÍVEIS e FRENTES.

Foi debatido O QUE SÃO AS FRENTES DE INSERÇÃO SOCIAL. Elas são a
denominação do lugar onde se está inserido, e que pode ser representada
pelo sujeito social, como juventude libertária aos estudantes, sem terra
aos camponeses, indígena para quem é ou desenvolve trabalhos com os povos
originários. Pode também representar o nome de uma frente como o
sindicalismo para o trabalho junto aos trabalhadores ou movimento
comunitário para designar as ações com moradores de uma determinada
comunidade. No entanto, o Núcleo não tem nada ainda estabelecido sobre
isso.

Foi debatido POR QUE FRENTES DE INSERÇÃO SOCIAL. Entendemos que não
estamos mais no inicio do século XX que o sindicalismo era a única
expressão da luta de classes e que hoje esta se encontra em muitas
frentes. Não nos opomos ao sindicalismo revolucionário, mas acreditamos
que devemos somar outras lutas a ele. Além disso, não entendemos o
sindicalismo como a defesa abstrata de princípios, como fazem alguns
companheiros, mas um processo que necessita somar as forças em luta e
entender as frentes e os níveis de lutas que se constroem na luta de
classes, separando os níveis social do político e ideológico, dando mais
clareza e definição a cada um deles.

Se hoje uma 'minoria ativa', se orienta por esta prática tática da
inserção social, é porque acreditamos que há muito espaço para nossa
participação ativa nos movimentos sociais, sendo eles um campo fértil para
nossas metodologias libertárias tais como:
- ação direta;
- horizontalidade;
- participação;
- delegação;
- federalismo.

Foi debatido POR QUE NIVEIS DE INSERÇÃO SOCIAL. Para entender os níveis é
necessário entender o processo de transformação social e a construção de
uma força capaz de dar respostas e esta transformação social, através das
conquistas que se dão nas lutas sociais.

Por exemplo:
1*) O nível ideológico: é o nível do debate estratégico onde os
anarquistas traçam seus programas para os níveis e frentes.
2*) O nível jurídico: entendemos que em uma sociedade dita 'de direito' é
uma sociedade que só reconhece entidades jurídicas, por exemplo como
entidade jurídicas no anarquismo de São Paulo temos o CCS-SP ou nos
movimentos sociais, suas entidades de base. Na pratica: é um nível tático
e uma atividade representativa, que pode ser criada como o CCS-AM ou
reivindicada como um sindicato, grêmio, associação de moradores...
3*) O nível social: é o nível das lutas sociais onde, na luta de classes,
o povo amadurece e começa a entender o processo revolucionário. Este é um
nível participativo onde se materializam as ações em um movimento. Pode
ser uma frente ou várias frentes juntas, pode ser criado, como a REDE
PERIFERIA, ou pode receber a participação, em caso de um movimento que já
exista, como o MST. No nosso exemplo: Na frente comunitária, estamos
criando a Rede Periferia, da qual o CCS-AM é um núcleo. Na frente
camponesa criamos a Tendência Filhos de Toda Terra, que atua em apoio ao
MST.
4*) O nível econômico: é o nível da atividade necessária à sobrevivência.
Pode ser desenvolvido na criação de cooperativas ou na resistência do
sindicalismo aos patrões. Na prática, este é o que chamamos de segunda
parte da luta de classes, quando a luta começa a dar seus frutos e começa
a dar certo, como o exemplo o MST, depois que conquista um assentamento, o
povo começa a entender o processo e começa uma nova fase, a econômica, que
vem junto com uma velha proposta anarquista. 'as cooperativas de produção
e consumo' e a coletivização das terras.
5*) O nível segurança: foram, no exemplo da historia do anarquismo, as
milícias da Federação Anarquista Ibérica, a OPR 33 da Federação Anarquista
Uruguaia, e o exército makhnovista da Ucrânia. Na prática histórica, num
processo em que a classe oprimida é explorada e começa a 'construir-se
como força', a classe privilegiada contra-ataca com a sua força, e é
necessário dar respostas para sobreviver.

Foi debatido O QUE É TRABALHO SOCIAL. Este é o trabalho militante
realizado nas frentes, são exemplos, entre outros:
- Organização Social; - Organização econômica; - Formação Política; -
Educação; - Comunicação; - Cultura; entre outras...

Foram apresentadas as atividades que o Núcleo Pró-FASP da capital promove;
como a Tendência Filhos de Toda Terra - MST; o CCS-AM; UNILIVRE JAIME
CUBERO; a Rede Periferia, a Rede de Solidariedade Entre os Povos, e a
escola de arte e ofícios Maria Lacerda de Moura.


TERCEIRA PAUTA: ORGANICIDADE

A terceira pauta também foi apresentada pelo núcleo Pró-FASP da capital,
incluindo o debate sobre história das organizações especificas
anarquistas, solicitado por um dos participantes. Foi debatida a
existência de grupos de afinidade desde a década de 1930 e de grupos que
se decretavam publicamente anarquistas desde a década de 1980, quando
ressurgiu o Centro de Cultura Social e o movimento de reativação da COB.
Em 1990 alastram-se grupos específicos anarquistas por todo o país que
oscilavam entre o especifismo e o sintetismo, e inúmeras tentativas de se
formar federações sintetistas que naufragaram, sendo a ultima em 2000.

Falou-se do nascimento da 1ª OSL em 1996, que simbolizou a 1° federação
especifista a nível nacional.

Em seguida foi debatido, com explicação do método de Bakunin dos círculos
concêntricos, e como a FARJ o utiliza. Para os círculos ideológicos foram
apresentadas as estruturas de militantes apoio, militantes e o processo de
aproximação e entrada de militantes na organização. Para os círculos
sociais, foram apresentas as estruturas de movimentos sociais, agrupamento
de tendência e da organização específica anarquista, explicando como se dá
a influência do anarquismo nos movimentos sociais e como acontecem os
agrupamentos de tendência que não são ideológicos e buscam agrupar os
militantes que defendem posições semelhantes nos movimentos sociais
(perspectiva revolucionária, ação direta, democracia direta, etc.).

Também foi apresentado o federalismo como método e forma de organização
político-ideológica, mostrando como funcionam as instâncias deliberativas
(núcleos, conselhos, congressos) e executivas (secretarias como formação
política, comunicação, articulação). Falou-se também da experiência
histórica com prós e contras do método federativo que, entre outras,
implica no conhecimento dos métodos de participação, horizontalidade,
delegação, método decisório e ética militante.

No momento, temos um Núcleo na capital e pensamos que para formar um ou
mais Núcleos Pró-FASP, sejam necessários 3 militantes que tenham afinidade
com o especifismo e que se proponham em debater programa, princípios,
organicidade e práticas de inserção social, iniciando em sua cidade uma
militância com trabalhos sociais.

Em seguida foi apresentada a proposta do Núcleo Pró-FASP, para a criação
de uma instância de apoio à Pró-FASP.


QUARTA PAUTA: NOVOS ENCONTROS E CONSTITUIÇÃO DO GRUPO DE APOIO

A quarta pauta foi apresentada pelo Núcleo Pró-FASP da capital. Foi
debatido que o Núcleo Pró-FASP da capital se responsabilizaria com os
interessados no interior e no litoral de formar Núcleos Pró-FASP em suas
cidades, e que na medida do possível levaria novos encontros a estas
cidades onde tiver se formando novos núcleos.

Foi decidido então criar um grupo de apoio que cobrisse a região da grande
metrópole e que outras pessoas do interior e litoral poderiam também
participar, até construírem seus próprios núcleos. Foi agendado assim
local, horário e pauta do grupo de apoio. A idéia é continuar as
discussões e, aos poucos ir construindo a FASP. Será um processo longo de
debates, de confronto das idéias com a prática e das práticas com as
idéias. O processo seguirá com calma, porém de maneira consistente.

O encontro contou com uma banca de materiais anarquistas a venda como:
livros, revistas, jornais, dvd's, cd's, boton's, camisetas, entre outros.
Também contou com a venda de lanches trazidos pelos companheiros do
Ativismo ABC.

Que avancem o debate programático e as praticas libertárias!
Pela construção da Pró-FASP!
Que novos encontros aconteçam!

Núcleo Pró-FASP da capital.


* * *

SOBRE O PERFIL DOS PARTICIPANTES

O resultado do perfil dos participantes está colocado a seguir. Não foram
todos os participantes que responderam, portanto, a soma dos números não
tem relação com o total de participantes. Os dados totalizam os
participantes que responderam cada uma das questões.

1) Que não participa de grupo anarquista: 35 participantes
Que participa de grupo anarquista: 20 participantes

Dos que participam de grupos:

M.A.P., CCS-AM, Filhos de Toda Terra, G..R.A.V.I.D.A., Juventude
Libertaria, R.A.V.E., Coletivo Cultural Revolta, S.E.M., Ativismo ABC,
Fenikso Niegra, freqüentadores do CCS-SP, Casa da Lagartixa Preta,
G.R.M.L., C.A.V.E., COBASE, Grupo de Estudos, Gang Punk, Faísca
Publicações, FARJ, A.C.R., G.E.L.C., Organização Resistência Libertaria,
Desarme a PM (Banda e Fanzine), Index Librorum Prohibitorum.

2) Que não participa de nenhum movimento social: 35 Participantes
Que participa de algum movimento social: 15 Participantes

Dos que participam de movimentos:

Fórum Centro Vivo, Sindicato dos Metalúrgicos, Movimento Sindical,
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento de Educação, Grupo
Homossexual Dignidade, APEOESP, Movimento Passe Livre, Movimento
Comunitário, Movimento Negro, Movimento de Mulheres, Movimento Feminista,
Movimento Indígena, Centro de Mídia Independente, Movimento Camponês,
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Movimento Ecológico, Movimento de
Ocupação Urbana, colaboradores do Geenpeace e vegans.

3) Que não conheciam a proposta de organização especifica anarquista: 10
Participantes
Que conhecem a proposta de organização especifica anarquista: 45
Participantes

4) Que não conheciam a diferença entre as propostas de organização
anarquista (especifismo e sintetismo): 20 Participantes
Que conheciam a diferença entre as propostas de organização anarquista
(especifismo e sintetismo): 35 Participantes

5) Que tem identidade com a proposta especifista: 22 participantes

6) Que tem inserção Social: 25 participantes
Que não tem inserção Social: 05 participantes
Que gostariam de ter inserção Social: 20 participantes

Dos que realizam trabalhos militantes:

Mobilização, Educação, Cultura, Comunicação, Formação Política,
Organização de Gênero, e Outros Trabalhos...

7) Que está interessado em montar um Núcleo Pró-FASP ou participar de um:
35 participantes

8) Que ficou sabendo pela Internet: 35 participantes
Que ficou sabendo por amigos: 35 participantes
Que ficou sabendo de outra maneira: 00 participantes

9) Que está interessado em realizar em sua cidade do interior e litoral de
São Paulo um encontro Pró-FASP: 15 participantes

10) Que deixaram um depoimento para o Encontro: 25 participantes

10 Depoimentos selecionados:

«Bom, sou um jovem anarquista muito interessado em ajudar a construir uma
organização libertária que ande ombro a ombro com o movimento social. Com
unidade ideológica, unidade pratica, responsabilidade e autodisciplina.»

«Amigos de São Paulo, com muita alegria vejo o ideal libertário e
anarquista se estabelecer em uma frente que fortalecerá nossas forças
dentro de outras organizações e correntes, minando, aos poucos, as
influencias bolcheviques que há tanto tempo atrapalham a luta pela
emancipação humana através de seus autoritarismo, que leva à
burocratização em que tantos sindicatos se encontram hoje. Pela
horizontalidade, participação direta, e pela construção do federalismo em
nossa sociedade. Viva a FASP.»

«Temos que travar uma luta inexorável pela REFORMA do latifúndio da terra
(fundiário), do latifúndio do saber (acadêmico/eurocêntrico) e do
latifúndio do espectro magnético (midiático)»

«É engraçado que quando comecei a tentar compreender a idéia anarquista,
eu mesmo achava algo impossível, já tinha um pré-conceito antes de
conhecer, mas tendo algumas experiências com alguns militantes de partidos
que dizem lutar pela liberdade e igualdade aqui na minha cidade, que ambas
as visões têm um objetivo de estar no poder, seja qualquer preço, então me
perguntava como estes que falavam que estavam do lado dos oprimidos agiam
de forma preconceituosa e já errônea, já que eles vêm os cidadãos de cima
para baixo. Eu percebi que por mais que fosse utopia para uns, a idéia
libertaria (que não é verdade), realmente ela busca uma forma de mudança
legitima. Após isso me interessei ainda mais a idéia anarquista, mas há
muito a ver e apreender.»

«No momento não participo de nenhum movimento social e nem conheço muito
sobre a Pró-FASP, penso que essa seria uma ótima oportunidade para
conhecer já que será o primeiro encontro. Comecei a me interessar pelo
ideal anarquista e obter informações dentro dos CCS, tenho muito interesse
nesse tipo de assunto, mas como já citei não participo de nenhum movimento
social ou organização e não tenho experiência com organizações. Assim,
penso ser essa uma ótima oportunidade de conhecer e me empenhar neste
ideal.»

«Vejo que a direita e os capitalistas são muito unidos,a maior prova disso
é que nosso governo é de direita. Nós anarquistas e grupos sociais de
esquerda precisamos nos unir,todas as células precisam formar um organismo
vivo e ativo.»

«A todos que aqui participarem: Mantenham sempre a sinceridade em relação
ao ideal anarquista.»

«Fico feliz com a iniciativa de organização deste encontro e espero que a
partir dele possamos ampliar nossa rede, estudos, organização e prática.»

«A organização anarquista deve surgir assim como o anarquismo, através da
necessidade e da afinidade dos indivíduos, funcionando como um catalisador
da revolta gerada pela exploração e manipulação do povo e de suas
organizações populares.»

«Há uma necessidade de nos organizarmos, pois o mundo se encontra submerso
em um mar de alienação sustentada por este sistema cruel racista e
sanguinário, cujo o único sentido está em lucrar sobre o sangue de
inocentes. Vamos nos organizar e lutar.»


11) Que solicitaram alojamento: 25 inscritos
Que usaram o alojamento: 10 participantes

12) Que conhecem nossos convidados da FARJ ou ouviram falar: 25 participantes

13) Que estão participando dos debates por internet de princípios,
organização, programa e práticas de inserção social: 10 participantes

14) Que conhece alguém que tenha afinidade com a proposta: 30 participantes

15) Que fez uma critica construtiva sobre o movimento anarquista de São
Paulo: 30 participantes

10 Críticas selecionadas:

«A total falta de discussão dentro das diferentes propostas de organização
devem ser superadas pela necessidade imediata de inserção nos movimentos
de massa.»

«Que haja mais dialogo e respeito entre os grupos e ou indivíduos.
Respeito a diversidade e opções que cada um faz sobre como cada um prefere
lutar. Não há um só caminho para o anarquismo, mas sim múltiplos, e cada
um se completa.»

«Um movimento que tem tudo para crescer, pois há realmente pessoas
capacitadas. Talvez ainda seja pequeno, mas com um núcleo forte com idéias
grandes, capaz de se desenvolver através de troca de informações.»

«No meu ponto de vista não há 'movimento anarquista' em São Paulo. Há
tentativas de criar um núcleo ou movimento anarquista. Mas todos sem
sucesso.»

«Passamos por muitos problemas, principalmente problemas de ego, e isto
atrapalha muito. Perdemos mais tempo brigando entre nós, do que contra
aqueles que devem ser combatidos. Precisamos criar fóruns de discussões
com mais freqüência.»

«O Movimento Anarquista em São Paulo está praticamente na mão de
movimentos 'político-musicais'. Nada contra punks (só não se pode resumir
anarquismo a isso), e a FOSP (anarco-sindicalista) a meu ver perdeu muito
de sua força e características históricas. Não querendo desmerecer o
trabalho de ninguém, ainda mais eu que não tenho militância alguma mas não
se pode reduzir um movimento que exige inserção social em vários âmbitos
ao sindicalismo, que as vezes cai em propostas reformistas, necessárias
muita vezes porem que acabam se tornando fins e não meios. (Perdão por
ultrapassar o limite de linhas mas não consegui resumir se quiserem cortar
algo vou entender completamente).»

«Bem vejo muita fofoca e pouca solidariedade no movimento, muitas vezes o
meu coletivo (CAVE) e muitos companheiros de luta como por exemplo o
Moésio, foram atacados por pessoas do movimento que nunca nos perguntaram
como se dava a luta aqui na baixada. Esperamos que com este encontro e
outros do tipo isto se resolva, pelo menos entre aqueles de boa vontade.»

«Infelizmente há muita descontinuidade nos trabalhos e organizações
anarquistas em São Paulo desde final dos anos 1980 e muita divisão entre
as correntes e grupos.»

«Assim como em diferentes lugares, a proposta anarquista tem sido
depreciada enquanto viabilidade política de enfrentamento ao Estado e ao
Capital. Aparentemente São Paulo demonstra ser um local de muitas
tendências que divergem quanto as estratégias e táticas para se alcançar
isso (as que tem pelo menos) isso é comum em todos os cantos. Entretanto,
o que não se pode é impedir, associar e enfatizar a falta de
comprometimento daqueles que reivindicaram um anarquismo social,
organizado e comprometido com uma concepção social de transformação.»

«O movimento é composto por vários grupos e indivíduos, que desenvolvem
trabalhos valorosos dentro de suas especificidade, porém acredito que
existe muita falta de respeito e generalizações, principalmente com nós
que somos anarco-punks.»


* * *

MANIFESTO PRÓ-FEDERAÇÃO ANARQUISTA DE SÃO PAULO

A proposta de discutir a possibilidade de construção da Federação
Anarquista de São Paulo (FASP) surgiu a partir de uma analise da
conjuntura dos movimentos sociais e dos grupos que se identificam como
anarquistas.

No Brasil, na maioria, o que temos até o momento são grupos de propaganda
anarquista se articulando com grupos e indivíduos também anarquistas. O
campo de atuação dos grupos anarquistas de São Paulo não difere desta
realidade nacional.

Existe uma minoria ativa que é exceção no contesto nacional atual
(pós-ditadura militar), a qual está retomando as atividades dos
companheiros da primeira metade do século XX, com participação ativa nos
movimentos sociais. (MST, MTST, movimento estudantil, movimentos
comunitários, movimentos étnicos, movimento sindical).

Partindo da iniciativa de militantes anarquistas agindo nos meios sociais
(por dentro), muitas vezes isoladamente, sem uma estrutura orgânica dando
apoio, que surge a proposta de uma organização especifica (anarquista)
federativa. Desde a ?abertura brasileira? os anarquistas se mantiveram no
resgate da memória do movimento e na propaganda. Tudo ligado a pesquisas e
muitas vezes a trabalhos acadêmicos. Queremos contribuir na retomada da
prática junto aos movimentos sociais, que até o momento, em sua grande
maioria, está aparelhado pelas organizações partidárias.

Pensamos que essa referencia histórica (atrasos) e discussão dessa
referencia, não condiz com a realidade. Hoje, nós, enquanto anarquistas,
já temos uma identidade local e não mais como uma idéia trazida pelos
imigrantes europeus no fim do século XIX. Temos nossas próprias
referencias de luta por libertação (quilombos, revoltas indígenas, canudos
...) e de resistência (lutas indígenas na preservação de sua cultura e
território, remanescentes de quilombos, favelas, movimentos de
trabalhadores rurais sem terra, movimento de trabalhadores sem teto).

A proposta de criação da Federação Anarquista de São Paulo (FASP) é
estabelecer de forma organizada a atuação dos anarquistas nesses
movimentos sociais.

Atenciosamente:

NÚCLEO PRÓ-FASP da Capital.


* * *

ENCONTRO PRÓ-FEDERAÇÃO ANARQUISTA DE SÃO PAULO
São Paulo, 26 e 27 de Julho de 2008


Evidentemente, organização significa coordenação de forças
com um objetivo comum, e obrigação de não promover
ações contrárias a este objetivo.
Errico Malatesta


Bom dia a todos!

Primeiramente, nós do Núcleo Pró-Federação Anarquista de São Paulo, ou
FASP, gostaríamos de dar as boas vindas e agradecer a todos e todas que se
inscreveram neste encontro.

Como já deve ser de conhecimento, nossa proposta é abrir a discussão para
a constituição de uma organização anarquista no estado de São Paulo. Ao
lançar a proposta de constituição da FASP, temos em mente um modelo para
esta organização e algumas questões ?de saída? que são consenso entre nós.

O modelo que escolhemos adotar é o modelo conhecido na América Latina como
?especifismo?. Trazido do Uruguai, o termo ?especifismo? refere-se a dois
eixos fundamentais que marcam a atuação anarquista: a organização e a
?inserção social?, baseados em dois conceitos clássicos do anarquismo, que
são:

1. a atuação diferenciada nos níveis político (da organização anarquista)
e social (dos movimentos sociais, sindicatos, etc.) ? conceito de Bakunin.
2. a organização específica anarquista ? conceito de Malatesta.

Os primeiros a utilizar este termo foram os companheiros da Federação
Anarquista Uruguaia (FAU), apesar de se referirem a uma forma de
organização que começou a ser desenvolvida no século XIX por Bakunin e que
foi aprimorada posteriormente por Malatesta, Magón, Durruti, Makhno, FAU,
entre outros. No Brasil Neno Vasco e José Oiticica, Jaime Cubero, Antonio
Martinez e Ideal Peres, por exemplo, defenderam posições semelhantes.

Hoje, este modelo especifista desenvolve-se em oposição ao modelo 'de
síntese' ou 'sintetista', mais conhecido no mundo e adotado por
organizações como a Federação Anarquista da França. No modelo sintetista,
a Federação é uma organização que associa uma série de grupos federados,
com algumas linhas gerais em que se baseiam os acordos desta associação e
com autonomia completa dos grupos dentro da federação. Há múltiplas linhas
teóricas e ideológicas e múltiplas linhas programáticas ou estratégicas. É
um modelo em que cabem todos os tipos de anarquismo:
anarco-individualismo, anarco-comunismo, anarco-sindicalismo, e todos os
outros. O que pretendemos começar a discutir, não é uma organização
sintetista, nestes moldes, mas sim uma organização especifista.

Voltando aos dois eixos da organização especifista, ou seja, organização e
inserção social, podemos dizer que sabemos que eles não são defendidos por
todas as correntes anarquistas. Sabemos que o anarquismo é bastante amplo
e, por isso, abarca diversas concepções, muitas delas contraditórias.

O especifismo defende uma posição clara na polêmica histórica sobre a
questão da organização e da prática anarquista, e é por isso que tem como
seu primeiro eixo a organização. Em primeiro lugar, defende que os
anarquistas devem organizar-se especificamente, como anarquistas, para
então trabalhar com os movimentos sociais. Neste modelo organizacional,
vale a idéia que, para se atuar com eficiência na luta de classes, é
preciso que os anarquistas estejam organizados, no nível político e
ideológico, como um grupo coeso, com discussão política e ideológica
avançada, com uma estratégia bem definida, de forma que isso lhes dê força
suficiente para atuar no âmbito das lutas, dos movimentos sociais.

A organização específica anarquista, que trabalha no âmbito político, atua
no seio da luta de classes, nos movimentos sociais e populares, que
constituem o âmbito social. Neste trabalho, os anarquistas, organizados
como minoria ativa, influenciam-lhes o quanto podem, fazendo-os funcionar
da forma mais libertária e igualitária possível. Organizados como um
agrupamento específico coeso, os anarquistas constituirão uma força social
muito maior e poderão funcionar como um elemento sólido de influência e
persuasão que terá menos chance de ser 'atropelado' por um partido de
esquerda, por autoritários de qualquer estirpe, pela igreja, e outros
indivíduos e grupos que tentam a toda hora usar o movimento social para
seu próprio benefício.

O segundo eixo do anarquismo especifista é a inserção social. A idéia de
inserção social está ligada àquela busca do vetor social perdido pelo
anarquismo, quando este terminou por desligar-se da luta de classes e dos
movimentos sociais. Com o episódio do afastamento dos anarquistas do
movimento sindical no Brasil, ocorrido entre os anos 1920 e 1930, há uma
perda desse vetor social do anarquismo que termina por organizar-se em
centros de cultura, ateneus, escolas etc. A inserção social reforça a
idéia de que os anarquistas devem buscar, além destes aspectos de reforço
da memória e da promoção da cultura libertária, principalmente, ter um
papel relevante na luta dos movimentos sociais e populares.

Muitos têm um pouco de receio com o termo inserção social por associá-lo
ao velho 'entrismo' da esquerda autoritária em movimentos para tentar
aparelhá-los ou fazê-los funcionar em seu próprio benefício. Na realidade
isso não é verdade; este conceito de inserção social dos anarquistas está
ligado tão-somente, à idéia de retorno organizado dos anarquistas à luta
de classes e aos movimentos sociais e uma atuação com ética ? um dos
princípios mais importantes neste modelo de organização. Não em um sentido
vanguardista de lutar pelo movimento, mas defendendo a idéia da minoria
ativa, que luta com o movimento. Neste caso, não há hierarquia e nem
dominação do nível político em relação ao nível social, como querem os
autoritários, mas há complementaridade; o político complementa o social
assim como o social complementa o político.

Há algumas outras idéias que caminham junto com os conceitos apresentados
acima. Por exemplo, a crítica à falta de organização de muitos
anarquistas, propondo, para tanto, essa forma de anarquismo organizado,
norteado pela concepção de organização específica anarquista explicada
anteriormente. Há também uma clara oposição ao anarquismo individualista e
à exacerbação dos egos, propondo uma forma de anarquismo comunista ou
coletivista, que faz da liberdade coletiva seu norte estratégico e que,
sem ela, considera impossível a liberdade individual.

Essa forma de organização opõe-se ao modelo sintetista, por acreditar que
não funciona colocar uma série de indivíduos e organizações sob o
'guarda-chuva' anarquismo, simplesmente realçando uma identidade em torno
da crítica ' pois geralmente só há acordo na crítica do Estado, do
capitalismo, da democracia representativa ' ou mesmo da sociedade futura;
isso porque não há nenhum acordo ou unidade em termos organizacionais ou
nas questões construtivas. Ou seja, não há uma posição clara em torno da
forma de organização adequada, em torno do ?como? atuar. Muitos
anarquistas nem mesmo consideram a organização tão necessária e outros a
acham até autoritária.

No modelo de organização especifista, defende-se a idéia de se trabalhar
com unidade teórica e ideológica e unidade programática (estratégica), o
que facilita enormemente o trabalho, com todos trabalhando no mesmo
sentido. Nesta forma de organização, há também um papel preponderante para
a questão da responsabilidade e do compromisso militante.

Não se trata de trazer uma proposta pronta, mas de algumas linhas
pré-estabelecidas de um projeto de longo prazo que queremos desenvolver
coletivamente. O propósito deste encontro é discutir e agregar pessoas que
tenham interesse em iniciar um trabalho organizacional no sentido colocado
acima e iniciar a construção desta organização em São Paulo.

A partir de então, a proposta será a discussão mais aprofundada sobre os
moldes da organização, a elaboração de uma carta de princípios, a
definição dos espaços de inserção e a apresentação para os novos
companheiros dos trabalhos que já existem no Núcleo, a formulação de uma
linha estratégica, dos conceitos, e a própria fundação da organização.
Consideramos esta, portanto, uma forma de construção coletiva.

Esperamos que aproveitem e que gostem do encontro.

Pelo anarquismo como ferramenta de luta!
Pela organização dos anarquistas!
Pela Federação Anarquista de São Paulo!


Núcleo Pró-FASP da capital


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 URL:: www.nucleos-fasp.blogspot.com





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