(pt) [Málaga] Jornadas internacionais: debate sobre construção de um espaço sindical de debate e luta Europa-Ma grebe

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Sexta-Feira, 28 de Setembro de 2007 - 09:18:07 CEST


DE AMBOS OS LADOS DO MEDITERRÂNEO - SOLIDARIEDADE E LUTA

comunicado da CGT: JORNADAS DE MALAGA

Realizam-se estas jornadas de debate e reflexão para dialogar entre
organizações amigas sobre a possibilidade de entrelaçar as costas Norte e
Sul do Mediterrâneo em torno duma mobilização sindical, vinculada aos
espaços sociais, de claro carácter anti capitalista e horizontal.

A CGT assume a iniciativa de abrir o debate com esta convocatória que
pretende ser um ponto de arranque para o que possa surgir, sem procurar
confrontações com outros espaços, nem esgotar as possibilidades de
colaboração. Tomamos como ponto de partida mais imediato a declaração
conjunta entre o SNAPAP da Algéria e a CGT, de Abril de 2006 (documento
junto)

O nosso objectivo fundamental é o de abrir um debate sobre possibilidades
e compromissos para aproximar as diferentes visões, a partir do
conhecimento mútuo e a confiança gerada ao longo dos últimos anos entre as
nossas organizações.

Tudo isto, num momento em que a Europa do capital se encontra a cada dia
mais instalada, reafirmando os seus princípios neoliberais, após o
fracasso da sua tentativa de constituição europeia e aquando da nova
iniciativa de um mini tratado que condense os elementos mais
liberalizadores na economia e na política, ou seja mais antidemocráticos,
já contidos no projecto de Constituição.

As políticas vindas da Comissão Europeia, não apenas afectam as relações
desiguais e injustas nos fluxos comerciais, exploração e esgotamento dos
recursos dos países do sul do Mediterrâneo, agora a través dos chamados
Acordos Económicos Preferenciais – antes, directamente, com políticas
colonialistas -, ou seja, as suas transnacionais, enquanto fustigam
directamente os povos dos 27 estados da UE.

Os estados de bem-estar – assistencialistas – da margem Norte do
Mediterrâneo desaparecem a marchas forçadas em todas as suas expressões:
saúde, emprego, educação, prestações sociais, liberdades, sem que melhore
a situações na margem Sul.

A involução democrática e o endurecimento das condições de vida é um facto
que foi previamente pactuado com o sindicalismo maioritário e com o
convencimento de que se deve apoiar o lucro empresarial, como única
garantia de nossos empregos, saúde, habitações e direitos sociais. A
Confederação Europeia de Sindicatos ao nível europeu e a Central
Internacional Sindical, recentemente criada, são a expressão desse
sindicalismo de pacto social.

O Sindicalismo Alternativo carece de projecto suficiente, mas mais ainda,
mesmo no caso em que exista, não goza de uma coordenação real de maneira a
converter-se em possibilidade de que outras políticas sejam possíveis, do
mesmo modo que outros mundos; com a condição de serem benéficos para a
maioria social.

Ao longo dos últimos anos, foram produzidas diversas iniciativas em que
temos participado com diversas organizações. Concretamente, e como
exemplo, a CGT participou ao nível europeu em: euro marchas (a última
Tânger-Nice), bloco vermelho e negro, encontros europeus de sindicalismo
alternativo, coordenação anarcossindicalista, fórum social europeu
(Itália, França e Grécia), fórum libertário (Paris e Atenas), fórum social
mediterrâneo (como co-organizadores), I 02 (Alemanha), I 07 (Paris) e
várias coordenações de âmbito sectorial (ferroviário, educação, automóvel,
saúde, correios, limpezas
).

Ao nível do Magreb, a ligação fraterna com a ANDCM de Marrocos; a
declaração conjunta do SNAPAP argelino e da CGT que se coloca como ponto
de partida desta iniciativa, ligada a uma campanha pela liberdade sindical
na Algéria; o início das euro marchas em Tânger; o encontro internacional
contra o desemprego e precariedade em Rabat com a ANDCM; concentração em
Tânger CGT/ANDCM, as campanhas de solidariedade com os detidos do 1º de
Maio em Marrocos, com os trabalhadores agrícolas de Sous Massa, com os
mineiros de Jbel Awam, com a luta de Tamassint; 
 e toda uma rede de
relações e de solidariedade com organizações marroquinas sindicais, de
directos humanos, de desempregados, etc., participação na marcha contra a
vala da morte em Ceuta (Sebta), ....

O balanço destes processos é positivo quanto à capacidade de organizar e
promover, mas negativo quanto à incapacidade para configurar uma rede
estável e autónoma de organizações que saiba afrontar os processos
desenhados pelo capital e dê resposta a cada uma das injustiças e
necessidades de solidariedade.

Em função deste ponto de vista, pela parte da CGT, nos comprometemos a
impulsionar qualquer nova iniciativa possível, que nos permita
aproximar-nos da consecução de um espaço sindical de confiança,
intercâmbio e luta no âmbito euro-magrebe, historicamente relacionado pelo
Mediterrâneo, que partindo da oposição activa ao capitalismo e da
necessidade de articular a solidariedade real entre trabalhadores e
trabalhadoras, possa gerar um marco autónomo e visível, claramente
distante das dinâmicas sindicais da Confederação Europeia de Sindicatos,
da Central Internacional Sindical e de qualquer outra estrutura sindical
de colaboração com os critérios do capital.

Apostamos em processos de coordenação e comunicação entre organizações
sindicais e sociais diversas mas que partilhem uma prática sindical
autónoma (sem dependência de instituições, partidos, religiões, etnias
)
com funcionamento participativo, horizontal, não hierárquico e combativo,
de luta e mobilização, para além das declarações formais, sobre pontos
comuns, tais como:

- A defesa da liberdade sindical e do livre exercício dos direitos
sindicais, denunciando e mobilizando-se frente a toda violação das
liberdades sindicais.
- A luta contra as privatizações e a defesa do público
- A luta contra a precariedade e a flexibilidade do mercado de trabalho e
a degradação das condições de trabalho
- A defesa dos direitos d  s trabalhador  s imigrantes na Europa e no Magreb
- O direito efectivo das pessoas y dos povos a decidir sobre o seu próprio
futuro

Do nosso ponto de vista, este espaço deve ir construindo-se com estes
conteúdos, impulsionando posições comuns face aos acontecimentos e
situações por que passamos, o conjunto da classe operária (desempregad  s,
activ  s, precári  s, imigrantes...) neste momento. Concretizando a
solidariedade internacional em campanhas e acções coordenadas.

Este espaço comum pensamos que deve ter a sua capacidade própria de tomada
de posição e de convocatória, coincidente ou não, segundo as
circunstâncias, com outros espaços de coordenação sindical e que deve
estar aberto a quantas organizações, colectivos, correntes organizadas,
núcleos ou activistas, estejam interessad  s em participar.

Por isso mesmo, este espaço sindical autónomo deve estar em estreita
relação com os movimentos sociais transformadores da zona, sustentando-se
mutuamente.

Estamos preocupados em poder avançar na definição de um mapa de
colaborações, assim como a possibilidade de avançar sobre o concreto com
algumas iniciativas do tipo:

- Comunicado final que exprima o que partilhamos e o que queremos fazer
juntos/as
- Publicação conjunta dos trabalhos das jornadas
- Fixar os mecanismos para um intercâmbio estável de informação
- Campanha pelos detidos do 1 de Maio em Marrocos
- Campanha pela liberdade sindical no conjunto dos países da área,
preparando uma presença conjunta na manifestação de Argel ( Novembro?)
- Dia internacional de luta contra o desemprego e a precariedade a 16 de
Maio (data o assassinato do militante da ANDCM Mustafa El Hanzaoui)
- Encontro de mulheres sindicalistas (verão 2008). 8 de Março
- Colaboração entre sectores
- Próximo encontro
- ................................


Em qualquer caso, embora não consigamos concretizar tudo, consideramos que
nos sentarmos, encontramo-nos, intercambiar e debater
 em si mesmo, já nos
está a permitir avançar.


Madrid 19 de Setembro de 2008

http://www.novedadescgt.info/spip.php?article570

http://luta-social.blogspot.com/



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