(pt) Entrevista com participante do segundo encontro internacional Anarcogaláctico

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Quinta-Feira, 6 de Setembro de 2007 - 16:28:52 CEST


O anarquista mexicano Pancho Pantera foi um dos participantes do segundo
encontro internacional Anarcogalactico, realizado em Sancristobal de las
Casas, Chiapas, de 15 a 18 de julho. Ele concedeu uma entrevista à ANA em
que revela um poquinho como foi esta jornada libertária.

Agência de Notícias Anarquistas > E aí, qual o balanço que você faz do
encontro anarcogaláctico?

Pancho Pantera < O balanço que posso fazer sobre o encontro anarcogalático
é bom, já que nestes tempos e nestes lugares estão acontecendo cada dia
mais agressões repressivas contra os movimentos sociais e até pouco mais
de 2 anos atrás não tínhamos tido uma resposta clara para estas agressões,
pelo menos aqui no México, e o movimento anarquista até pouco tempo se
encontrava bastante desconectado entre si, e este encontro, creio, serviu
para fortalecer os laços de comunicação e de coordenação entre os/as
anarquistas, não só daqui, senão de outras regiões do mundo.

ANA > Como vivenciou essa experiência e que impressões levou do evento?

Pantera < Boas, pois ao assistir este encontro foi uma experiência muito
boa para mim já que me causou muito prazer encontrar velhas caras que
fazia já muito tempo que não via, e de saber que seguem com vida e mais
ativos/as que nunca, a qualquer um se levanta o ânimo com isso, e para si
mesmo encontrar-se também com novas pessoas que já têm alguns anos dentro
do anarquismo, mas que por distintas circunstâncias não te das contas de
que existem e que muitos/as deles/as vivem relativamente próximo de ti e
saber que podes organizar-te com eles/as em projetos futuros em curto
prazo resulta muito alentador.

ANA > Quais as principais temáticas abordadas no encontro?

Pantera < As principais temáticas do encontro foram as seguintes:
presos/as políticos/as; o acampamento contra as fronteiras; os/as
anarquistas na Outra Campanha; a ASPAN (Alianza de Seguridad y Prosperidad
Para America del Norte); o funcionamento da rede. Mas também houve outros
temas que se propuseram no começo do encontro, tais como, o assédio sexual
dentro da cena anarquista, o conflito indígena na Venezuela, dar
seguimento às resoluções do encontro no DF, entre outros.

ANA > Muita gente participou? De que lugares?

Pantera < Bom, houve uma participação aproximada de 130 pessoas de vários
países e de várias províncias do México, entre elas: Hidalgo, Guadalajara,
Edo. De Mex, DF, San luis Potosí, Tijuana, Monterrey, Veracruz, Leon,
Durango, Colima, Oaxaca, Chiapas. E de países: USA, Venezuela, Brasil,
Argentina, França, Espanha, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Canadá,
Itália, Inglaterra. Não sei, possivelmente me esqueci de algum país ou
cidade.

ANA > E a presença de mulheres foi significativo?

Pantera < À participação das companheiras no meu parecer, sim, foi muito
significativa, ainda que não éramos metade homens e metade mulheres, pelo
menos havia um número considerável de companheiras e não como acontecia
faz alguns anos que para cada companheira havia 10 companheiros.

ANA > E quais foram as principais recomendações práticas saídas deste
encontro?

Pantera < Um dos principais objetivos do encontro foi o de dar
continuidade ao tema dos/as presos/as políticos/as e das prisões em geral,
também se retomou a idéia de se fazer um encontro abolicionista neste mês
para fortalecer mais as estratégias contra as prisões em geral, outro tema
importante foram às atividades coordenadas que se fará nestes dias contra
a ASPAN, e também o acampamento contra as fronteiras que se realizará na
fronteira entre Calexico e Mexicali e na fronteira norte, e o possível
acampamento na fronteira sul entre México e a Guatemala, assim como também
as distintas atividades que se farão em várias partes do mundo contra as
fronteiras.

ANA > Onde foi o encontro, a logística...

Pantera < O encontro se realizou em uma escola para apoio a indígenas que
se encontra nas proximidades da cidade de San Cristóbal de las Casas,
Chiapas, que se chama CIDECI, a qual conta com instalações bastante
adiantadas das demais escolas da região que são financiadas pelo governo,
apesar de que esta escola não recebe nem aceita nenhum apoio de nenhuma
instituição de governo, nem sequer a eletricidade do estado consomem, por
que contam com uma subestação elétrica, são totalmente autônomos, e conta
com várias oficinas, que vão desde costura, carpintaria, mecânica
automobilística, música e outras mais. Esta escola é afim das idéias
zapatistas. E a logística correu a cargo da comissão organizadora do
encontro e do CIDECI, nós, os participantes, demos uma cota solidária de
apoio de 100 pesos equivalente a 10 reais de vocês, e os/as que podiam dar
mais o faziam e os que não tinham dinheiro também foram permitidos de
participar sem ser isto uma trava, a alimentação ficou correndo sob a
responsabilidade da cozinha do CIDECI, e a arrecadação das inscrições se
deixou quase em sua totalidade para o CIDECI.

ANA > Houve algum problema neste encontro, algum tipo de repressão?

Pantera < Bem, sim, houve um problema um pouco sério no encontro, foi
sobre uma acusação a uma pessoa do DF de assédio sexual e de bater em dois
compas do USA faz algum tempo, o tema foi levado a assembléia pela
seriedade do problema, não especificamente desta pessoa, mas sim do
assédio sexual, houve opiniões divididas desde as feministas radicais até
de gente que passou do tema e se chegou a conclusão que faz falta
aprofundar mais neste tema em nossas regiões, começando desde o individual
e daí seguir no coletivo e assim sucessivamente, para que este tipo de
problemas se erradiquem na raiz e não ocorram nem de parte de homens nem
de mulheres. E de repressão se te referes a policia, não que eu me
recorde, o lugar aonde se realizou o encontro permitiu que se desse com
muita tranqüilidade e sem nenhum tipo de aborrecimento.

ANA > E alguma história engraçada para contar deste encontro? (risos)

Pantera < Bom, algo gracioso que ocorreu não foi precisamente no encontro
Anarcogaláctico, foi no encontro dos povos zapatistas com os povos do
mundo, eu viajei ao encontro com um casal de compas daqui da região e
eles/as iam com suas duas filhas de 5 anos e 6 meses, e no primeiro dia
que chegamos ao encontro, nós ficamos dormindo na escola da comunidade e
junto com a gente dormiram mais pessoas de outros lugares, e pela noite
sua filha de 5 anos estava com sono foi-se aonde estavam uns compas da
Espanha, e eles ao perceber de que a criança estava se deitando junto
deles não sabiam o que fazer, se a acordavam ou seguiam dormindo, já que a
mãe e o pai da criança nem haviam percebido o incidente.

ANA > E vocês pretendem continuar no futuro com esses encontros
anarcogalácticos?

Pantera < Esse é um dos objetivos principais do encontro, dar seguimento a
estes encontros, e nos juntarmos com o pessoal que também participou no
encontro anarquista da Cidade do México e dar apoio ao próximo encontro
anarquista internacional, que está sendo proposto para se realizar na
cidade de Guadalajara (México), no próximo ano.

ANA > A seu ver, quais são os grandes desafios que se colocam hoje aos
anarquistas mexicanos?

Pantera < No meu ponto de vista e do ponto de vista de muitos/as outros/as
compas daqui, penso que o maior desafio é fazer frente aos governos não
somente mexicano, mas também ao norte-americano, já que nestes tempos se
têm desatado uma campanha de criminalização contra os movimentos sociais,
como ocorreu no caso de Oaxaca e de Atenco, que fazem ver as pessoas que
se organizam como criminosos ante a opinião pública através dos meios
massivos de desinformação, e prendem aos líderes destes movimentos
dando-lhes penas muito mais altas que a de homicidas e seqüestradores,
como foi o caso de Ignacio del Valle, de San Salvador Atenco, condenado a
60 anos de prisão, e assim mesmo enfrentar o terrorismo de estado que hoje
se recrudesce a cada dia mais neste país e faz parecer que estamos de
volta aos tempos das ditaduras, intimidando ao povo para que não saiam de
suas casas e se organizem, com o pretexto de combate ao narcotráfico,
creio que esse é o momento de organizarmo-nos de uma maneira mais
contundente para estar prevenidos ante esta situação, não só os/as
anarquistas daqui do México, senão do mundo inteiro, o inimigo já nos têm
identificados e não devemos permitir que nos aniquilem como moscas, um a
uma, juntemo-nos e façamos deste movimento uma grande praga que no dia de
amanhã nada possa pará-lo.

ANA > Obrigado! Finalize a entrevista...

Pantera < Por último, só te agradecer Moésio, por me permitir compartilhar
esta experiência com mais gente de outros lugares do mundo, esperando que
lhes sirva de algo, saúde e força.
Para quem desejar mais informação sobre o encontro ou as atividades
futuras podem escrever a: libertari  hotmail.com

Tradução: Juvei


agência de notícias anarquistas-ana





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