(pt) Israel-Palestina: Bil'in celebra a decisão judicial, uma vitória para a luta não-vio lenta [en]

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Quarta-Feira, 5 de Setembro de 2007 - 19:29:11 CEST


Anarkismo.net
Esta manhã pelas 9:00 horas estava prevista a publicação do veredicto do
Supremo Tribunal sobre a aldeia de Bil'in acerca da acusação da aldeia de
que a construção da cerca de separação estava a roubar a maior parte das
terras da aldeia. O Supremo Tribunal costuma carimbar com decisões de
“justiça” os projectos de ocupação e de colonização judaica, e tenta
faze-lo segundo algum tipo de lógica. Mas foi a lógica que obrigou o
tribunal a limitar os crimes de Israel nos territórios ocupados. A luta
conjunta em Bil'in, levada a cabo pelo comité popular da aldeia com a
Iniciativa dos Anarquistas Contra o Muro de Israel, obrigou o tribunal
mais alto do país a intervir. Após dois anos e meio recusando dar um
veredicto rapidamente, acabou por seguir os seus próprios princípios de
justificar o muro de separação e hoje ordenando que os colonatos recuassem
um bocado.

No veredicto publicado hoje ( 4Set., 2007na queixa de Ahmed Abdullah Yasin
em nome do conselho de aldeia de Bil'in contra a barreira de separação,
pela juíza Dorit Beinish e seus colegas, o Supremo Tribunal sentenciou
contra a presente orientação do traçado da barreira e obriga o Estado a
fazer um traçado alternativo, em tempo razoável, que deixe as terras
agrícolas de Bil’in do lado “palestiniano” da barreira. Isto significa que
cerca de 250 acres de terra serão devolvidos aos aldeões de Bil'in.

Segundo as palavras dos juízes: "O traçado presente coloca questões sérias
também no que respeita às vantagens de segurança que supostamente deverá
assegurar
 e o traçado seleccionado não pode ser explicado senão pela
intenção de incluir a parte leste de "Matityahu-Mizrah" no lado ocidental
da barreira de separação". Isto quer dizer que o traçado presente não pode
ser explicado de outro modo senão numa tentativa de roubar e confiscar
terras da aldeia, um comportamento que o tribunal não estava disposto a
assumir. O juíz Beinish declarou que "o Comando Militar não tem liberdade
para tomar qualquer decisão em ordem a realizar os seus legítimos
objectivos de segurança. Quando ele começa a definir o traçado da
barreira, tem de ter em conta várias considerações e fazer a ponderação
destas. A primeira destas é a consideração segurança militar".

O tribunal decidiu que até ao novo traçado estar completado, o portão na
barreira tem de ficar aberto diariamente entre as 6:00 da manhã e as 20:00
da noite. O ministro da defesa de Israel que tem a supervisão da
construção da barreira, disse que irá “estudar a sentença e respeitá-la”.

Mas até a melhor equipa de advogados, a sentença não poderia ser obtida
sem a luta persistente organizada pela aldeia de Bil'in contra a
construção da barreira. Os moradores de Bil'in ergueram a bandeira da luta
não violenta conjunta, de palestinianos e israelitas desde o princípio da
construção do muro e não a abandonaram nunca. Todos os que partilharam a
luta sentem-se felizes por ter participado num acontecimento de
importância sem precedentes. Tivemos o privilégio de estabelecer alguns
laços muito significativos, assim como um sentido de auto poder – o prémio
dos que persistem no confronto com a opressão violenta e a derrotam.

Numa entrevista, um membro dos Anarquistas Contra o Muro, Yonatan Pollak
disse "Isto é tanto uma vitória para o movimento como para a aldeia. Mas
esta decisão não nos deve levar a concluir que a justice é real e se
exerce no Estado de Israel. Mas diz-nos porém que a luta compensa e que os
esforços dos que lutam contra o colonialismo e a ocupação acabarão por ser
vitoriosos.
 Não precisamos de armas se estivermos unidos e determinados”. Mas ele
acrescentou que a “repressão pelas forças armadas de Israel é temível e
alguns dos meus companheiros, palestinianos e israelitas, acabar por ir
parar a camas de hospital”.
As disposições que tinham sido adoptadas para o caso mais provável da
decisão ser desfavorável, puderam ser facilmente modificadas para este
veredicto imprevisivelmente positivo. As celebrações começaram com uma
festa realizada no final da manhã face à média nacional e internacional.
Os activistas da aldeia e da região implicados na luta de Bil'in
continuaram a celebrar depois nas ruas e no edifício municipal. Durante a
tarde, a maioria dos activistas de Anarquistas Contra o Muro (AATW) chegou
das cidades de Tel Aviv e de Jerusalém e as celebrações voltaram a animar.
Um dos membros do comité popular de Bil'in, Abdallah Abu Rahma estava
radiante: "Vencemos uma batalha importante, mas não podemos esquecer que
isto é uma guerra longa e o que está em causa é o nosso futuro como
palestinianos e não apenas como moradores de Bil’in. Para construir o
muro, Israel confiscou 250 hectares de nossas terras e arrancou milhares
de árvores, mas, sobretudo tentou fechar os outros palestinianos em
bantustões. Por esta razão a luta não pode parar, mas continuar para se
tornar a luta de um povo inteiro".
O membro de Anarquistas Contra o Muro Ilan Shalif descreve as celebrações
na aldeia: "Com música e dança, convergimos primeiro para o centro da
aldeia, e aí centenas de palestinianos mulheres, homens, jovens e crianças
juntos com israelitas da AATW continuaram o cortejo ao longo da Estrada
que vai dar ao local em que se ergue o muro de separação. Ao portão, em
vez dos soldados agressivos e dos guardas que nos atacam a cada Sexta
feira durante a manifestação semanal, havia somente alguns soldados de
guarda ao portão. Após uns felizes minutes aí, mudámos de direcção e
dançando e cantando regressámos ao centro da aldeia.”
Fotos da festa:
http://bilin-village.org/english/Court-Victory-for-Bilin-in-pictures
Vídeo da festa em Bil’in:
http://corky.net/~eran/yossi/Bilin_celebration_040907.AVI
Após a prece da tarde alguns dos activistas viajaram até á cidade de
Ramallah para outra festa. Todos os canais de TV deram notícia da sentença
e das celebrações pelo sucesso da longa luta nos seus noticiários
principais.

Porém, o caminho ainda é longo. O tribunal não estabeleceu que o muro
devia ser transposto para a ‘linha verde’ e claro, não aboliu a separação
que ele produz.
Há pouco tempo, várias frentes de luta conjunta fazendo avançar a tradição
de Bil’in manifestaram actividades esporádicas em aldeias da Margem
Ocidental que estão a sofrer as consequências do muro de separação. Uma
delas é na região de Ma'asara -  as aldeias ao sul de Belém, que incluem
Umm Salamunah, Walaja, Artas, Beit Umar, Wadi an-Nis e Surif. A luta aqui
é contra o muro de separação, com acções directas além das manifestações
das Sextas-feiras.
E recentemente foi adicionado um alvo ao muro de separação: os bloqueios
das estradas, tal como construir um bloqueio simbólico à entrada de um
colonato judaico como Karmei Tzur, e remover repetidas vezes os bloqueios
das estradas (algumas vezes por algumas horas ou dias) que obstruem a
passagem de aldeões que querem se dirigir às cidades próximas.
 No entanto, a presente sentença é sem dúvida um feito e será útil para
reforçar a luta popular contra o muro. A luta conjunta palestiniana
israelita contra a ocupação vai continuar. Tanto os palestinianos como
israelitas dão-se as mãos nestas acções e com elas o apartheid e o roubo
irão fracassar.

[Artigo compilado e publicado por Anarkismo.net a partir de artigos por
membros de AATW (I.S., N.S. e A.G.) e de « Il Manifesto». Traduzido para
português por LUTA SOCIAL]
http://www.awalls.org







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