(pt) [Encontro em Lisboa] SITUAÇÃO ACTUAL DO IRAQUE SEGUNDO UM LÍDER SINDICAL IRAQUIANO

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Quarta-Feira, 3 de Outubro de 2007 - 15:06:35 CEST


[de Luta Social: http://luta-social.blogspot.com/]
Falah Alwan, presidente da federação de Conselhos Operários e Sindicatos
do Iraque esteve numa breve visita em Lisboa, para recolher algum apoio à
resistência dos trabalhadores no interior do Iraque. Ele encontrou-se aqui
com alguns activistas políticos e sindicais. A 2 de Outubro participou num
debate sobre a situação Iraque, de um ponto de vista da luta de classes.
Ele apresentou resumidamente a situação no que respeita ao movimento dos
trabalhadores, os efietos da invasão e ocupação e as dificuldades em
organizar os trabalhadores, devido aos decretos do tempo do regme de
Saddam, mantidos em vigor por este governo. Nomeadamente muitos
trabalhadores pagos pelo estado, não apenas funcionários públicos, como
operários de indústrias possuídas pelo estado, estão proíbidos de de se
organizarem em sindicatos.
A imagem que se tem do Iraque, pelos média, está longe da realidade. Os
média tentam dar a imagem de que os trabalhadores se dividem de acordo com
pertenças étnicas e religiosas. Mas isto não é assim. A guerra de facções
sectárias não conseguiu dividir o país. Não existe guerra civil, mas
guerra entre facções.
Um ponto importante é o facto de que cada sector político, nomeadamente os
que estão no poder e no governo, tem as sua própria milícia. A polícia e o
exército também estão penetrados por pessoas dessas milícias.
É bem conhecido no Iraque mas ignorado na Europa que algumas milícias
estavam a raptar cidadãos e a cometerem os seus actos terroristas usando
carros da polícia e veículos do exército. O anterior primeiro-ministro
forneceu directamente a sua milícia com equipamento roubado ao exército.
Cada milícia tenta controlar o Estado. Os ataques terroristas contra civis
estão direccionados contra as outras facções armadas, não contra o
ocupante.
As tropas US não têm efeito de estabilização nesta guerra inter milícias.
De facto, após o bombardeamento da mesquita de Samara, as tropas US
mantiveram-se como espectadoras não fazendo nada para prevenir os
confrontos entre facções rivais.

As pessoas vão para o seu trabalho temendo não voltar, ao fim do dia. As
mulheres não podem andar na rua, senão com escolta e são muitas vezes
raptadas.
Nas prisões, as mulheres são torturadas e violadas, tanto por americanos
como por iraquianos. Mas o movimento das mulheres conseguiu reagir e
conseguiu que a situação das mulheres prisioneiras se tenha tornado menos
terrível. Também conseguiram uma pequena vitória ao obterem que uma mulher
condenada à morte fosse apenas condenada a prisão.
O movimento dos trabalhadores é vigoroso. Houve greves no final de Abril
deste ano no sector dos petróleos. Esta e muitas outras greves são
declaradas ilegais mas os trabalhadores continuam a lutar e a
organizar-se.
Existe muito roubo ao nível governamental, mas o tesouro não está
destituído de capacidade de financiar a reconstrução do Iraque.
Simplesmente deixam apodrecer as infra-estruturas, porque as querem
privatizar primeiro, como é o caso com o sector da electricidade.
Uma mudança na situação virá do movimento dso trabalhadores. A ocupação
não está a evitar o embate entre grupos rivais, na sua luta pelo poder. O
fim da ocupação não irá trazer um acréscimo de caos, pelo contrário, visto
que a guerra entre seitas é atiçada pela ocupação; depois da ocupação
acabar será mais fácil o s trabalhadores fazerem pender a balança para
algo mais favorável aos seus interesses.



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