(pt) Luta Social nº26, boletim da AC-Interpro - Editorial

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Sexta-Feira, 30 de Março de 2007 - 08:41:26 CEST


EDITORIAL: O QUE NOS DISTINGUE
Por Nuno Freitas e Manuel Baptista

A propósito do processo de «extinção» que nos é movido.
Sob o ponto de vista ético a imoralidade é, apenas, a consequência de uma
organização viciosa da sociedade. Por isso mesmo, só destruindo a sociedade
viciosa de alto a baixo, pois não é possível moralizar senão pela liberdade.
Para Bakunin, não existiria senão uma sanção justa: "a privação dos direitos
políticos (e isto quer para pessoas parasitas, ociosas ou malfeitores)
isto é, a privação das garantias acordadas pela sociedade aos indivíduos".
A liberdade individual não faz esquecer a obrigação social. Ninguém se torna
livre, ou se conserva, senão pela liberdade dos outros. O homem só realiza a
liberdade individual desde que se complete, com todos os indivíduos que o
envolvem graças ao trabalho e ao poder colectivo da sociedade.
A nossa Associação é voluntária: só e somente pelas suas vantagens óbvias
será preferida por todos/as. Pois o homem, embora sendo o mais individual,
é ao mesmo tempo o mais social de todos os animais. O individualismo, o
isolamento absoluto do homem, é uma ficção, como outra qualquer: estar
entregue a si próprio(a) é a morte intelectual, moral e mesmo a morte
material.
A personalidade exprime-se através da autonomia das massas. Para os
anarquistas, a revolução social não pode ser decretada, nem organizada de
cima e só será feita pela acção espontânea das massas. Para Bakunin, "as
revoluções vêm como um ladrão na noite". São preparadas durante muito
tempo, na profundidade da consciência instintiva das massas populares, e
explodem provocadas - aparentemente - por razões fúteis. Podemos
prevê-las... mas nunca acelerar a sua eclosão.
A revolução social surge por si própria, destruindo tudo o que se opõe ao
extravasar generoso da vida popular para criar em seguida, a partir da
profundidade da alma popular, novas formas de vida social livre.
Na Comuna de Paris de 1871, os seus participantes estavam compenetrados de
que, na revolução social, a acção dos indivíduos era quase nula e que a
acção espontânea das massas devia ser tudo.
Para Kropotkin, o povo possui um espírito de auto organização, num grau tão
elevado e que tão poucas vezes o deixam exercer. Para ele ... "é preciso
ter tido toda a vida o nariz metido na papelada para duvidar disto".
Os anarquistas foram e são muito pródigos em ideias e acções sociais.
Lutadores incansáveis pela emancipação das classes oprimidas, pela
justiça, pela liberdade, em suma, pela Revolução Social.




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