(pt) «A BATALHA» N. 221: O Triste Carnaval da Saúde

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Quarta-Feira, 14 de Março de 2007 - 08:10:15 CET


Os custos da Saúde têm aumentado. Tudo tem aumentado, porque não
aumentaria a Saúde? Mas há aumentos justificados e há desperdícios. A
redução de custos deve incidir exclusivamente sobre estes últimos.
É provável que haja duplicação desnecessária de serviços, especialmente
nalguns centros urbanos e é aceitável proceder a alguns encerramentos. Em
Lisboa é fácil a um doente deslocar-se a um ou outro dos vários hospitais
situados no centro da cidade. O caso muda de figura quando se trata de
hospitais fora dos grandes centros, nomeadamente em zonas rurais, com
população dispersa e de menores recursos, grandes distâncias, maus
caminhos e  escassos meios de transporte. Não pode aplicar-se aqui a
metodologia utilizada para a rede hospitalar de Lisboa. O que na capital
pode ser racionalização pode ser irracionalidade em Trás-os-Montes, na
Beira Alta ou no Alentejo. E a prova disto são os protestos das populações
afectadas pela “irracionalização” ministerial.
Isto aplica-se às Urgências, tanto hospitalares como de cuidados
primários, com mais forte razão. Em áreas rurais ou semi-rurais com um
número escasso de urgências nocturnas pode ser mais lógico instituir a
urgência por chamada, sem permanência efectiva no local. Sobretudo é
necessário não pôr e dispor em Lisboa, mas ir ao local e resolver da
melhor forma com o respectivo pessoal de saúde e autarcas em função da
situação concreta. A “omnisciência” do ministro (e respectiva entourage
burocrática) são o problema maior da Saúde em Portugal.
Quanto aos serviços de Obstetrícia, encerrar os que fazem menos de 1500
partos por ano para, como alternativa, dar umas noções elementares a
bombeiros para fazer a  parto nas ambulâncias a caminho da maternidade
agora mais distante, e dizer que isto se faz em nome da melhoria da
qualidade, só como anedota para «O gato fedorento»!

L.G.S.




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