(pt) Croácia] Sobre o Primeiro Festival Anarcofeminista de Za greb

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Quarta-Feira, 13 de Junho de 2007 - 14:18:56 CEST


>   Entre os dias 13 e 15 de abril de 2007, aconteceu o "Primeiro Festival
>Anarcofeminista" de Zagreb, na Croácia, com debates, projeções de vídeos,
>performances, concertos, oficinas... A seguir apresentamos um relato sobre
>este encontro enviado pela companheira Zlatokosa, da AnFemA -
>AnarchaFeministAction.
>
>Por que estou escrevendo este relato?
>
>Parte do programa deste ano da Feira Anarquista de Zagreb foi o workshop
>denominado “Anarchist world r/evolution”, no qual as pessoas discutiram
>sobre o estado atual do movimento anarquista, e uma das conclusões a que se
>chegou é que não se dá atenção suficiente para análises e críticas. Para
>simplificar – as pessoas estão sempre correndo atrás de novos projetos e
>ações, e muito freqüentemente há uma falta de feedback e de acompanhamento
>de como as coisas vêm andando, do passado para o presente, e ver o que foi
>atingido, os aspectos positivos e negativos, quais os erros cometidos e as
>conseqüências deles. Também precisamos dar atenção a coisas que poderíamos
>ter evitado e que lições tiramos disso
 Resumindo, o que vale a pena fazer.
>Pessoalmente, acho que todos esses aspectos são muito importantes (e outras
>pessoas que participaram do workshop também).
>
>A conclusão dessa discussão foi que atualmente os grupos e indivíduos
>anarquistas estão se confrontando com o problema universal que pode ser
>chamado de “reinvenção do anarquismo”.
>
>Espero que este texto sobre o festival anarcofeminista seja ao menos um
>pouco útil para aqueles que estão interessados em ver com o que tivemos de
>lidar na fase de preparação do festival, e que também seja útil para
>aqueles que estão lidando com os mesmos tipos de projeto. O ditado diz que
>a melhor maneira de aprender é por meio de seus erros, mas alguns deles
>podem ser previstos

>
>Festival
>
>Os preparativos para o festival começaram 6 meses antes. Durante esse
>período, lidamos com questões como levantamento de fundos, definição do
>local do festival e questões logísticas (pois não temos um local próprio
>aqui), capacidade do dormitório para participantes e visitantes (que foi,
>no fim, de cerca de 50 pessoas) e, é claro, nossos objetivos e propósitos
>para o festival, e maneiras de como atingi-los.
>
>Como somos um grupo anarquista e acreditamos nos princípios de
>auto-organização (que considera também os princípios do autofinanciamento),
>tivemos de fazer um grande esforço, pois queríamos pagar ao menos parte dos
>custos de viagem para as participantes do Leste Europeu, pois sabemos que
>as condições financeiras dessa região são difíceis.
>
>Conseguimos levantar fundos graças ao apoio e ao trabalho de simpatizantes
>com a idéia, por meio de gigs beneficentes, festas (“Making disco a treat
>again”), doações pessoais etc. Gostaria apenas de acrescentar que a quantia
>de dinheiro de que precisávamos para um festival de 3 dias pode parecer
>muito grande da perspectiva de alguns, mas para nós não nos pareceu assim,
>de modo que fizemos um grande esforço para levantar o dinheiro, por um
>período maior do que aquele que planejamos, especialmente intenso nos
>últimos 6 meses. Talvez isso exija mais tempo e seja mais difícil do que
>levantar fundos por meio de projetos escritos, como muitas ONG estão
>fazendo, mas é definitivamente mais fácil quando você sabe que é você mesma
>quem vai gerenciar tudo, graças à cooperação e à solidariedade de outras
>pessoas. Além disso, foi importante para nós poder provar para nós mesmas
>que esse tipo de evento pode ser feito sob os princípios do faça-você-mesmo
>e que o princípio da
>  auto-sustentabilidade é a base das ações anarquistas. No fim deu tudo
>certo, tendo sobrado até dinheiro, então estamos aptas a apoiar alguns
>outros projetos.
>
>Programação
>
>As participantes prepararam a programação do festival de acordo com suas
>próprias afinidades. A maioria da programação foi feita de modo a levar as
>idéias anarcofeministas para mais próximo das pessoas que estavam tendo
>contato com essa ideologia pela primeira vez. Palestras, discussões,
>workshops e mostras foram organizadas com a grande ajuda de convidadas de
>países como Grécia, Macedônia, România, República Checa, Finlândia, Bósnia
>e Croácia, e os tópicos ficaram concentrados em torno da crítica à
>sociedade atual, apresentação de alternativas de acordo com os princípios
>do faça-você-mesmo e subversão das categorias de gênero. Como não queríamos
>que a programação ficasse apenas na teoria e na «pregação», as iniciativas
>de ações práticas, como workshops de silk screen, como fazer fanzines, como
>discotecar etc. foram bem-vindas. Gostaríamos de apontar alguns tópicos
>importantes para um requestionamento das atitudes anarcofeministas: O
>Anarcofeminismo Não Será Televisionado
>  (sobre o relacionamento entre o anarcofeminismo e a mídia), atividades
>auto-educacionais de ativistas anarcofeministas da República Checa, o
>workshop Ungender (cujo objetivo foi o de subverter as categorias de
>gênero) do grupo Queerilica, e a discussão, no último dia do evento, sobre
>espaços autônomos para mulheres.
>
>Tivemos dois motivos para organizar este festival: o primeiro foi de
>caráter mais educacional, trazer idéias anarcofeministas mais para perto de
>um círculo maior de pessoas, desde aquelas que já estão mais envolvidas com
>o anarquismo, passando por aquelas que pessoas que vieram a ter um
>interesse específico pelo assunto, até aquelas pessoas comuns passando
>pelas ruas. O outro motivo foi reunir em um só local os grupos/indivíduos
>de diferentes regiões que já estão ativamente envolvidos no movimento para
>se conhecer pessoalmente, compartilhar experiências, discutir algumas
>questões, compartilhar problemas e tentar ver qual é nossa posição enquanto
>movimento. Por causa da ampla extensão geográfica desses grupos/indivíduos,
>este foi um passo importante em termos de melhor conexão e cooperação.
>
>O festival ocorreu sem quaisquer problemas relacionados ao lado técnico da
>organização, desde o local gratuito do festival, cozinha no “estilo” Food
>Not Bombs, até acomodações para dormir voluntárias, graças à solidariedade
>e à ajuda de muitas pessoas. Para nós, a atmosfera do evento estava ok e
>relaxada, mas depois do festival houve algumas reações, que definiram tudo
>o que aconteceu como um evento de gueto anarco-punk, o que trouxe à tona as
>mais diferentes reações e discussões.
>
>Atingimos nossos objetivos? Bem, sobre a melhor conexão do movimento e
>futuras cooperações em nível europeu (leste, centro e norte), podemos dizer
>que estamos em um bom caminho e que estamos satisfeitas. Considerando o
>tamanho do movimento, um grande número de pessoas ativamente nele
>envolvidas visitaram o festival, novas amizades foram feitas, e há um
>interesse em futuras cooperações. Há uma lista de discussão sendo
>organizada, na qual todos os participantes e todos os interessados poderão
>conversar sobre futuros projetos.
>
>Em relação à questão de educar e trazer as idéias anarcofeministas para um
>círculo maior de pessoas, podemos dizer que falhamos definitivamente. Este
>não é um problema novo para o movimento anarquista, e há inúmeras razões
>para que isso aconteça. Um deles é a falta de experiência, outros são a
>estimativa errada, as técnicas de abordagem erradas, ignorar o lado da
>mídia, falta de mídia alternativa desenvolvida que possa atingir as massas
>e, por fim, a apatia da sociedade croata em geral, e o profundo preconceito
>por tudo que tenha a palavra “anarco”.
>
>Podemos concluir que, como organizadoras, estamos muito satisfeitos com o
>festival. Foram feitas algumas propostas para um festival que poderá
>acontecer no ano que vem, mas em outro local. Todas serão discutidas na
>lista. Caso você esteja interessado em cooperar conosco, e queira ser
>adicionado à lista, escreva para chaosgrrlz  gmail.com.
>
>Mais informações: www.anfemafest.tk
>
>   Em solidariedade, Zlatokosa (da AnFemA - AnarchaFeministAction)
>
>   Tradução: Danielle Sales
>
>   agência de notícias anarquistas-ana




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